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18/09/2026
Cooperativismo fortalece a inclusão de pessoas com deficiência
Trabalhar, ter renda própria e conquistar a autonomia são dimensões importantes da inclusão das pessoas com deficiência (PcD). Para muitos brasileiros, o cooperativismo tem sido um caminho para alcançar esses objetivos, com oportunidades que valorizam seu potencial e abrem portas não só para o mercado de trabalho, mas também para a participação ativa na sociedade. Essa atuação ganha ainda mais destaque no Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.
“Em várias partes do Brasil, as cooperativas desenvolvem iniciativas voltadas à autonomia, dignidade e inclusão de pessoas com deficiência em seu quadro de colaboradores, assumindo um importante papel de transformação social. Além de combater o preconceito e o capacitismo, essas ações fortalecem a independência, pertencimento e perspectiva de futuro”, destaca Fabíola Nader Motta, superintendente do Sistema OCB, entidade representativa do cooperativismo brasileiro.
Mudança cultural
Uma delas é a Cooperativa Agrícola Sul Mato-Grossense (Copasul), de Naviraí (MS), que começou a incluir pessoas com deficiência há 35 anos, em cumprimento ao Artigo 93 da Lei nº 8.213/1991, a Lei de Cotas, que estabelece a reserva legal de vagas para pessoas com deficiência em empresas com 100 ou mais empregados. Ao longo do tempo, porém, a iniciativa ganhou um significado muito maior, tornando-se parte de uma atuação permanente de valorização desses profissionais.
A obrigação legal deu origem a uma mudança cultural e a Copasul passou a criar oportunidades, preparar seus ambientes, capacitar suas equipes e desenvolver programas de aprendizagem para acolher as pessoas com deficiência em todos os aspectos. Ao todo, 56 integram o quadro funcional da cooperativa, além de 19 participantes do programa de aprendizagem, totalizando 75 colaboradores diretamente envolvidos nas iniciativas de inclusão.
“A Copasul não apenas emprega pessoas com deficiência, mas também abre suas portas para que mais pessoas conheçam a coop, seus negócios, sua cultura e as diversas possibilidades de inserção no mercado de trabalho. Uma das ferramentas para isso é o projeto Portas Abertas, iniciado em 2023, que apresenta as possibilidades de trabalho na cooperativa a estudantes de instituições de educação especializada da região e seus familiares”, explica a gestora de Recursos Humanos da Copasul, Natielli Sayuri.
Segundo ela, para muitas famílias de pessoas com deficiência, conhecer o ambiente de trabalho e conversar com pessoas que já passaram por esse processo ajuda a diminuir inseguranças e a mudar perspectivas. Já para os estudantes, é uma oportunidade de começar a enxergar o trabalho como uma possibilidade concreta para o futuro. “Por isso, nosso objetivo não é apenas aumentar o número de contratações, mas criar trajetórias profissionais sustentáveis, nas quais a pessoa com deficiência possa crescer e construir carreira dentro da cooperativa”, afirma a gestora.
Outra iniciativa de inclusão da Copasul é o Programa Jovem Aprendiz PcD, em que os participantes recebem capacitação e desenvolvem segurança e autonomia em sua primeira experiência no mercado de trabalho. Atualmente, a Copasul tem 19 pessoas com deficiência como aprendizes. “O programa oferece formação, acompanhamento e experiência prática. Dessa forma, o jovem consegue descobrir suas habilidades, compreender melhor o mundo do trabalho e também ser reconhecido pela própria organização”, destaca Natielli.
De acordo com a gestora, a inclusão de pessoas com deficiência transforma o clima organizacional. Líderes e equipes passam a conviver com a diversidade, aprendem novas formas de comunicação e percebem que muitas limitações que imaginavam existir simplesmente não se confirmam quando são oferecidas as condições adequadas.
“Entendemos que não basta contratar uma pessoa com deficiência; é necessário preparar a organização para recebê-la e oferecer condições para que ela se desenvolva. A nossa compreensão é de que acessibilidade não se resume a uma adaptação física. Ela envolve comunicação, informação, tecnologia, processos, comportamento e, principalmente, atitude”, explica a gestora.
Fora dos muros da cooperativa, a Copasul também atua para gerar uma rede de inclusão. Uma das iniciativas capacita o comércio local para um atendimento mais acessível e acolhedor às pessoas com deficiência e neurodivergentes.
“Quando empresas e profissionais estão preparados para receber pessoas com deficiência, novas possibilidades de participação são criadas. A pessoa passa a circular com mais segurança, consumir, trabalhar e ocupar diferentes espaços da comunidade. A inclusão deixa de ser uma ação isolada e passa a gerar um efeito multiplicador, criando mais oportunidades, autonomia, conhecimento e uma comunidade cada vez mais preparada para reconhecer e valorizar a diversidade”, finalizou.
Cooperação pela inclusão
No Paraná, a Unimed Londrina também vem fazendo a diferença com o Projeto Unir, uma iniciativa voltada à inclusão profissional de pessoas com deficiência física, intelectual, auditiva e visual no quadro de colaboradores. O projeto nasceu em 2017, em parceria com instituições especializadas da cidade, e estruturou um processo seletivo diferenciado, que considera as características, habilidades e potencialidades de cada candidato.
