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19/06/2026
Conheça 5 livros que ajudam a fortalecer a cultura da cooperação
A literatura é um caminho inspirador para aprender, se aprofundar sobre um assunto ou viajar para outros mundos por meio das palavras. Os livros também podem ser a porta de entrada para novas ideias, perspectivas e formas de enxergar a vida em sociedade. A cooperação é um desses temas e aparece em obras que mostram como grandes transformações costumam nascer da capacidade de pessoas se unirem em torno de objetivos comuns.
“A cooperação, a ajuda mútua e a organização comunitária estão entre as práticas que moldaram a vida em sociedade ao longo da história. Conhecer esses conceitos ajuda a compreender as raízes do cooperativismo e a força de um modelo que hoje impacta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, entre elas 25,8 milhões de brasileiros”, destaca a gerente geral do Sistema OCB, Clara Maffia.
Conheça 5 livros sobre cooperação:
O futuro é coop
A futurista Martha Gabriel – referência em consumo digital, novas tecnologias, tendências e inovação – apresenta a cooperação como um dos caminhos para uma sociedade mais justa, equitativa e sustentável. No livro, lançado em 2024, a pesquisadora mostra porque o cooperativismo é uma resposta para os desafios sociais, econômicos e ambientais do século XXI. Segundo ela, o modelo de negócios coop é capaz de promover inclusão, diversidade e renda, tudo isso levando em conta princípios como sustentabilidade e ética.
“O cooperativismo demonstra uma capacidade notável de inovar e adaptar-se às necessidades e demandas contemporâneas. Por meio de uma combinação de colaboração, democracia, compromisso inabalável com o bem-estar comunitário e sustentabilidade ambiental, as cooperativas não apenas sobrevivem, mas prosperam, oferecendo um modelo poderoso para o futuro da inovação econômica e social”, afirma a autora.
O livro O futuro é coop está disponível gratuitamente no site do Sistema OCB, entidade de representação das cooperativas brasileiras.
Xá-Ku-Nóis: sobre cooperação, confiança e mudança
Publicado em 2022, este livro do filósofo, escritor e professor Clóvis de Barros Filho, em parceria com o consultor de cooperativas Geraldo Trindade, traz reflexões práticas sobre trabalho coletivo, ética e propósito. Com linguagem acessível, a obra mostra a importância da soma de esforços e da confiança para uma mudança de perspectiva sobre o verdadeiro sentido de cooperar.
“Quando podemos dizer que uma cooperativa é bem-sucedida? Quando ela se transforma em um espaço onde as pessoas se sentem mais potentes e alegres. As iniciativas cooperativistas têm esse papel de trazer felicidade às pessoas”, destaca Barros.
Em entrevista ao SomosCoop, Geraldo Trindade afirmou sobre a obra: “O cooperativismo precisa ser mais divulgado, visto e entendido como uma ferramenta para melhorar a vida das pessoas, para melhorar as comunidades, enfim, para melhorar o mundo”.
A evolução da cooperação
Escrito pelo cientista político americano Robert Axelrod em 1984, o livro explora a forma como a cooperação pode surgir num mundo de egoísmos. Para isso, o autor utiliza como base os torneios de computador, que ele usava em sala de aula como professor na Universidade de Michigan, a fim de comprovar que estratégias simples e cooperativas são mais eficazes a longo prazo.
Inteligente, criativo e muito elogiado pelos leitores, a obra sugere como as pessoas podem empregar os princípios de cooperação no dia a dia, com evidências científicas e linguagem acessível para o público em geral.
Pedagogia da cooperação
Uma coletânea sensível de textos de 27 autores sobre a cooperação. Com diversidade de pontos de vista, o livro explica como a cooperação cria ambientes de conexão e promove relacionamentos colaborativos para solucionar problemas, transformar conflitos, alcançar metas e realizar objetivos.
A publicação destaca a importância dos vínculos de confiança, estimula a inteligência coletiva e orienta processos mais humanos, promovendo a cultura da cooperação em organizações e a criação de soluções colaborativas para desafios reais. É recomendada para líderes e gestores que busquem alinhar propósito a resultados.
Holambra: a arte de cooperar
Escrito por Leo Rietjens em 2008, este livro reúne estratégias práticas para transformar relações em parcerias de sucesso. O autor traz a cooperação como um modo de progresso e desenvolvimento alcançado de forma coletiva.
