Palavras cruzadas para exercitar o raciocínio lógico. Um tabuleiro para ensinar localização na aula de geografia. Uma trilha de games digitais que apresenta o cooperativismo às crianças durante um evento comunitário. As três propostas têm em comum o jogo como recurso de aprendizagem e estão ao alcance de professores de todo o país na Jogar+Aprender, solução gratuita do Sistema OCB, entidade que representa as cooperativas brasileiras.
Disponível na CapacitaCoop, plataforma de ensino a distância do Sistema OCB, a Jogar+Aprender funciona como uma vitrine de recursos pedagógicos e didáticos para abordar cooperativismo, educação digital, educação ambiental, cidadania, diversidade e inclusão e outras temáticas alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de forma lúdica. Os materiais podem ser utilizados dentro ou fora da sala de aula, por qualquer instituição de ensino, sendo escolas públicas e privadas, e também em atividades promovidas por cooperativas e Organizações Estaduais do cooperativismo.
Para crianças de 6 a 12 anos, há mini jogos educativos impressos e digitais, atividades interativas (como labirintos, caça‑palavras, pinturas) e vídeos animados sobre cooperativismo, meio ambiente, saúde e bem‑estar. Para jovens de 13 a 17 anos, o acervo traz jogos digitais mais avançados, conteúdos sobre segurança digital, sustentabilidade e preparação para o primeiro emprego, além de games em ambientes virtuais, como o CoopCity (Roblox).
Jogos na rotina escolar
Na Cooperativa Instituto Educacional de Tucuruí (COOPERIET), no Pará, os materiais da Jogar+Aprender são utilizados em diferentes áreas. Segundo a professora Rosilene Silva, os recursos ajudam a desenvolver a organização e a concentração dos estudantes.
“Dá para usar os jogos em todas as disciplinas. Em língua portuguesa, por exemplo, uso as palavras cruzadas para trabalhar a capacidade de visualização e raciocínio lógico. Na parte de matemática, também trabalho a concentração e os números”, explica.
Para explorar todas as possibilidades da Jogar+Aprender em sala de aula, os professores da cooperativa educacional paraense receberam um treinamento, o que, segundo a presidente da coop, Andreia Anjos, facilitou a adesão aos recursos. “Foi uma experiência muito enriquecedora, que trouxe novos conhecimentos e estratégias para nossa prática pedagógica. Hoje, percebemos o quanto a Jogar+Aprender contribui para tornar a aprendizagem mais envolvente e significativa.”
Educação cooperativa
Em Goiás, cerca de 80 professores foram capacitados desde 2025 para utilizar os materiais pedagógicos cooperativistas, levando o conhecimento para mais de 1,8 mil crianças e adolescentes de seis municípios. “A decisão de utilizar a Jogar+Aprender surgiu da oportunidade de ampliar o aprendizado sobre a cooperação com uma metodologia lúdica e educativa, que pudesse apoiar os professores e ser incorporada às atividades em sala de aula”, explica Paulo Henrique Nascimento, analista de Desenvolvimento Humano de Cooperativas do Sistema OCB/GO.
O trabalho começou em parceria com escolas do Serviço Social da Indústria (SESI) no estado e agora está sendo ampliado para mais instituições das redes pública e privada. Os jogos também são utilizados em eventos comunitários, como o Dia de Cooperar (Dia C).
A meta para 2027, segundo Nascimento, é expandir a metodologia com novas parcerias em escolas de diferentes municípios. “Queremos aproximar cada vez mais pessoas do cooperativismo, valorizando a cooperação como uma prática capaz de fortalecer vínculos e contribuir para a construção de comunidades mais participativas e solidárias”, afirma o analista
Tecnologia com propósito pedagógico
Para a doutora em Educação pela Universidade de Brasília (UnB) e diretora de Educação a Distância do Instituto Federal de Brasília (IFB), Jennifer Medeiros, o uso de diferentes ferramentas pedagógicas amplia as possibilidades de atuação dos professores. “A importância de contar com ferramentas pedagógicas, inclusive digitais, é que você promove uma diversidade metodológica. A tecnologia na educação não é um fim em si mesmo, é um meio.”
Segundo a especialista, as tecnologias digitais podem diversificar as formas de interação entre professor e estudante e favorecer a participação dos alunos nos processos de aprendizagem. “Elas podem potencializar o protagonismo do estudante. O aluno pode aprender de uma forma diferente usando as tecnologias digitais e isso só é possível se o professor oportunizar e proporcionar essa experiência para ele. Usando um recurso digital, o professor consegue alcançar diferentes formas de aprender por parte dos alunos”, explica.
A escolha da ferramenta, no entanto, precisa estar ligada aos objetivos da aula. “O uso das tecnologias na educação só faz sentido mediante uma intencionalidade pedagógica, e essa responsabilidade é do professor. Antes de escolher um recurso digital, ele precisa se perguntar: 'O que eu quero com isso? Como esse recurso digital vai ajudar no alcance dos objetivos de aprendizagem dos estudantes e nos objetivos de ensino?'”, recomenda.
Como acessar
Os recursos educacionais da Jogar+Aprender estão disponíveis na plataforma CapacitaCoop. Professores, cooperativas e instituições de ensino podem conhecer a proposta e acessar os materiais gratuitamente.