A preparação também envolve as equipes que receberão os novos colaboradores. “Foram realizados cursos, orientações e ações de sensibilização para que os profissionais e as lideranças estivessem preparados para acolher e trabalhar com os novos integrantes. Além disso, estabelecemos um acompanhamento mensal, envolvendo as áreas responsáveis e, quando necessário, as instituições parceiras e os familiares”, explica Fabianne Piojetti, gerente de Sustentabilidade da Unimed Londrina.
Após a seleção, os candidatos passam por um período de adaptação para conhecer o ambiente, as atividades e a rotina da cooperativa. Já contratados, recebem acompanhamento no dia a dia e desempenham funções compatíveis com seu perfil, com suporte das equipes.
“O objetivo é favorecer o aprendizado, o desenvolvimento da autonomia, a convivência e a plena integração ao ambiente de trabalho. Ao longo desses anos, o Projeto Unir já proporcionou oportunidades e contribuiu para o desenvolvimento de diversos profissionais, sendo que alguns participaram de processos de recrutamento interno e passaram a atuar em outras áreas e gestões”, conta a gestora.
Em todo o território nacional, com suas 336 cooperativas, a Unimed do Brasil promove diversas ações de conscientização e sensibilização para a inclusão de pessoas com deficiência. Os dados mostram que, entre estes profissionais, a trajetória média na organização é de 4 anos e 39% construíram sua evolução profissional dentro do sistema cooperativista.
“O cooperativismo faz diferença nesse processo porque é um modelo baseado em solidariedade, igualdade e vínculo com a comunidade, o que nos permite enxergar a pessoa com deficiência como agente econômico e intelectual ativo, que contribui para as organizações e para a sociedade ao ampliar a diversidade de experiências, perspectivas e conhecimentos”, destaca Omar Abujamra, presidente da Unimed do Brasil.
Entre as iniciativas nacionais estão a campanha "Eu Ajudo na Lata", que reúne diversas Unimeds na arrecadação de lacres de latinhas de alumínio para reverter o valor na compra de cadeiras de rodas, e o Projeto ExtensIA, da Faculdade Unimed, que desenvolveu um sistema multiagente de inteligência artificial para garantir que uma professora com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) continuasse lecionando com plena autonomia.
Em outra iniciativa inspiradora de inclusão, a Unimed Catanduva (SP) garantiu que pais surdos vivenciassem plenamente o nascimento da filha, com a participação de uma intérprete de Libras no parto.
“Todos têm os mesmos direitos e deveres, e cabe a toda a sociedade garantir que a deficiência não seja uma barreira para exercê-los. Isso significa ir além do cumprimento da Lei de Cotas e criar condições de participação, com acessibilidade, oportunidades e respeito às singularidades, a fim de garantir que elas possam assumir desafios, desenvolver suas competências e construir sua trajetória profissional dentro das cooperativas”, destaca Abujamra.
Fábrica da Inclusão
Em Cariacica/ES, a Fábrica da Inclusão e Loja Social emprega pessoas com deficiência, contribuindo para o fortalecimento de competências técnicas, sociais e comportamentais. O espaço foi erguido com recursos do Fundo Social da Sicredi Serrana, em parceria com a Associação Cariacica Down.
Inaugurada em agosto, a Fábrica reúne 26 participantes, que conseguem vivenciar na prática o atendimento ao público, organização, comunicação, comercialização, relacionamento interpessoal e trabalho em equipe. O objetivo é estimular a inclusão social e a autonomia de pessoas com deficiência, aproximando os participantes do cotidiano profissional e ampliando as possibilidades de inserção no mercado de trabalho.
Inclusão na lei e na prática
As iniciativas do cooperativismo dialogam com a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência, que garante direitos e promove a cidadania.
Principal marco legal do país para a proteção dos direitos de milhões de brasileiros com deficiência, a lei entrou em vigor em 2016 para combater o preconceito e garantir acessibilidade, autonomia, igualdade de oportunidades, eliminação de barreiras e inclusão no mundo do trabalho.
Em 10 anos de implementação, a LBI tem contribuído para uma mudança cultural na forma como a deficiência e as pessoas com deficiência são compreendidas na sociedade brasileira. A deficiência deixa de ser vista apenas como uma questão de saúde individual e passa a ser entendida também como resultado da interação entre as pessoas e o ambiente em que vivem.
Saiba mais: acesse o Guia de Implantação de Estratégias em Inclusão, Diversidade e Equidade e veja como o cooperativismo promove essa agenda. O guia é um material digital acessível a pessoas com deficiência visual e baixa visão, que pode ser utilizado em plataformas de leitura de tela como o NVDA (NonVisual Desktop Access). A publicação foi elaborada com alto contraste de cores, linguagem inclusiva e autodescrição das imagens (fotos).
