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21/10/2026
Por que as cooperativas de crédito são símbolos de estabilidade?
Imagine precisar de crédito para tirar um negócio do papel, ampliar uma pequena empresa, investir em um projeto da família ou realizar algum sonho. Entre 2018 e 2023, o crédito concedido pelas cooperativas movimentou, em média, R$ 135,1 bilhões por ano na economia brasileira e esteve associado à geração de cerca de 1,2 milhão de empregos anuais, formais e informais. Os dados são do estudo Impactos do Cooperativismo de Crédito, realizado pelo Sistema OCB e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), com base em informações do Banco Central do Brasil e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Esses números ajudam a dimensionar a atuação do cooperativismo financeiro no Brasil, que reúne 22,9 milhões de cooperados e integra um setor global com atuação em quase 100 países. Anualmente, em outubro, o papel do segmento para o desenvolvimento econômico e a inclusão financeira é reconhecido com o Dia Internacional das Cooperativas de Crédito (DICC), que em 2026 trouxe o tema “Cooperativas de Crédito: um símbolo da estabilidade em um mundo de oportunidades”.
Segundo Paul Treinen, presidente do Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (WOCCU, na sigla em inglês), o conceito destaca a relação de confiança e proximidade entre as cooperativas, seus cooperados e as comunidades onde atuam. “Vivemos em um mundo que puxa as pessoas em mil direções ao mesmo tempo. As cooperativas de crédito sempre foram um antídoto para esse caos: um lugar onde as pessoas sabem que são reconhecidas, ouvidas e atendidas tendo seus melhores interesses em mente”, explica.
Mas o que, afinal, sustenta essa estabilidade? Destacamos cinco razões que conectam o tema do DICC ao dia a dia das cooperativas de crédito:
1 - Gestão democrática
Nas cooperativas de crédito, os associados são donos do negócio, têm voz nas decisões e participação nos resultados. Para Thiago Borba, coordenador do Ramo Crédito no Sistema OCB, essa estrutura ajuda a explicar a estabilidade do segmento e a relação de confiança construída com os associados. “A estabilidade das cooperativas de crédito nasce da própria essência do modelo cooperativista. O cooperado não é apenas cliente: ele é também dono da instituição e participa dos seus resultados e das suas decisões. Isso cria uma relação de longo prazo, fortalece a governança e faz com que os recursos permaneçam mais próximos das comunidades onde foram gerados.”
2 - Pessoas em primeiro lugar
A estabilidade financeira também aparece na capacidade de apoiar famílias e empresas quando as condições econômicas dificultam projetos e investimentos. Nessas circunstâncias, o crédito cooperativo pode ajudar a manter atividades e dar continuidade aos negócios. Para Ênio Meinen, diretor de Coordenação Sistêmica, Sustentabilidade e Relações Institucionais do Sicoob, as cooperativas são capazes de conciliar o cuidado na gestão dos recursos com o atendimento às necessidades dos cooperados.
“É justamente nessas circunstâncias que o cooperativismo financeiro evidencia sua relevância, ao manter uma disposição permanente de contribuir para que pessoas e negócios encontrem condições de seguir adiante, sobretudo fornecendo crédito”, afirma. Segundo Meinen, esse apoio exige conhecer as necessidades dos cooperados e avaliar quais alternativas fazem sentido para cada situação. “A presença das cooperativas contribui para preservar e estimular a capacidade produtiva dos territórios, especialmente em regiões onde pequenos negócios, atividades agropecuárias e empreendimentos familiares exercem papel fundamental na geração de renda.”
3 - Segurança e regulação
A estabilidade das cooperativas de crédito também está ligada às regras de gestão e governança do setor. Assim como as demais instituições financeiras, elas estão sujeitas à regulamentação e à supervisão do Banco Central. Segundo Thiago Borba, a combinação entre a participação dos cooperados e mecanismos de proteção fortalece a confiança no segmento. “Somada a uma estrutura sólida de regulação, supervisão e proteção, essa característica faz do cooperativismo de crédito um agente de confiança, capaz de manter sua presença e apoiar seus cooperados mesmo nos períodos mais desafiadores da economia.”