Como exemplo, Rietjens relata sua experiência de vida com a cooperação. Nascido na Holanda, ele chegou ao Brasil em 1980 e se tornou cooperado da Cooperativa Agroindustrial Holambra, no interior de São Paulo. Ao longo de sua trajetória, integrou o quadro de gestores e liderou o processo de intensificação da cooperação em Holambra, que transformou a antiga colônia holandesa em um dos grandes exemplos de cooperação e prosperidade no Brasil.
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17/06/2026
Tem coop na receita! Produtos cooperativistas brilham no MasterChef
Episódio especial apresentou aos participantes e ao público os rostos e as histórias por trás dos ingredientes
Quem assistiu ao MasterChef Brasil nesta terça-feira (16) viu uma Caixa Misteriosa diferente. Em vez de trazer apenas ingredientes para um desafio culinário, a prova colocou em evidência quem está por trás de cada alimento: os produtores rurais cooperados.
A ação, realizada pela campanha SomosCoop, levou para a cozinha do programa produtos de cooperativas de várias regiões do Brasil. E não parou por aí. Os próprios cooperados foram convidados a participar da gravação e entregaram as caixas aos competidores.
Logo no início da prova, os chefs chamaram a atenção para a importância da origem dos ingredientes. Henrique Fogaça lembrou que técnica, criatividade e execução são fundamentais na cozinha, mas destacou que tudo começa na produção dos alimentos.
Já Helena Rizzo aproveitou a oportunidade para falar sobre a conexão entre gastronomia e agricultura ao destacar o papel das cooperativas no fortalecimento dos produtores rurais. “As cooperativas são negócios coletivos, onde produtores se unem para trabalhar juntos e fortalecer comunidades”, afirmou.
A chef também compartilhou uma reflexão baseada na própria trajetória. Segundo ela, conhecer quem produz os alimentos ajuda a compreender o valor que existe por trás de cada ingrediente. “Quando a gente conhece os pequenos produtores, entende o quanto existe de dedicação, carinho e amor nesse trabalho. E esse sistema de cooperativa valoriza essas pessoas que estão envolvidas com a terra”, disse.
Surpresa e emoção
Quando os cooperados entraram no estúdio carregando as caixas, o clima mudou. Entre aplausos, sorrisos e olhares curiosos, os participantes puderam conhecer quem produz parte dos alimentos que chegam diariamente às mesas dos brasileiros.
As reações foram imediatas. Alguns cozinheiros destacaram a fartura dos ingredientes. Outros comentaram as inúmeras possibilidades que encontraram ao abrir as caixas. Houve até quem se emocionasse ao lembrar das próprias origens familiares ligadas à produção rural.
As caixas reuniam uma verdadeira amostra da diversidade da produção cooperativista brasileira. Entre os produtos estavam o feijão da Coopernorte, do Pará; a manteiga da Compleite, de Goiás; o colorau da Unium, do Distrito Federal; o leite da CooperRita e o café da Cooxupé, de Minas Gerais; além de frutas, legumes, hortaliças, cogumelos e ervas produzidos pela Caisp, de São Paulo.
Também integraram a seleção carnes da Aurora Coop, de Santa Catarina; queijo colonial da Witmarsum, do Paraná; farinha de milho da Cotriel e farinha de mandioca da Cotriroso, do Rio Grande do Sul; além de cerveja da Cotripal, vinho da Nova Aliança e espumante da vinícola e vinhedos Santa Colina.
Além cozinhar, fazer boas escolhas
Durante o programa, uma mensagem ficou clara: a qualidade dos produtos é importante, mas saber de onde eles vêm também faz diferença. Foi justamente esse o recado deixado por Érick Jacquin ao comentar os ingredientes utilizados na prova. “Viu o carimbo SomosCoop? É simples, é de uma cooperativa. Queremos mais do que um bom prato. Vamos realizar boas escolhas”, afirmou o chef.
A fala resume um dos principais objetivos da ação: mostrar que, ao escolher um produto cooperativista, o consumidor também apoia milhares de famílias, fortalece comunidades e contribui para um modelo de negócio baseado na cooperação.
Histórias que continuam além da tela
A participação no MasterChef é apenas uma parte dessa jornada. A campanha SomosCoop também gravou uma série de conteúdos especiais para mostrar o que acontece antes dos alimentos chegarem aos supermercados, restaurantes e cozinhas de todo o país.
Os episódios apresentam o cotidiano dos produtores, os desafios enfrentados no campo, as conquistas alcançadas por meio da cooperação e o impacto positivo que as cooperativas geram nas comunidades onde atuam.