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11/09/2026
Como as cooperativas atendem às demandas dos consumidores conscientes
O que os consumidores conscientes querem? Estudos de mercado e tendências mostram que a decisão de compra está cada vez mais ligada a critérios sustentáveis, engajamento com causas sociais e valorização da produção justa. De acordo com o Top Global Consumer Trends 2026, relatório da Euromonitor, 51% dos consumidores acreditam que podem fazer a diferença no mundo por meio de suas escolhas e ações. Nesse cenário, em que as compras deixam de atender apenas a necessidades funcionais e passam a refletir valores, identidade e aspirações, as cooperativas oferecem opções concretas para escolhas conscientes.
“O cooperativismo é um modelo que coloca as pessoas em primeiro lugar. Além de gerar trabalho e renda para quem está diretamente envolvido no negócio, as cooperativas promovem impacto social em suas comunidades e atuam com propósito. Por isso, seus produtos e serviços são ideais para quem busca consumir de forma mais consciente e responsável”, afirma a superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta.
Conheça 3 exemplos de cooperativas brasileiras com produtos e serviços que atendem às demandas dos consumidores conscientes:
Sustentabilidade
No Amazonas, a Cooperativa de Transporte de Turismo Solinegro oferece passeios e pacotes de turismo para conhecer as belezas da Região Amazônica desde 2012. Os roteiros combinam lazer, conhecimento e sustentabilidade e são conduzidos por 24 cooperados.
Entre as experiências oferecidas pela coop estão o Encontro das Águas, nado com botos e visita a aldeias indígenas, proporcionando aos turistas contato direto com a natureza, os animais e a cultura local com respeito às pessoas e ao meio ambiente.
O presidente da cooperativa, Carlos Coelho, destaca o papel do turismo sustentável para divulgar e valorizar a cultura amazônica, além de fortalecer a economia da região. “Nossa coop contribui para a geração de oportunidades de trabalho e renda, beneficiando diretamente os cooperados e demais profissionais envolvidos na cadeia do turismo”, afirmou.
Os passeios da Solinegro também promovem a educação ambiental e não deixam marcas na floresta e nos rios. “Nossas embarcações são equipadas com lixeiras para o correto armazenamento e descarte dos resíduos produzidos durante as visitas, contribuindo para a preservação ambiental e a conscientização dos visitantes sobre a importância da conservação da Amazônia”, ressalta o gestor.
Desenvolvimento local
No agreste alagoano, a Cooperativa de Produtores de Leite e Derivados de Major Izidoro e Região (Coopdelmi) há 20 anos contribui para a geração de empregos e fortalecimento da economia na região, com a comercialização de queijos, manteiga, bebidas lácteas, requeijão cremoso e doce de leite dos cooperados em 15 cidades do estado, inclusive na capital, Maceió.
O impacto vai além da garantia de renda para os 200 produtores cooperados e tem efeitos positivos para o comércio local e outras atividades econômicas, em um ciclo virtuoso de prosperidade.“O dinheiro gira na cidade e não para fora, pois ao invés de comprar de fornecedores de outras regiões, os produtores compram e vendem entre si, o dinheiro circula dentro do município, gera mais movimento no comércio, paga salários locais e impulsiona todo o mercado”, explica o diretor presidente da Coopdelmi, Claudivaldo Bezerra.
Com estabilidade no campo, os produtores e suas famílias – principalmente os jovens – não precisam mais deixar a região em busca de oportunidades em outros estados, o que, segundo Bezerra, também fortalece a cultura e a identidade regional. “Nosso trabalho é uma garantia de que a riqueza produzida aqui permaneça aqui. Ao fortalecer a cadeia produtiva do leite, a cooperativa cumpre um papel transformador: desenvolve a cidade, dignifica as famílias e constrói um futuro próspero para toda a região. É um crescimento com raízes, com gente daqui, para o futuro da nossa terra”, destaca.
Trabalho justo
No Acre, a Cooperativa de Trabalho Tropical Parquet (Cooperparquet) atua há 16 anos na inclusão de trabalhadores no mercado. Com quase 200 cooperados, a organização presta serviços de apoio administrativo e operacional, interpretação de Libras e gestão de contratos.
A cooperativa também reúne trabalhadores que encontram mais dificuldades para acessar oportunidades de emprego, como pessoas com mais de 40 anos, egressos do sistema prisional, profissionais em processo de requalificação e jovens em busca do primeiro emprego. Por meio da cooperativa, eles têm acesso a trabalho, renda e formação profissional.
Ser associado à Cooperparquet também significa participar da gestão da organização. As decisões são tomadas em assembleias, as lideranças são avaliadas pelos cooperados e os cooperados têm direito à participação nos resultados. Ao promover trabalho, renda e inclusão, a cooperativa se destaca entre consumidores que priorizam instituições comprometidas com justiça, equidade e inclusão.
Escolha o Coop
De acordo com o estudo Sustainability Sector Index (SSI), da Kantar, 87% dos brasileiros querem fazer escolhas mais sustentáveis, mas apenas 35% deles estão mudando ativamente seu comportamento. Entre os obstáculos para o consumo consciente na prática, os entrevistados citam a falta de informações sobre o tema na hora da compra. No cooperativismo, essa comunicação é feita de forma clara, com o carimbo SomosCoop, marca que identifica produtos e serviços de cooperativas.