4 - Raízes na comunidade
As cooperativas de crédito estão presentes fisicamente em 59% dos municípios brasileiros. Em Roraima, o presidente do Sistema OCB/RR, Silvio de Carvalho, destaca a importância dessa atuação para as economias locais. “Aqui, o cooperativismo financeiro tem um papel estratégico ao ampliar o acesso ao crédito e aos serviços financeiros, apoiar produtores rurais e pequenos empreendedores e estimular a educação financeira. Essa proximidade com os cooperados permite conhecer suas necessidades e oferecer soluções que contribuam para seus negócios e projetos”, comenta.
A proximidade também permite às cooperativas conhecer as necessidades dos associados e oferecer soluções financeiras adequadas a diferentes momentos de vida e de negócio. Para Rogério Machado, superintendente de Cooperativismo do Sicredi, esse relacionamento está diretamente ligado ao compromisso do modelo com o desenvolvimento das comunidades. “Em um cenário de constantes transformações econômicas e sociais, as cooperativas de crédito contribuem para ampliar o acesso a soluções financeiras, apoiar pessoas e empresas e fortalecer as economias locais”, explica.
Os efeitos da atuação das cooperativas também aparecem nos indicadores econômicos dos municípios, evidenciados no estudo do Impactos do Cooperativismo de Crédito: a presença local de cooperativas de crédito está associada a um Produto Interno Bruto (PIB) per capita R$ 3,8 mil maior, 10% acima da média; a 25,3 empregos formais a mais por mil habitantes (15,1% a mais que média) e a 3,2 estabelecimentos adicionais por mil habitantes (15,6% maior que a média),
5 - Presença consolidada
No Brasil, o cooperativismo de crédito reúne 682 cooperativas e mais de 10 mil pontos de atendimento, com R$ 1,15 trilhão em ativos, R$ 516 bilhões em carteira de crédito e R$ 590,1 bilhões em depósitos.
Essa participação expressiva no sistema financeiro se traduz no apoio às economias locais, com recursos destinados a financiar atividades produtivas onde as pessoas mais precisam e movimentar a economia nos territórios onde as cooperativas atuam. “Ao mobilizar a poupança local e direcionar recursos para financiar iniciativas produtivas ali mesmo, o cooperativismo favorece a circulação de riqueza, fortalece cadeias econômicas e amplia as oportunidades de desenvolvimento”, afirma Ênio Meinen.
No mundo, o setor setor reúne 420 milhões de cooperados em 93 países. São aproximadamente 61.838 cooperativas de crédito, com mais de US$ 3,98 trilhões em ativos, segundo dados do WOCCU.
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15/10/2026
Cooperativa ajuda a transformar região em polo agrícola no DF
O cooperativismo abre caminhos onde, à primeira vista, há poucas possibilidades. Foi assim no Distrito Federal, onde, na década de 1970, uma cooperativa agropecuária começou a semear lavouras em uma área de Cerrado até então inóspita.
Tudo começou em 1978, um ano após a criação do Plano de Assentamento Dirigido do Distrito Federal (PAD-DF), uma estratégia do governo local para atrair produtores rurais de outras regiões do país, principalmente do Sul, com tradição agrícola e mentalidade cooperativista. A ideia era criar um cinturão verde que garantisse alimentos frescos e com preços justos para a população da capital fundada há menos de 20 anos.
A realidade, no entanto, era mais dura que a promessa. Os primeiros colonos chegaram ao PAD-DF e se depararam com a terra árida e a falta de infraestrutura em uma área de difícil acesso a 55 quilômetros de Brasília. Diante das dificuldades de começar a produzir, decidiram fundar a Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF) para, coletivamente, garantir acesso a insumos e organizar a produção do que conseguissem plantar.
A família de Leandro Maldaner, que vivia no interior do Rio Grande do Sul, chegou ao PAD-DF seis anos depois, em 1984, atraída pela possibilidade de recomeçar a vida em um pedaço de terra próprio. Viajaram mais de 2 mil quilômetros em um caminhão, trazendo cachorros e galinhas, e se instalaram em um galpão de madeira com teto de lona.
“A primeira coisa que meu pai fez ao chegar por aqui foi procurar uma cooperativa, era o que ele queria. Eu costumo dizer que a cooperativa é igual ao ser humano: cresce nas dificuldades. A gente aprende, se fortalece e vai crescendo com aquilo que enfrenta. A cooperativa é assim também, é união, é crescer junto”, explica Maldaner, hoje vice-presidente da Coopa-DF.