Porque por trás de cada grão, de cada fruta, de cada pedaço de queijo ou de cada xícara de café, existe muito mais do que um ingrediente. Existe uma história construída coletivamente.
Os episódios serão divulgados nas redes sociais do SomosCoop e o primeiro já está no ar. Confira:
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11/06/2026
Cooperativas de energia são campeãs de satisfação do consumidor
As cooperativas levam energia para 3,5 milhões de brasileiros, principalmente em regiões afastadas das grandes cidades, e com um diferencial que faz delas um destaque no setor: a qualidade. Das 20 melhores permissionárias de distribuição do país, 18 são cooperativas, segundo ranking elaborado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Essa relevância é destacada pelo diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa. “Cito como exemplo o belíssimo trabalho feito pelas cooperativas de distribuição de energia, que possuem taxas elevadíssimas de satisfação junto aos consumidores. Por que essas taxas não se repetem nas grandes empresas? Vale a pena verificar como é feito o atendimento nessas cooperativas e buscar a mesma qualidade em suas gestões”.
A base da avaliação é o Índice de Satisfação do Consumidor (Iasc), que mede a percepção dos consumidores sobre o fornecimento de energia elétrica e os serviços prestados. A nota leva em conta fatores como qualidade, confiabilidade, atendimento, valor percebido(custo-benefício) , facilidade de acesso à distribuidora e clareza das informações disponibilizadas.
Em 2025, mais de 29 mil pessoas de 600 municípios foram consultadas para a elaboração do índice. O resultado, revelado no fim de março, mostra que as cooperativas permissionárias de distribuição de energia elétrica consolidaram uma trajetória de bom desempenho iniciada em 2014, quando foram incluídas na avaliação:
As 7 primeiras posições são cooperativas.
Entre os 10 primeiros colocados, 9 são cooperativas.
Entre os 20 primeiros, 18 são cooperativas.
A maior nota do ranking (84,55) pertence a uma cooperativa.
Qualidade reconhecida
Com base nos dados do Iasc, a agência reguladora concede, todos os anos, o Prêmio Aneel de Satisfação do Consumidor, que destaca as distribuidoras mais bem avaliadas na percepção do consumidor. Este ano, o cooperativismo está representado pela Cooperativa de Distribuição de Energia Elétrica Santa Maria (Codesam), vencedora na categoria “Permissionárias até 10 mil unidades consumidoras”; e pela Cooperativa Elétrica de Cocal do Sul (Coopercocal), primeira colocada entre permissionárias com mais de 10 mil unidades consumidoras e no geral das permissionárias.
“São vários os fatores que levam os consumidores residenciais a avaliar bem cooperativas em comparação com as concessionárias, entre eles a melhor percepção de qualidade do serviço em praticamente todos os 12 itens de avaliação de qualidade na pesquisa. Esse fator interfere diretamente na satisfação dos consumidores, aliado ao sentimento de pertencimento”, explica o responsável pelo Núcleo do Índice Aneel de Satisfação do Consumidor, Leonardo Ivo.
Das 42 empresas que atingiram 70 pontos no Iasc em 2025, 30 são cooperativas, garantindo média de 71,10 para o setor, contra 59,7 da média nacional. De acordo com o representante da agência, o resultado das cooperativas se destaca em relação a outras prestadoras principalmente em três aspectos: informações ao cliente, confiabilidade nos serviços e acesso à empresa.
Para a analista de Infraestrutura do Sistema OCB, Thayná Cortês, os resultados refletem o compromisso do cooperativismo com a ampliação do acesso à energia de qualidade e o desenvolvimento das comunidades onde atua.
“Nas décadas de 70 e 80, as cooperativas foram responsáveis por levar energia para regiões inteiras, principalmente no meio rural, onde muitas vezes não havia interesse das concessionárias. Elas tiveram uma influência direta no desenvolvimento econômico e social de diversas localidades e hoje continuam sendo protagonistas no mercado de energia, atendendo uma demanda ampla e diversificada que exige resiliência de rede, capacidade de adaptação e foco na experiência do consumidor”, avalia.
Referência nacional
Em Santa Catarina, as cooperativas premiadas no Prêmio Aneel de Satisfação do Consumidor 2025 mostram, na prática, como o coop tem feito a diferença na distribuição de energia com qualidade. Reconhecida pelo quinto ano consecutivo na premiação, a Codesam atende 1,5 mil unidades consumidoras do município de Benedito Novo e é ligada ao Grupo Ceesam, maior cooperativa geradora de energia do estado.