O carimbo SomosCoop está em embalagens de produtos como café, lácteos, carnes, frutas, vinhos, sucos e também nas agências das cooperativas de crédito, nas carteirinhas das coops de saúde e até nas ruas e estradas do país, em carros e caminhões de cooperativas de transporte.
Para quem quer encontrar vários produtos coop sem sair de casa, o MarketCoop (e-commerce do cooperativismo brasileiro) oferece uma seleção 100% cooperativista. A plataforma reúne mais de 200 produtos, como alimentos, bebidas, cafés especiais, roupas, acessórios, peças de artesanato, ração para pets e outras opções. Saiba mais sobre o marketplace cooperativista.
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01/09/2026
Clóvis de Barros Filho vê cooperativismo como caminho para o bem coletivo
O filósofo Clóvis de Barros Filho é um admirador do cooperativismo e afirma que esse modelo é o que mais se aproxima do ideal de uma sociedade ética, justa e solidária. “A ideia do cooperativismo é o resgate de uma virtude de convivência que foi progressivamente solapada pelos interesses dos que ganham com a individualização da vida”, afirma.
Professor, escritor e palestrante, Barros é conhecido por traduzir conceitos complexos de filosofia e ética de forma acessível. Em seu livro Xá-Ku-Nóis: sobre cooperação, confiança e mudança, escrito em parceria com o consultor de cooperativas Geraldo Trindade, ele mostra como o cooperativismo pode contribuir para melhorar a vida das pessoas e comunidades por meio da ação conjunta, soma de esforços, mudança de atitudes e parceria.
Em entrevista ao SomosCoop durante a Semana de Competitividade – evento de capacitação das cooperativas brasileiras –, Barros falou sobre a capacidade do cooperativismo de transformar interesses individuais em objetivos comuns e o papel das cooperativas para o desenvolvimento e bem-estar coletivo.
SomosCoop: O senhor já escreveu um livro sobre cooperativismo, o Xá-ku-nóis. Por que esse modelo de negócio despertou sua atenção? O que te encanta nele?
Clóvis de Barros Filho: A própria ideia da cooperação é muito fascinante, em especial, em tempos de individualismo exacerbado, em que somos levados a acreditar numa certa incapacidade do humano em considerar o outro. Há uma orquestração para nos fazer acreditar que quando tratamos de humanos é cada um por si. E talvez isso seja do interesse daqueles que pretendem exercer algum tipo de poder enfraquecendo os processos de mobilização coletiva. Então, a própria ideia da cooperação, de que podemos colocar o coletivo acima das veleidades individuais, colocar a convivência acima da felicidade singular, tudo isso é fascinante, em especial porque o cooperativismo é o modo de organização sócio-profissional que mais se alinha ao entendimento contemporâneo de ética. Então, como professor de ética, sou particularmente encantado por esse modelo.
Como essa construção de uma cultura da cooperação está inserida na história da humanidade?
Os gregos entendiam que a nossa humanidade não se produz no singular. Ela se constrói na relação com os outros, no coletivo, como eles diziam, na pólis, na cidade. E também entendiam que a cidade justa é uma cidade onde cada um tem seu papel, em função da sua natureza. Com isso fica claro que viver numa cidade justa seria condição de uma vida feliz. Então, há um uma preocupação com a justiça da vida no coletivo como condição da felicidade individual.
Essa valorização do coletivo mudou ao longo da história?
Isso, em grande medida, foi sendo substituído por um discurso de felicidade estritamente ensimesmado, voltado para si mesmo, como se a presença dos demais do mundo não fosse uma variável relevante na equação da vida boa. E naturalmente, isso não combina com o que achavam os gregos. Então, a própria ideia do cooperativismo é um um resgate de uma virtude de convivência que foi progressivamente solapada pelos interesses daqueles que ganham com esta individualização da vida.
Como o cooperativismo se alinha aos seus estudos de ética?
Bem, a ética é um campo do conhecimento que tem algumas algumas premissas, e uma das mais fundamentais é a primazia da harmonia do coletivo sobre interesses individuais que possam comprometê-la. E o modelo cooperativista facilita esse entendimento, porque deixa claro que o valor da ação individual só se materializa quando inserido em um contexto onde outros agem também. E essa horizontalidade facilita muito o entendimento de que a reflexão sobre o jeito justo de conviver depende da participação de todos. A ética cuida da convivência entre todos.
Como isso se dá na prática no cooperativismo?
Num modelo convencional de organização profissional, mais vertical, é muito comum ouvirmos coisas do tipo: 'vamos fazer um seminário de ética para nível gerencial e de diretoria, etc'. Ora, isso é um contrassenso, porque justamente quando se fala em ética, é preciso borrar as hierarquias funcionais. Porque se você mantiver a estrutura de poder interno também nas questões éticas, fica evidente que os que estão em cima não vão se dar ao trabalho de respeitar nada quando o respeito à ética lhes for desconfortável. Quando falamos em ética, desaparece a hierarquia. A ética cuida de todos no mesmo pé de igualdade. O respeito ao coletivo é da parte de todos. E o modelo cooperativista está mais próximo disso do que qualquer outro.