Semente de futuro
Segundo Maldaner, nos primeiros anos, os cooperados plantavam arroz e, posteriormente, soja. A produção de sementes também ganhou espaço e chegou a abastecer outros estados, como Mato Grosso. Com os resultados, a cooperativa abriu filiais em Unaí, Formosa, Cristalina, Luziânia e Padre Bernardo. Mas a expansão trouxe problemas de comunicação, gestão e finanças e as unidades acabaram sendo desmembradas e se tornaram organizações independentes.
“Nossa cooperativa teve dificuldade financeira para administrar isso. Ela fornecia os insumos e comprava uma grande quantidade da produção, mas os preços caíram na época. Com isso, a cooperativa entrou em dificuldade financeira”, relata Maldaner.
O engenheiro agrônomo e cooperado Cláudio Malinski chegou à região em 1980 e acompanhou parte dessas mudanças. Ele passou por diferentes funções na cooperativa, integrou a diretoria e atualmente integra o Conselho Fiscal.
“Eu tive a felicidade de estar presente tanto nos momentos difíceis como nos momentos em que a cooperativa se recuperou”, afirma. Apesar dos obstáculos enfrentados nessa época, Malinski afirma que a Coopa-DF atingiu seu principal objetivo: apoiar os produtores a alcançar resultados que não conquistariam sozinhos. “A cooperativa não cresceu tanto quanto poderia em patrimônio, mas permitiu que os associados crescessem muito”, compara.
A chegada do trigo
Ao longo de sua trajetória, a Coopa-DF também precisou encontrar novas alternativas para os produtores. Ainda na década de 1980, com a expansão da irrigação, a produção de soja dividiu espaço com ervilha e feijão. O avanço da agricultura, no entanto, trouxe problemas para o solo. Foi então que o trigo surgiu como alternativa, por ser uma cultura que protege a superfície contra a erosão, melhora a estrutura da terra e ajuda na ciclagem de nutrientes para as safras seguintes.
Os produtores começaram a cultivar o cereal, mas logo encontraram outro obstáculo: não havia mercado para a produção. A saída foi investir na industrialização e, em 1994, os cooperados aprovaram, em assembleia, a construção da indústria de trigo da cooperativa.
A nova infraestrutura exigiu investimentos em pesquisa e tecnologia. O trigo produzido no Cerrado ainda precisava alcançar a qualidade exigida pela indústria para competir com a matéria-prima importada. Era necessário adaptar as variedades às condições de solo e clima da região.
“Graças ao trabalho da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] junto com o departamento técnico da cooperativa, desenvolveram variedades e conseguiram um trigo de excelente qualidade aqui, no Cerrado”, conta Maldaner. A produção passou a abastecer a própria indústria e deu origem à farinha de trigo Buriti.
Colhendo resultados
O trigo também fortaleceu outra vocação da região: as sementes. Segundo Maldaner, a altitude da região – que está 1.000 metros acima do nível do mar – favorece o cultivo de sementes de trigo, milho e soja e contribuiu para consolidar a área como polo produtor.
Para Cláudio Malinski, as vantagens do cooperativismo aparecem na rotina da lavoura. Na propriedade dele, há unidade de secagem, beneficiamento e classificação de grãos, uma estrutura que não se sustentaria sozinha. “Numa pequena propriedade, é inviável. Por meio do cooperativismo, eu consigo ter acesso a isso”, explica.
Essa lógica também vale para a comercialização da safra, segundo ele. “A cooperativa permite ao produtor negociar a produção antecipadamente, acessar mercados e comprar insumos em maior volume. Individualmente, na minha pequena propriedade, eu não conseguiria”.
Além disso, o cooperado afirma que a cooperativa possibilitou viagens, contato com pesquisadores e instituições de pesquisa e acesso a novos conhecimentos, que ele levou posteriormente aos produtores da coop.
Vitrine do coop do Cerrado
Em 2008, a Coopa-DF ajudou a criar a AgroBrasília, feira de tecnologia e negócios voltada a empreendedores rurais de todos os portes e segmentos. Hoje, a cooperativa participa da gestão do evento, que reúne produtores, empresas e instituições de pesquisa e recebe, em média, de 150 mil a 180 mil visitantes por edição. Segundo Leandro Maldaner, o alcance da feira vai além do campo. “A gente alavanca a economia da região toda. Turismo, transporte, alimentação, hotelaria e muita gente envolvida no evento”, afirma.