O engenheiro eletricista da Codesam, Jocemar Filippi, explica que o sistema elétrico da coop apresenta baixos índices de interrupção no fornecimento de energia, bem como custos reduzidos de operação e manutenção. “Como consequência, temos tarifas competitivas, que se mantêm entre as mais baixas de Santa Catarina no contexto do setor elétrico nacional de forma consistente, assegurando aos consumidores um fornecimento de energia elétrica com elevado padrão de qualidade e confiabilidade”, afirma. Além disso, a Codesam tem a segunda menor tarifa residencial do país, em um ranking de 103 distribuidoras.
Para o presidente da coop, Lorivald Beyer, o bom desempenho entre os consumidores está diretamente relacionado à gestão estruturada e eficiente, aliada ao compromisso com a qualidade dos serviços e à relação próxima com os usuários. “Conhecer minimamente nossas comunidades, famílias e suas necessidades fortalece ainda mais essa conexão. Há um vínculo de confiança nas diretorias, respeito ao cooperado e ao consumidor e entrega de energia com qualidade e eficiência”, analisa.
A preocupação ambiental também é um diferencial do grupo catarinense, que produz energia renovável em pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), sem emissões de gases de efeito estufa. “Nossa atuação fortalece uma matriz energética sustentável. Aqui na coop temos o compromisso de entregar energia limpa e de qualidade aos nossos consumidores”, destaca Beyer.
Tradição em bom atendimento
Primeiro lugar do Iasc por três vezes em oito anos, a Coopercocal conquistou nota 84,55 na premiação de 2025, a maior nota geral do índice nacional.
Fundada há 62 anos em Cocal do Sul, a coop reúne atualmente cerca de 20 mil associados em nove municípios catarinenses, levando energia a 12,5 mil unidades consumidoras. O presidente da cooperativa, Altair Lorival, afirma que a trajetória no Iasc traduz uma “cadeia de dedicação”: consumidores que confiam, colaboradores comprometidos e uma coop focada em entregar o melhor para a população.
“Sempre prezamos por um atendimento de qualidade, com agilidade, cordialidade e preço justo. Outro diferencial é o atendimento próximo e humanizado, além do fácil acesso ao presidente, aos gerentes e a todos os colaboradores, o que fortalece ainda mais o relacionamento com os associados”, disse o gestor.
A Coopercocal também desenvolve um trabalho social junto às comunidades que contribui diretamente para a melhoria da qualidade de vida dos municípios atendidos. No projeto Oficina Bercinho de Anjo, por exemplo, são produzidos kits de berço para grávidas em situação de vulnerabilidade. Também há iniciativas voltadas a mulheres e jovens cooperativistas e, recentemente, foi inaugurado o Coopercocal Inclusiva, que atende cerca de 150 crianças e adolescentes com autismo.
Atenta à transformação tecnológica e sustentável do setor elétrico, a Coopercocal vem se reestruturando para enfrentar desafios e acompanhar as inovações. Uma das perspectivas é criar um braço próprio de geração de energia, com foco em fontes limpas. “A criação da Coopercocal Geração representa uma oportunidade de evolução e crescimento, além de permitir a geração de novos recursos para garantir que os consumidores continuem recebendo energia de qualidade, com preço justo”, ressalta Lorival.
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10/06/2026
Conheça Eliza Brierley, a primeira mulher cooperativista do mundo
O cooperativismo tem números impressionantes: são cerca de 3 milhões de cooperativas pelo mundo, somando 1 bilhão de cooperados e 280 milhões de empregos. Só no Brasil, há mais de 4,5 mil cooperativas e mais de 23 milhões de cooperados, segundo dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2024. Mas você sabia que esse movimento começou com um pequeno grupo de 28 tecelões, no interior da Inglaterra? Entre eles, havia uma mulher que começava a traçar uma nova realidade para aquela época: Eliza Brierley.
Imagine o cenário: Inglaterra pós-Revolução Industrial, um período marcado por desigualdades sociais, exploração do trabalho e uma época em que as mulheres ainda lutavam pelo direito ao voto e eram excluídas da participação econômica. Nesse contexto, com apenas 18 anos, Eliza Brierley se destacou ao desafiar as normas e garantir sua presença na primeira cooperativa do mundo, a Sociedade Equitativa dos Pioneiros de Rochdale, criada em 1844.