Saiba mais: conheça 5 livros que ajudam a fortalecer a cultura da cooperação
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28/08/2026
Dia C: quando cooperar também é cuidar da comunidade
O que acontece quando milhares de pessoas decidem cooperar para fazer a diferença onde vivem? No dia 29 de agosto, a resposta vai estar espalhada por todo o Brasil. É o Dia de Cooperar, ou Dia C, como é carinhosamente chamado, uma mobilização que reúne cooperativas, voluntários e parceiros em ações voltadas para as comunidades.
A programação mostra que solidariedade pode ter muitos formatos: pode ser uma consulta médica, uma doação de sangue, uma cesta básica, uma corrida, uma peça de teatro, uma oficina para crianças ou até uma muda plantada. E tudo isso tem relação com um dos princípios do cooperativismo: o interesse pela comunidade. Na prática, significa olhar para o local onde a cooperativa está inserida e entender como pode contribuir para torná-lo melhor.
Saúde para cuidar de quem precisa
Em vários estados, o Dia C será uma oportunidade para acessar serviços gratuitos e receber orientações importantes. Em Alagoas, por exemplo, 15 cooperativas estarão reunidas no estacionamento do Maceió Shopping com uma programação que vai de vacinação e primeiros socorros a saúde bucal, educação financeira, oficinas e atividades para crianças. Também haverá ações de bem-estar, cultura, beleza e sustentabilidade.
Em Goiás, a lista inclui consultas cardiológicas, eletrocardiogramas, aferição de pressão, testes de glicemia e avaliações nutricionais e de enfermagem. Quem participar também encontrará ações de doação de sangue, cadastro de doadores de medula óssea, distribuição de alimentos e materiais de higiene, além de atividades sobre reciclagem e educação financeira.
Ceará e Sergipe entram nessa corrente com serviços de saúde, vacinação, orientações e atividades de prevenção. No Sergipe, a programação ainda abre espaço para educação financeira e fiscal, ações ambientais, troca de lâmpadas, distribuição de mudas e atrações culturais.
No Distrito Federal, o público terá acesso a atendimentos de saúde e educação financeira, além de atividades de recreação, reciclagem e energia renovável. Já no Rio de Janeiro, a mobilização reúne serviços, atividades infantis e uma campanha de arrecadação de alimentos, brinquedos e livros.
Em Roraima, cooperativas vão arrecadar e entregar donativos para famílias venezuelanas atingidas pelos terremotos registrados em 2026. No Paraná, uma campanha estadual de doação de sangue mobiliza cooperativas, os comitês de mulheres e jovens, Elas pelo Coop e Geração C, e parceiros da área da saúde.
Tem corrida, pedal e caminhada. E tudo por uma boa causa
Quem disse que solidariedade não pode colocar todo mundo em movimento? No Maranhão, a Corrida da Cooperação terá inscrições vinculadas à doação de cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade. No Pará, corridas da cooperação em diferentes municípios vão dividir espaço com pedal solidário, ações de bem-estar e mobilizações para arrecadar alimentos e recursos destinados a projetos sociais.
Na Paraíba, um pedal solidário em Patos deve reunir cerca de 800 participantes. Em Pernambuco, caminhada cooperativista, atividades físicas e doações de alimentos para escolas entram na programação. E o Espírito Santo combina corrida e voluntariado em ações que aproximam diferentes cooperativas e a comunidade.
Cultura, diversão e cooperação para todas as idades
O Dia C também é espaço para aprender, brincar e viver novas experiências. No Mato Grosso, o espetáculo teatral Terra de Muitas Mãos celebra os 50 anos do cooperativismo no estado com teatro, música e participação de diferentes cooperativas. A apresentação integra o projeto Dia C na Linha do Coop.
Já no Mato Grosso do Sul, as crianças terão programação especial, com atividades recreativas, cinema e até um mercadinho para aprender mais sobre educação financeira. Também haverá ações de educação cooperativista, a pescaria Pesque e Plante, com distribuição de mudas, e serviços como corte de cabelo.
Minas Gerais preparou uma agenda que começa antes do grande dia, com workshops, lançamento de campanha e webinar sobre voluntariado. Depois, a Praça da Assembleia, em Belo Horizonte, recebe uma grande celebração com música, oficinas e atividades infantis. O estado mantém iniciativas permanentes de voluntariado e economia circular, incluindo o reaproveitamento e a doação de uniformes.
No Rio Grande do Sul, a Casa do Cooperativismo, durante a Expointer, será um dos pontos de encontro da mobilização. A programação reúne saúde, bem-estar, educação financeira, economia doméstica e atividades sobre separação de resíduos. Teatro e interação com mascotes também fazem parte da festa, que será acompanhada de perto pelo videocast Fala, Coop!