A feira também apresenta o setor às novas gerações. Pelo projeto Caminho das Escolas, realizado com apoio do Sicoob, a Coopa-DF leva estudantes da rede pública da região para conhecer as novidades do campo e os princípios do cooperativismo. A parceria se estende ao longo do ano, com o apoio a eventos culturais nas escolas e doação de farinha Buriti e outros produtos para a merenda dos alunos.
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07/10/2026
Professores têm acervo gratuito de jogos digitais para ensinar cooperativismo
Palavras cruzadas para exercitar o raciocínio lógico. Um tabuleiro para ensinar localização na aula de geografia. Uma trilha de games digitais que apresenta o cooperativismo às crianças durante um evento comunitário. As três propostas têm em comum o jogo como recurso de aprendizagem e estão ao alcance de professores de todo o país na Jogar+Aprender, solução gratuita do Sistema OCB, entidade que representa as cooperativas brasileiras.
Disponível na CapacitaCoop, plataforma de ensino a distância do Sistema OCB, a Jogar+Aprender funciona como uma vitrine de recursos pedagógicos e didáticos para abordar cooperativismo, educação digital, educação ambiental, cidadania, diversidade e inclusão e outras temáticas alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de forma lúdica. Os materiais podem ser utilizados dentro ou fora da sala de aula, por qualquer instituição de ensino, sendo escolas públicas e privadas, e também em atividades promovidas por cooperativas e Organizações Estaduais do cooperativismo.
Para crianças de 6 a 12 anos, há mini jogos educativos impressos e digitais, atividades interativas (como labirintos, caça‑palavras, pinturas) e vídeos animados sobre cooperativismo, meio ambiente, saúde e bem‑estar. Para jovens de 13 a 17 anos, o acervo traz jogos digitais mais avançados, conteúdos sobre segurança digital, sustentabilidade e preparação para o primeiro emprego, além de games em ambientes virtuais, como o CoopCity (Roblox).
Jogos na rotina escolar
Na Cooperativa Instituto Educacional de Tucuruí (COOPERIET), no Pará, os materiais da Jogar+Aprender são utilizados em diferentes áreas. Segundo a professora Rosilene Silva, os recursos ajudam a desenvolver a organização e a concentração dos estudantes.
“Dá para usar os jogos em todas as disciplinas. Em língua portuguesa, por exemplo, uso as palavras cruzadas para trabalhar a capacidade de visualização e raciocínio lógico. Na parte de matemática, também trabalho a concentração e os números”, explica.
Para explorar todas as possibilidades da Jogar+Aprender em sala de aula, os professores da cooperativa educacional paraense receberam um treinamento, o que, segundo a presidente da coop, Andreia Anjos, facilitou a adesão aos recursos. “Foi uma experiência muito enriquecedora, que trouxe novos conhecimentos e estratégias para nossa prática pedagógica. Hoje, percebemos o quanto a Jogar+Aprender contribui para tornar a aprendizagem mais envolvente e significativa.”
Educação cooperativa
Em Goiás, cerca de 80 professores foram capacitados desde 2025 para utilizar os materiais pedagógicos cooperativistas, levando o conhecimento para mais de 1,8 mil crianças e adolescentes de seis municípios. “A decisão de utilizar a Jogar+Aprender surgiu da oportunidade de ampliar o aprendizado sobre a cooperação com uma metodologia lúdica e educativa, que pudesse apoiar os professores e ser incorporada às atividades em sala de aula”, explica Paulo Henrique Nascimento, analista de Desenvolvimento Humano de Cooperativas do Sistema OCB/GO.
O trabalho começou em parceria com escolas do Serviço Social da Indústria (SESI) no estado e agora está sendo ampliado para mais instituições das redes pública e privada. Os jogos também são utilizados em eventos comunitários, como o Dia de Cooperar (Dia C).
A meta para 2027, segundo Nascimento, é expandir a metodologia com novas parcerias em escolas de diferentes municípios. “Queremos aproximar cada vez mais pessoas do cooperativismo, valorizando a cooperação como uma prática capaz de fortalecer vínculos e contribuir para a construção de comunidades mais participativas e solidárias”, afirma o analista
Tecnologia com propósito pedagógico
Para a doutora em Educação pela Universidade de Brasília (UnB) e diretora de Educação a Distância do Instituto Federal de Brasília (IFB), Jennifer Medeiros, o uso de diferentes ferramentas pedagógicas amplia as possibilidades de atuação dos professores. “A importância de contar com ferramentas pedagógicas, inclusive digitais, é que você promove uma diversidade metodológica. A tecnologia na educação não é um fim em si mesmo, é um meio.”