Em busca de uma vida melhor e de mais autonomia, em 1846, Eliza conseguiu se tornar membro de pleno direito da cooperativa recém-criada, abrindo portas para outras mulheres de sua época e construindo uma trajetória que inspira cooperativistas até hoje.
“A história de Eliza Brierley mostra como o cooperativismo constrói um mundo melhor para as mulheres, com oportunidades para que elas tenham autonomia financeira e possam se desenvolver e exercer seus direitos com participação democrática”, afirma a gerente-geral do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta.
A entrada da jovem tecelã na cooperativa demonstrou que o cooperativismo é inovador desde a sua origem, como um modelo de negócios inclusivo, em que todos podem prosperar juntos.
Mulheres no coop
Desde Eliza Brierley, a participação feminina no coop tem evoluído continuamente. No Brasil, por exemplo, elas representam 41% dos cooperados – com 9,6 milhões de brasileiras – e são maioria entre os trabalhadores do setor – responsáveis por 52% da força de trabalho.
“O exemplo de Eliza continua vivo e impulsiona mulheres a assumirem papéis de destaque dentro do movimento cooperativista", afirma Fabíola. Além disso, o legado de Eliza Brierley também se traduz na criação de programas de capacitação e incentivo à liderança feminina no coop.
Pioneira e guia de inovação
Eliza Brierley não ficou no passado! No livro Inovação no Cooperativismo - um guia descomplicado para quem deseja inovar mais e melhor no universo do cooperativismo, ela aparece como personagem em realidade aumentada que apresenta conteúdos adicionais aos leitores em cada capítulo.
Em cada capítulo, Eliza facilita a compreensão de conceitos essenciais sobre inovação no coop, tecnologia e mostra como o setor investe continuamente em soluções para gerar resultados e aumentar a competitividade das cooperativas.
Onde está Eliza?
Nossa cooperativista pioneira também virou game! Na plataforma Jogar+Aprender, que oferece conteúdo pedagógico lúdico e informativo para crianças e jovens, a jovem tecelã inglesa é a personagem principal do jogo educativo Onde está Eliza?.
No game, os jogadores precisam encontrar objetos e personagens relacionados ao coop. No primeiro cenário, "Contando a História", Eliza está em uma escola participando de uma exposição sobre cooperativismo, em que são apresentados os diferentes ramos do cooperativismo. O segundo nível, "Coopcity", leva os jogadores a uma comunidade cooperativista, e no terceiro, "Transformando a Cidade", Eliza busca apoio para criar um movimento cooperativista que ajude a melhorar a cidade.
O jogo está disponível na plataforma CapacitaCoop, com acesso gratuito.
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10/06/2026
Conheça times de futebol que têm tudo a ver com o coop
Estamos em clima de Copa do Mundo e a paixão que move milhões de torcedores também revela outra força presente no esporte: a cooperação. Nem todo mundo sabe, mas alguns gigantes do futebol mundial são estruturados em modelos de gestão muito semelhantes ao cooperativismo. São histórias de união, participação e trabalho coletivo – valores que entram em campo e também fazem parte do dia a dia das cooperativas.
A lista incluiu as duas principais equipes da Espanha, times da Alemanha e América do Sul, inclusive do Brasil. “No mundo do futebol, o modelo cooperativo aproxima as pessoas e gera resultados concretos. Os times que adotam a cooperação são inclusivos e comprometidos com suas comunidades, gerando conexões verdadeiras entre torcedores e clubes”, destaca a superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta.
Real Madrid
Uma das grandes potências do futebol europeu e mundial, o Real Madrid chegou ao topo com base na cooperação. Fundado em 1902, funciona como uma composição mista entre sócios e cooperados. São eles que contribuem para o fundo que mantém o clube, elegem o presidente em votação democrática e tomam decisões de forma coletiva, em um modelo de governança bem conhecido entre as cooperativas. No ano passado, o time anunciou a estruturação de um plano para receber investimento e
xterno, mas a mudança também precisa ser aprovada pelos sócios.
Todos os prêmios ganhos pelo Real Madrid compõem o patrimônio do clube. Em 2025, o time espanhol teve o maior faturamento do futebol mundial, com 1,16 bilhão de euros em receitas. Em mais uma característica cooperativista, parte desses resultados é direcionada para a comunidade por meio da Fundação Real Madrid. A instituição desenvolve atividades esportivas, educacionais, culturais e assistenciais com base em valores como trabalho em equipe, transparência, solidariedade e igualdade.