Força do coletivo
No fim das contas, essa é a ideia do Dia C: mostrar que cooperar é mais que uma reunião, a uma organização ou a um grupo de pessoas. Cooperação também acontece quando alguém oferece seu tempo, compartilha conhecimento, cuida de outra pessoa ou se junta a muita gente para resolver um problema comum.
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26/08/2026
Dia da Igualdade Feminina: conheça 5 mulheres líderes do coop
Ter mais mulheres em cargos de gestão é vantajoso para as instituições, segundo pesquisa da consultoria Bain & Company. De acordo com o levantamento, organizações com mulheres na liderança geram até 15% a mais de resultados, com ganhos de inovação, engajamento interno, capacidade de retenção de talentos e desempenho financeiro. No cooperativismo, modelo de negócios que valoriza as pessoas, a diversidade de gênero também fortalece a governança e a capacidade das cooperativas de gerar impacto positivo nas comunidades em que estão inseridas.
De acordo com o AnuárioCoop 2026, as mulheres são 20,3% dos dirigentes de cooperativas brasileiras, um percentual que ainda aponta desafios, mas que têm evoluído de forma contínua desde 2020. Em alguns setores de atuação do cooperativismo, como o ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços, elas já representam 47,6% das lideranças.
No Dia Internacional da Igualdade Feminina, celebrado em 26 de agosto, conheça cinco mulheres que estão transformando o cooperativismo em um movimento mais representativo e diverso:
Tania Zanella
A presidente executiva do Sistema OCB – entidade de representação das cooperativas brasileiras – é a primeira mulher a ocupar este cargo. Em uma trajetória marcada pelo pioneirismo, também havia sido a primeira superintendente, gerente-geral e gerente de Relações Institucionais da organização. “Promover a liderança feminina não é apenas justiça social, mas uma estratégia de futuro para o cooperativismo”, afirma.
Natural de Santa Catarina, Tania é advogada e tem ampla experiência em representação institucional. Listada pela revista Forbes como uma das 16 mulheres mais poderosas do Brasil, ela também preside o Instituto Pensar Agropecuário (IPA). Reconhecida por sua capacidade de gestão e articulação, Tania destaca a importância de abrir portas para que mais mulheres conquistem espaços de decisão no cooperativismo. “Não é apenas sobre a minha trajetória, é sobre o que ela simboliza. Quando uma mulher chega a um espaço de liderança, ela amplia o horizonte de possibilidades para muitas outras. A representatividade importa porque transforma expectativas e expectativas transformam realidades”.
Heloísa Helena Lopes
A vice-presidente da cooperativa de crédito Sicredi Pioneira foi a primeira brasileira a receber o reconhecimento internacional da Global Women 's Leadership Network (GWLN), iniciativa promovida pelo Conselho Mundial de Cooperativas de Crédito (WOCCU). A líder cooperativista conta que se inspirou na força e coragem da mãe para conquistar espaços e posições ao longo de sua trajetória e que é preciso apoiar mais mulheres a fazer o mesmo, com capacitação e suporte.“Também é importante criar espaços onde mulheres possam trocar experiências com as outras, as cooperativas podem promover essa formação conjunta, esse espaço de desenvolvimento das mulheres”, sugere.
Segundo Heloisa, a presença feminina na gestão se reflete nos resultados concretos, gerando negócios mais sustentáveis, guiados pela empatia e colaboração, valores que fortalecem a cultura cooperativista. “As mulheres têm uma visão de longo prazo, uma governança equilibrada, que são elementos essenciais para que a gente possa cada vez mais desenvolver as nossas cooperativas. Quando a gente fala em decisões complexas e diversas, sabemos que as mulheres trazem múltiplas perspectivas”.
Tionilia Cristina de Souza Gomes
Primeira mulher a integrar o Conselho de Administração da Cooperativa de Transportes Autônomos de Carga (Coopmetro), Tionilia começou no cooperativismo em 2009, acompanhando o marido em um caminhão de transporte de leite pelas rodovias de Minas Gerais. De lá para cá, se capacitou, conquistou espaço na liderança e tem trabalho para que mais mulheres também alcancem cargos de gestão.
De 20 cooperadas mulheres em 2018, hoje a Coopmetro tem 600, um crescimento que orgulha Tionilia e a inspira a seguir atuando para fortalecer a participação feminina. Para esse avanço, segundo ela, é fundamental investir na educação e formação das mulheres que vão se tornar líderes dentro das suas cooperativas. “Temos que mostrar quem somos com resultados. Porque contra fatos não há argumentos. Se uma mulher mostra a capacidade e competência, isso é inquestionável na sua trajetória profissional”.
Rosa Maria dos Santos de Souza
“Quais portas podemos abrir dentro das cooperativas para as mulheres?” Essa reflexão tem guiado a trajetória da diretora da Cooperativa dos Cuidadores de Idosos e Doentes Dependentes (Coopidade), Rosa Maria dos Santos de Souza, há mais de 20 anos. Fundada em 1999, a Coopidade começou com 20 cooperados, em uma época de consolidação da profissão de cuidador de idosos, e hoje reúne 250 associados.