Segundo a especialista, as tecnologias digitais podem diversificar as formas de interação entre professor e estudante e favorecer a participação dos alunos nos processos de aprendizagem. “Elas podem potencializar o protagonismo do estudante. O aluno pode aprender de uma forma diferente usando as tecnologias digitais e isso só é possível se o professor oportunizar e proporcionar essa experiência para ele. Usando um recurso digital, o professor consegue alcançar diferentes formas de aprender por parte dos alunos”, explica.
A escolha da ferramenta, no entanto, precisa estar ligada aos objetivos da aula. “O uso das tecnologias na educação só faz sentido mediante uma intencionalidade pedagógica, e essa responsabilidade é do professor. Antes de escolher um recurso digital, ele precisa se perguntar: 'O que eu quero com isso? Como esse recurso digital vai ajudar no alcance dos objetivos de aprendizagem dos estudantes e nos objetivos de ensino?'”, recomenda.
Como acessar
Os recursos educacionais da Jogar+Aprender estão disponíveis na plataforma CapacitaCoop. Professores, cooperativas e instituições de ensino podem conhecer a proposta e acessar os materiais gratuitamente.
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28/09/2026
Eleições 2026: voto consciente fortalece o cooperativismo
Para a brasiliense Franciele Lima, cooperação e bem-estar coletivo não são apenas valores, mas parte de sua rotina de trabalho. Ela atua como responsável financeira da Organização Não-Governamental (ONG) Viva Vida, instituição cooperada do Sicoob Empresarial, e vive de perto o compromisso com as causas sociais e com o desenvolvimento das comunidades. Agora, nas eleições do próximo domingo (4/10), quer ver esses princípios refletidos também nas urnas.
“Eu defendo muito as causas comunitárias porque vivo isso no meu dia a dia, então esse ano estou pesquisando em quem votar com mais consciência. Minha escolha sempre será por candidatos que defendam políticas públicas e sociais com um olhar para os menos favorecidos e para famílias em situação de vulnerabilidade. Acredito que, quando a política é exercida com consciência e equilíbrio, o país inteiro tem mais chances de avançar”, afirma.
Para Franciele, o voto consciente não é apenas uma escolha, mas uma responsabilidade, e pesquisar a trajetória e as propostas de cada candidato faz parte desse processo. Foi justamente da relação com o cooperativismo, através da coop de crédito, que nasceu seu interesse por candidatos que apoiem esse modelo de negócio. “As cooperativas estão onde as pessoas precisam, onde outras instituições financeiras muitas vezes não chegam, e esse movimento precisa ser ampliado”.
A trajetória dela ilustra um movimento maior. Este ano, mais de 158,7 milhões de brasileiros estão aptos a votar nas eleições gerais, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre eles, estão 29 milhões de cooperados de todos os estados do país, que buscam levar às urnas valores como sustentabilidade, responsabilidade social e compromisso com as comunidades – pilares do movimento coop.
O professor Leonardo Conceição, cooperado da Cooperativa de Consumo dos Servidores do DER/MG (Coopeder), reforça essa percepção: “Acredito que o cooperativismo precisa ocupar mais espaço nos Três Poderes porque representa uma forma de organização que coloca o trabalho coletivo e o desenvolvimento das comunidades no centro das decisões. Também considero importante que os representantes públicos conheçam melhor todas as formas de cooperativismo e estejam dispostos a conversar com o setor”, avalia.
Informação e cidadania
Atento a esse potencial de mobilização, o Sistema OCB – entidade representativa das cooperativas brasileiras – disponibiliza orientações para que os cidadãos identifiquem candidatos alinhados ao trabalho das cooperativas e comprometidos com seu papel para o desenvolvimento econômico e social do país.
Entre as estratégias para levar informação qualificada, estão a campanha #PensenoCoop, que tem um site especial para as Eleições 2026, e conteúdos do Programa de Educação Política do Cooperativismo produzidos especialmente para este ciclo eleitoral, como a cartilha Cooperativismo e as Eleições 2026. O documento, disponível para download gratuito, traz recomendações de boas práticas para a participação de cooperativas, dirigentes e cooperados no processo eleitoral, incentivando uma atuação proativa, informada e responsável.