Barcelona
Maior rival do Real Madrid em campo, o Futbol Club Barcelona também funciona em um modelo cooperativo conhecido como fan owned (propriedade dos torcedores). O gigante do futebol reúne 140 mil sócios e foi fundado em 1899 por um grupo de jovens estrangeiros residentes em Barcelona. Desde o início, sua origem remonta a uma forte ligação com a comunidade, especialmente a região da Catalunha.
Com o lema “Mais que um Clube”, o Barça foi idealizado como um clube de integração social, no qual todos pudessem expressar suas opiniões, e foi criado como uma sociedade democrática, livremente governada por seus membros. De lá pra cá, o time já conquistou 32 Copas do Rei, cinco vezes a Liga dos Campeões da UEFA e três Mundiais de Clubes da FIFA, assumindo protagonismo no futebol espanhol e europeu.
As vitórias em campo também impactam iniciativas comunitárias do time, que repassa 0,7% de suas receitas para a Fundação FC Barcelona, braço social do clube que investe no esporte como ferramenta para transformar a vida de crianças e jovens. Esse trabalho é feito em parcerias com entidades como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Bayern de Munique
Na Alemanha, o futebol também tem muito do movimento coop em sua essência. O Bayern de Munique funciona com uma estrutura de associação baseada no tradicional sistema alemão, onde os sócios-torcedores detêm a maioria absoluta do poder de votos, com 75% das ações pertencentes ao próprio clube. O Bayern reúne mais de 400 mil sócios que se sentem pertencentes ao clube por ter voz ativa nas decisões sobre o futuro da equipe. Diferentemente de outros modelos de propriedade privada, os times com base cooperativista valorizam o torcedor como parte da gestão, o que mostra uma governança diferenciada, que privilegia fidelização, engajamento e benefícios exclusivos para os sócios.
O Bayern, por exemplo, oferece cartão personalizado, pacotes de boas-vindas, descontos em produtos oficiais e acesso a eventos exclusivos, além de iniciativas como o Teens Club, que busca aproximar novas gerações. Como resultado dessa estratégia, o Bayern teve receita recorde de 978,3 milhões de euros na temporada 2024-2025, com altos retornos financeiros e credibilidade em campo, mostrando resultados consistentes e investimento em causas sociais e humanitárias que se destacam no mundo do futebol, como o combate ao racismo.
St. Pauli
Quando o assunto é coop e futebol, o tradicional St. Pauli, de Hamburgo, também da Alemanha, acaba de entrar na história pelo pioneirismo. Fundado em 1910 e fortemente alicerçado na comunidade, o clube lançou oficialmente, em 2024, a sua cooperativa: a Football Cooperative St. Pauli. Considerada a primeira cooperativa de futebol profissional da Alemanha, a entidade prevê a associação por meio da compra de cotas equivalentes a ações. Cada uma custa 850 euros, sendo 100 euros destinados à construção de espaços físicos para a cooperativa. Nesse modelo de funcionamento, todos os cooperados terão igual poder de voto e o objetivo é que a cooperativa compre ações majoritárias da empresa que gerencia o Millerntor Stadion, a casa do St. Pauli.
Assim como nas cooperativas que atuam em outros setores, o St. Pauli tem responsabilidade social e promove os interesses de seus membros, funcionários, torcedores e voluntários para além da esfera esportiva. Além disso, tem um forte enraizamento local e promove um modo de vida baseado na cooperação e nos ganhos coletivos.
Mushuc Runa
O futebol nasceu na Inglaterra, mas foi na América Latina que o esporte se transformou em paixão popular e símbolo de identidade coletiva, acumulando conquistas históricas em Copas do Mundo. Em meio a torcidas vibrantes e forte participação das comunidades no esporte, também surgiram exemplos de clubes organizados com base na cooperação.
Um deles vem do Equador, o Mushuc Runa, fundado e financiado por uma cooperativa de crédito indígena. Com 32 agências espalhadas pelo país, a coop existe desde 1995 e atende indígenas que se sentiam excluídos do sistema bancário tradicional. Em 2003, deram um passo para valorizar ainda mais seu povo e sua cultura e fundaram o time de futebol.
Uma das marcas registradas do clube equatoriano é o uniforme que homenageia costumes indígenas. Os jogadores entram em campo com um “ponchito”, uma espécie de manto que protege das baixas temperaturas, roupa que também é usada pelos torcedores.