Além de cargos de liderança em sua própria cooperativa, Rosa Maria atua pela inclusão de mais mulheres no cooperativismo do Rio de Janeiro, estimulando a formação de comitês de gênero e a formação de novas líderes. “Para garantir mais mulheres dentro do cooperativismo, os comitês são muito importantes, porque é onde a gente se sente com mais energia. São espaços fundamentais, onde elas têm seu trabalho valorizado e levam essa motivação para dentro das suas cooperativas”.
Valdirene dos Santos Oliveira
A presidente da Ser do Sertão, da Bahia, se orgulha de liderar uma cooperativa fundada por mulheres e que, desde o começo, valoriza a participação feminina nos espaços de decisão. “Criamos uma estrutura e mecanismos para garantir a paridade de gênero tanto no Conselho Fiscal como no Conselho de Administração, está no estatuto”, explica Valdirene.
Segundo ela, liderar uma cooperativa agropecuária – setor em que os homens são maioria entre os gestores – é uma quebra de paradigma e uma missão que vem acompanhada da responsabilidade de abrir caminho para outras mulheres. “A presença feminina transforma tanto o ambiente de trabalho como o resultado dentro da equipe. Nós defendemos que a mulher tenha seu espaço e condições para gerar esse impacto”, afirma. O caminho para isso, de acordo com Valdirene, é a capacitação. “Não basta só dizer que a mulher tem que estar à frente da cooperativa, a gente tem que se mover para isso. As cooperativas que têm mulheres à frente se tornaram um negócios mais preparados para o mercado”.
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25/08/2026
Jovens e o coop: por que as novas gerações escolhem cooperar
O que os jovens querem? Inclusão, sustentabilidade e participação estão entre as aspirações mais comuns das novas gerações, que também buscam cooperação, ação efetiva contra a crise climática e consumo com propósito. O diagnóstico é da Organização das Nações Unidas (ONU), que elegeu o tema “Contextos diferentes, aspirações comuns” para o Dia Internacional da Juventude 2026, celebrado em 12 de agosto.
A escolha mostra que a sociedade reconhece que os desafios e oportunidades enfrentados pelos jovens de hoje são semelhantes em várias partes do mundo. E as soluções também podem ser: o cooperativismo é um dos caminhos da juventude para construir relações mais solidárias e contribuir para um desenvolvimento sustentável.
“Os jovens estão em busca de organizações que demonstrem coerência entre discurso e prática e que sejam capazes de gerar impacto positivo real. E as cooperativas têm justamente na sua essência princípios e valores como colaboração, participação democrática e compromisso com o desenvolvimento das pessoas e das comunidades”, afirma Tania Zanella, presidente executiva do Sistema OCB, entidade que representa as cooperativas brasileiras.
Em todo o mundo, 3 milhões de cooperativas trabalham com propósito e sustentabilidade, atributos muito valorizados pela Geração Z – pessoas nascidas entre 1997 e 2012. Segundo pesquisa da Archrival, na hora de escolher um produto, 54% dos jovens buscam marcas que os fazem sentir parte de uma comunidade. E 84% são mais propensos a comprar de organizações que consideram “legais”, ou seja, alinhadas a valores que consideram importantes, como consumo consciente e sustentabilidade ambiental e climática.
Nas cooperativas, a juventude encontra esses e outros diferenciais, seja para consumir produtos, organizar a vida financeira ou ingressar. O movimento cooperativista está atento a essa transformação e desenvolve estratégias para atrair, envolver e fidelizar as novas gerações. Conheça alguns exemplos:
Conexão coop
No Centro-Oeste do país, um programa criado em 2020 pela Cooperativa de Crédito e Investimento com Interação Solidária de Goiás (Cresol Goiás) já apresentou o cooperativismo a mais de 2 mil jovens. No Juventude Conectada, eles aprendem sobre os princípios e valores das cooperativas, educação financeira, empreendedorismo e protagonismo para atuar como agentes de transformação em suas comunidades.
Com atividades 100% on-line e encontros ao vivo semanais, o programa propõe desafios práticos aos jovens, valoriza a inteligência coletiva, a integração entre participantes de diferentes regiões e interesses e combina conteúdo teórico com atividades autônomas acompanhadas por facilitadores. Ao todo, são 110 horas de formação.
“Um dos grandes diferenciais é a gamificação, estratégia que torna a jornada de aprendizagem mais dinâmica, participativa e atrativa, estimulando o engajamento, a colaboração e a interação entre os participantes. Mais do que capacitar, o programa busca gerar transformação. Um dos seus principais impactos é aproximar as novas gerações do modelo cooperativista, fortalecendo o sentimento de pertencimento e criando novas possibilidades de participação no movimento”, explica a analista de Relacionamento da cooperativa, Dênia Stein
A semente coop plantada entre os jovens já tem dado frutos. Segundo Dênia, mais da metade dos participantes do programa se tornaram cooperados. “Esse indicador evidencia a capacidade do Juventude Conectada de ir além da disseminação de conhecimentos, promovendo uma aproximação efetiva e duradoura das novas gerações com o cooperativismo e fortalecendo seu protagonismo na construção do futuro do movimento cooperativista”.