“É importante não confundir a neutralidade político-partidária – uma premissa do coop – com inércia política. O cooperativismo precisa participar do debate público, apresentar suas propostas, dialogar com atores políticos e trabalhar para que suas pautas estejam presentes nas decisões que afetam milhões de cooperados”, afirma o gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Eduardo Queiroz.
No site da Agenda Institucional do Cooperativismo, os cidadãos interessados em conhecer as pautas do cooperativismo podem acompanhar propostas legislativas que impactam o setor e estão em tramitação no Congresso Nacional, além de consultar a atuação dos 285 deputados federais e 40 senadores que integram a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop).
A entidade também oferece o “Perfil Parlamentar”, uma plataforma voltada a representantes de cooperativas, que funciona como um observatório e reúne informações públicas sobre a atuação de deputados e senadores em pautas com impacto para o cooperativismo nos últimos quatro anos. “O espaço foi pensado para que nossas lideranças tenham acesso a informações precisas sobre aqueles nomes que, na prática, levantaram a bandeira do coop no Congresso Nacional. Na nossa visão, isso é fomentar o voto consciente na prática”, explica Queiroz.
Resultados consistentes
A mobilização cooperativista pela educação política já mostra resultados concretos. O movimento tem ampliado sua interlocução com os poderes, garantindo políticas públicas e marcos regulatórios que beneficiem as 4,4 mil cooperativas e seus 29 milhões de cooperados. “Fortalecer o ambiente de negócios das cooperativas também significa criar condições para que o cooperativismo continue sendo instrumento de prosperidade, geração de renda e oportunidades nas comunidades onde estão inseridas”, completa Queiroz.
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22/09/2026
Cooperativa paulista é maior centro logístico de flores do país
A primavera chegou, e com ela cresce a presença de flores e plantas ornamentais em diferentes espaços. A maioria delas tem uma origem em comum, Holambra, no interior de São Paulo. A cidade responde por 70% da produção nacional e tem uma cooperativa no centro dessa operação: Veiling Holambra, a maior infraestrutura comercial e logística de flores da América Latina.
Com 450 cooperados, a cooperativa produz mais de 7 mil variedades de flores e plantas, distribuídas entre espécies de corte, em vaso e plantas ornamentais – como orquídeas, rosas e kalanchoes. Para levar essa produção a todo o território nacional, a cooperativa tem uma infraestrutura preparada de expedição que funciona 24 horas por dia e 7 dias por semana.
“Temos um complexo preparado para trabalhar com produtos altamente perecíveis, incluindo mais de 8 mil metros quadrados de câmaras frias, além de sistemas e tecnologias voltados à conservação e à logística de flores e plantas. Essa estrutura foi pensada justamente para manter as condições adequadas de temperatura, mantendo o frescor dos produtos”, explica a gerente de Marketing e Produto na Veiling Holambra, Thamara D’Angieri.
Um dos diferenciais da Veiling Holambra é o modelo de comercialização inspirado nos leilões holandeses de flores e plantas, trazido ao Brasil em 1989 pela cooperativa. São mais de 1 mil clientes ativos que podem arrematar os produtos com lances, como em uma bolsa de valores em que os ativos são coloridos e perfumados.
“Nosso sistema de leilão reverso, o Klok, é ágil e transparente. Registramos, em média, uma transação a cada 1,5 segundo e é o cliente que decide o preço que vai pagar pelo produto. Além da participação presencial no leilão, os clientes também podem comprar remotamente por um sistema de compra a distância conectado ao Klok. Dessa forma, o comprador acompanha o leilão em tempo real pela internet e pode realizar compras sem precisar estar fisicamente na cooperativa, ampliando o acesso aos produtos para clientes de diferentes regiões do Brasil”, detalha a gestora.
As flores cooperativistas também chegam ao mercado por meio de uma plataforma digital de vendas, a Veiling Online, em que os produtores cadastram sua disponibilidade de produtos, com preços, quantidades e datas de entrega. Outro canal é a Intermediação Comercial, voltada a negociações de demandas específicas de clientes.
Em todos os meios, o resultado é a conexão direta entre os produtores de flores e o mercado. “Na prática, isso significa contribuir para a geração de renda no campo, para o desenvolvimento das regiões produtoras e para o fortalecimento da cadeia que envolve produtores, transportadores, atacadistas, floriculturas, supermercados, garden centers, decoradores e muitos outros profissionais”, destaca Thamara. “Esse olhar para o desenvolvimento do setor e das famílias faz parte da atuação cooperativista”.