Há alguns anos, o Mushuc Runa saiu da esfera das competições regionais para competir na Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL). Em 2025, o time indígena alçou novos voos, quando brilhou na Copa Sul-Americana. Mais do que se destacar em campo, o clube de futebol também tem um objetivo social, que é divulgar a cultura, a força e a potência dos povos indígenas de seu país.
Cruz Azul
No México, em 1927, um grupo de operários da fábrica de cimento Cruz Azul se juntou e fundou a Cooperativa La Cruz Azul S.C.L., no estado de Hidalgo. Anos depois, fundou um time de futebol com o mesmo nome. Até hoje, a gestão do time é ligada à cooperativa, mostrando, na prática, que cooperação e futebol têm tudo a ver.
Com união e trabalho coletivo, o Cruz Azul se tornou um das maiores equipes de futebol do México e já conquistou títulos como a Copa do Campeões da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf), Campeón de Campeones, nove títulos nacionais, quatro vezes a Taça do México, uma Supercopa e uma Leagues Cup.
Brasil
No maior campeão de Copas do Mundo da história, a conexão entre cooperativismo e futebol também está presente. Uma das experiências de times cooperativistas em território brasileiro foi a Cooperativa Manchester de Futebol, criada em 1994, em Juiz de Fora (MG). Na época, as equipes do Sport, Tupi e Tupynambás se reuniram com um objetivo em comum: fortalecer o esporte local a partir de uma gestão conjunta. O time encerrou suas atividades em 1996, mas ficou registrado como exemplo de união cooperativa
No Acre, a Cooperativa de Árbitros de Rio Branco (Cooparb) está movimentando o futebol local com a união de quem garante as regras do jogo. Fundada em 2021, a coop tem como cooperados árbitros e assistentes que atuam em torneios amadores, categorias de base e competições profissionais na Região Norte do país. A Cooparb presta serviços de arbitragem para as competições no estado e também capacita os associados para uma melhor atuação profissional.
Patrocínio coop
As cooperativas também incentivam o futebol brasileiro por meio de patrocínio financeiro. O Sicredi apoia grandes campeonatos como a Copa do Brasil de Futebol Masculino; a Brasil Ladies Cup, competição de futebol feminino; o CBF Origens, campeonato com foco no futebol de base brasileiro que promove a inserção de jovens talentos no esporte; e Copa do Brasil de Futsal Feminina e a Masculina. Os principais campeonatos estaduais do Brasil também contam com o apoio da primeira instituição financeira cooperativa do Brasil, como o Paulistão Sicredi, Campeonato Carioca, Gauchão e o Paranaense.
Em 2026, o Sicoob se tornou patrocinador dos campeonatos de futebol catarinense e gaúcho. Há 8 anos, a instituição financeira cooperativa renova a parceria com o Campeonato Brasileiro de Futebol, nas Séries A e B, e investe em presença massiva nos campeonatos estaduais, incentivando equipes locais a se destacarem no esporte que é a paixão número 1 dos brasileiros.
No futebol de salão, a Cresol é apoiadora da Liga Nacional de Futsal (LNF) desde 2016, unindo a força do cooperativismo ao papel transformador do esporte. Além de ter a marca estampada nos ginásios e arenas em todos os jogos da temporada, cooperativas de crédito do sistema também patrocinam times específicos em suas comunidades.
O apoio ao esporte está também em outros ramos do cooperativismo. Em várias partes do país, cooperativas investem equipes que levam a marca coop para milhares de pessoas a cada partida. O Sistema Unimed já patrocinou a Seleção Brasileira e atualmente coopera com times em diferentes estados, como o São Paulo Futebol Clube, dono de uma das maiores torcidas do país.
No Sul, a AuroraCoop é parceira da Chapecoense desde 2007, em uma trajetória marcada por títulos. A Copacol tem uma aliança com o Athletico Paranaense há oito anos, e, além da marca estampada na camisa, fornece seus produtos para as refeições dos atletas e funcionários no centro de treinamento e para os lanches comercializados na Arena da Baixada. Também do Paraná, a Frimesa investe em um dos gigantes do futebol brasileiro, o Sport Club Corinthians Paulista, em uma parceria iniciada em 2025 e renovada para a atual temporada.
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27/05/2026
Maternar é um trabalho cooperativo
Dedicação, afeto, amor, zelo. Para muita gente, essas palavras lembram o significado de mãe, mas atributos associados à criação não devem se concentrar em apenas uma pessoa. Como lembra um conhecido provérbio africano – “é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança” –, o cuidado com os filhos é, na essência, um trabalho coletivo e cooperativo.