Dos 9,4 mil cooperados da Cresol Goiás, 1,4 mil têm entre 18 e 30 anos, cerca de 15%, percentual que a cooperativa de crédito pretende ampliar. “Engajar os jovens no movimento cooperativista é uma estratégia fundamental para garantir a continuidade, a renovação e a sustentabilidade do cooperativismo. A juventude representa não apenas o futuro do movimento, mas também uma força de transformação no presente, trazendo novas perspectivas, conhecimentos, comportamentos e formas de se relacionar com a sociedade”, afirma a analista.
Presente e futuro
“Os jovens trazem energia, tecnologia e uma nova visão de negócio. Engajá-los é assegurar que os princípios do coop continuem vivos nas próximas gerações”. É com esse entusiasmo pelo tema que o diretor presidente da Coplacana, Marcos Farhat, fala sobre o Núcleo Jovem implementado há cinco anos pela maior cooperativa de cana do Brasil, que atualmente reúne mais de 14 mil cooperados nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná.
O programa é aberto a filhos, netos e sobrinhos de cooperados, com idade entre 16 e 35 anos. O foco são as gerações Y e Z que vão assumir as propriedades e, futuramente, a liderança da cooperativa. Desde 2021, o Núcleo Jovem já capacitou mais de 150 participantes, aproximando gerações, estimulando a sucessão familiar e formando novos líderes.
Segundo Farhat, ao longo dos anos, a Coplacana viu jovens evoluindo em capacidade de gestão e servindo de exemplo para a formação de núcleos jovens em outras cooperativas. Além de criar como um canal direto entre a cooperativa e a juventude rural, o projeto quebra o tabu da sucessão familiar, capacita jovens lideranças que estão assumindo cargos de diretoria em associações e comissões e promove conexão direta com o tema inovação, por meio de projetos ligados a startups e tecnologia no campo.
O benefício é duplo: do lado da cooperativa, o quadro de associados é renovado e são formados futuros líderes; já na sucessão familiar, a iniciativa aproxima pais e filhos, profissionalizando a gestão da propriedade e reduzindo conflitos na hora da passagem de bastão. “Se o jovem de hoje não for estimulado a continuar o negócio dos pais e das instituições, o risco é muito grande. É preciso garantir a perenidade do cooperativismo e dos próprios cooperados. Sem jovem não tem futuro”, afirma Farhat.
O formato da capacitação atende a vários perfis de jovens: o núcleo tem encontros presenciais e on-line, visitas técnicas, missões, workshops e mentorias. “O jovem é protagonista: ele sugere temas, tira dúvidas e traz os dilemas da propriedade”, explica o diretor.
O Núcleo Jovem também promove rodas de conversa, palestras com especialistas, cases de sucesso, visitas a propriedades modelo e empresas parceiras. Os conteúdos trabalhados nas atividades envolvem temas importantes como gestão rural, governança corporativa, sucessão, finanças, marketing, ESG, inovação, cooperativismo, comunicação e liderança.
Segundo ele, a iniciativa da coop voltada para a juventude impacta diretamente não só a Coplacana, mas o agronegócio no Brasil. “É grande a chance dos jovens capacitados voltarem para as propriedades, carregando inovação e tecnologia, e aplicando seus conhecimentos. Dentro da cooperativa, estamos formando um banco de talentos para o futuro conselho, comissões e até diretoria. É o jovem que vai tocar a Coplacana daqui a 10 ou 20 anos. No agro como um todo, isso significa mais competitividade, mais jovens no campo e menos êxodo rural. É investir em gente para garantir comida e renda no futuro”, destaca o diretor presidente da Coplacana.
Trabalho em conjunto
Engajar jovens no cooperativismo e preparar novas lideranças é uma tarefa tão importante para o movimento cooperativista brasileiro que o Sistema OCB criou um grupo de jovens para reforçar essa missão: o Comitê Geração C.
Formado por 17 integrantes de todas as regiões do país, o colegiado promove o cooperativismo entre jovens de 18 a 35 anos com base em pilares como representação institucional, formação, capacitação e intercooperação. Umas das ferramentas é o apoio à criação de comitês e núcleos jovens em cooperativas, que conta com um Manual escrito pelos próprios integrantes.
Outra conquista do comitê é a crescente representação institucional em eventos de jovens, compartilhando boas práticas que as cooperativas estão executando, além do Instagram oficial do comitê Geração C, que tem sido uma importante ferramenta para o compartilhamento das ações desenvolvidas em todo o Brasil.
Para a coordenadora do Comitê Geração C, Larissa Zambiasi, do Rio Grande do Sul, o engajamento das novas gerações é essencial para formar as futuras lideranças do movimento cooperativista. “Nesse espaço aprendemos a valorizar a trajetória e a história das cooperativas e dos líderes atuais, sem perder de vista os sete princípios do cooperativismo, reunindo conhecimento e contribuindo nas nossas cooperativas”.
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