Uma rede de apoio coletiva é importante para a saúde mental da mãe, para o desenvolvimento da criança e para a família, de forma geral. Não somente parentes diretos, mas amigos, vizinhos, familiares e educadores podem se engajar na tarefa de preparar uma criança para o mundo.
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostram que o desenvolvimento na primeira infância depende de um ambiente de cuidado responsivo, proteção, vínculo estável e presença de cuidadores que consigam oferecer atenção e segurança. Juntos, esses fatores criam condições concretas para que a criança se desenvolva emocional, cognitiva e socialmente em um ambiente mais estável.
Segundo a especialista Bianca Bonassi, a cooperação no cuidado beneficia toda a família, porque o apoio também melhora a qualidade dos laços. “Quando o cuidado é partilhado, a mãe não ocupa sozinha o lugar do sacrifício permanente, o pai ou outros responsáveis se vinculam mais de perto à vida cotidiana da criança, e a convivência tende a se organizar de forma menos desigual”, compara a vice-presidente do conselho deliberativo do Instituto Promundo, organização não governamental que promove a corresponsabilidade no cuidado e a paternidade ativa para reduzir desigualdades de gênero.
Mães em cooperação
No Espírito Santo, uma cooperativa de saúde tem cooperado com as mães desde a gestação. No mês das mães, a Unimed Sul Capixaba promoveu a roda de conversa “Conexão Materna”, em que as gestantes puderam conversar com profissionais de saúde sobre o início do maternar e todas as transformações físicas e emocionais desse período.
“Foi um momento de diálogo, acolhimento e muito aprendizado com um grupo de profissionais especializados em gestantes, cada um na sua área. Discutimos temas relacionados à gestação na visão de especialistas como fisioterapeuta, psicólogo, médico obstetra, massoterapeuta e enfermeira. Também contamos com orientações de doulas, enfermeira consultora em amamentação e em furinho humanizado de orelha”, detalhou a gestora de Promoção de Saúde da Unimed Sul Capixaba, Adriana Sarzedas.
Com 36 anos de atuação no estado, a cooperativa reúne 476 médicos cooperados e promove ações de educação e informação em saúde de forma permanente para a comunidade. Para as mães e pais, Unimed Sul Capixaba possui um Hospital Materno-Infantil de referência e também apoia as famílias na preparação para receber os bebês em suas rotinas.
Com atendimento humanizado e acolhimento, a coop também coopera com o maternar com cursos pré-parto e orientações sobre lactância. Além disso, as colaboradoras da Unimed Sul Capixaba contam desde 2024 com uma sala de amamentação, um ambiente adequado para dar continuidade ao aleitamento no período de retorno da licença-maternidade.
Iniciativas como essas tornam o trabalho de maternar mais cooperativo e compartilhado, com rede de apoio, divisão de tarefas, sentimentos e experiências, segundo a cooperada da Unimed Sul Capixaba Dayana Debacker. “Estou gestante no quarto mês, é o meu primeiro filho e foi muito especial participar dessa roda de conversa. O meu Dia das Mães foi bem produtivo, pude aproveitar bastante. Tirei muitas dúvidas com a equipe, principalmente a respeito da amamentação”.
Desafios e perspectivas
Apesar do reconhecimento dos benefícios do cuidado compartilhado, estatísticas da Organização do Trabalho (OIT) mostram que muitas mulheres estão sozinhas ou pouco amparadas nessa missão, sobrecarregadas por tarefas domésticas e de cuidado, classificadas como atividades não remuneradas. De acordo com a entidade, as brasileiras dedicam quase dez horas a mais por semana que os homens a trabalhos não remunerados. Em nível mundial, as mulheres realizam 76,2% de todas essas tarefas no mundo, dedicando 3,2 vezes mais tempo do que os homens.
Além disso, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tem 11 milhões de mães solo, que cuidam dos filhos sem apoio de um cônjuge, além de trabalhar fora e gerenciar a casa. Segundo Bianca Bonassi, para reverter essa lógica baseada em sobrecarga e desigualdade, é preciso reconhecer o cuidado como parte da vida coletiva e não uma tarefa exclusiva das mães.
“Assim como no cooperativismo, cooperar na maternidade não é apenas dividir resultados, é reconhecer interdependência. E o cuidado é talvez a expressão mais concreta dessa interdependência. Uma sociedade que naturaliza que uma mulher sustente quase sozinha a reprodução da vida está falhando em algo muito básico”, afirma.
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