Cooperado da Veiling HolambraPesquisa e desenvolvimento
Além da estrutura logística e de comercialização, a Veiling Holambra também é referência em inovação. A cooperativa tem um centro de testes que realiza análises de qualidade e durabilidade dos produtos. O objetivo é acompanhar a trajetória das flores e plantas depois que saem do produtor, identificar fatores que impactam sua vida útil e gerar informações que ajudem a oferecer o melhor produto possível ao consumidor final.
Os estudos levaram a cooperativa a utilizar protocolos e requisitos específicos para a movimentação das flores e plantas, como cestos retornáveis próprios para o transporte, reduzindo riscos de contaminação e garantindo a qualidade. Um cuidado que, segundo a gerente, também se estende ao ponto de venda.
“A cooperativa investe no desenvolvimento de equipamentos e soluções de exposição que ajudem a conservar melhor as flores e plantas, além de orientar os clientes sobre boas práticas de apresentação e manutenção dos produtos. Temos, inclusive, uma loja-modelo criada para melhorar a experiência de compra e apoiar os compradores com estratégias de exposição e treinamento das equipes”.
Cooperada da Cofep
Para além das flores
Assim como a Veiling Holambra, outras cooperativas brasileiras atuam no mercado de flores e plantas ornamentais em diferentes partes do país. Em Pilões (PB), a 120 quilômetros de João Pessoa, a Cooperativa dos Floricultores do Estado da Paraíba (Cofep) é pioneira na produção de crisântemos em estufa no estado. Os 34 cooperados – 28 mulheres e cinco homens – também plantam, colhem e comercializam margaridas, amores-perfeitos, cravos e girassois, além de folhagens e flores comestíveis.
Mas a Cofep vai além da beleza das flores produzidas em solo paraibano. A geração de trabalho e renda para as mulheres da região levou a coop a ser reconhecida por promover a autonomia feminina. “A cooperativa trouxe esperança para a comunidade, principalmente para as mulheres que não tinham renda e dependiam dos maridos. A Cofep está sempre unida, incentivando as mulheres a denunciar a violência e ajudando as que mais precisam”, conta a presidente da cooperativa, Maria Helena Lourenço.
Segundo ela, a atuação da cooperativa tem sido fundamental para reduzir os registros de violência doméstica entre as cooperadas, tanto pela independência financeira quanto pela informação sobre seus direitos. “Sempre nos reunimos para discutir esse tema, e defendemos que a mulher deve denunciar e nunca se calar diante de uma violência”, ressalta.
A cooperativa paraibana já recebeu prêmios como o Mulher Empreendedora (Sebrae), Voz Mulher (Banco Mundial), Inovação Tecnológica (Financiadora de Estudos e Projetos - Finep), além de outros reconhecimentos regionais, nacionais e internacionais.
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18/09/2026
Cooperativismo fortalece a inclusão de pessoas com deficiência
Trabalhar, ter renda própria e conquistar a autonomia são dimensões importantes da inclusão das pessoas com deficiência (PcD). Para muitos brasileiros, o cooperativismo tem sido um caminho para alcançar esses objetivos, com oportunidades que valorizam seu potencial e abrem portas não só para o mercado de trabalho, mas também para a participação ativa na sociedade. Essa atuação ganha ainda mais destaque no Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.
“Em várias partes do Brasil, as cooperativas desenvolvem iniciativas voltadas à autonomia, dignidade e inclusão de pessoas com deficiência em seu quadro de colaboradores, assumindo um importante papel de transformação social. Além de combater o preconceito e o capacitismo, essas ações fortalecem a independência, pertencimento e perspectiva de futuro”, destaca Fabíola Nader Motta, superintendente do Sistema OCB, entidade representativa do cooperativismo brasileiro.
Mudança cultural
Uma delas é a Cooperativa Agrícola Sul Mato-Grossense (Copasul), de Naviraí (MS), que começou a incluir pessoas com deficiência há 35 anos, em cumprimento ao Artigo 93 da Lei nº 8.213/1991, a Lei de Cotas, que estabelece a reserva legal de vagas para pessoas com deficiência em empresas com 100 ou mais empregados. Ao longo do tempo, porém, a iniciativa ganhou um significado muito maior, tornando-se parte de uma atuação permanente de valorização desses profissionais.
A obrigação legal deu origem a uma mudança cultural e a Copasul passou a criar oportunidades, preparar seus ambientes, capacitar suas equipes e desenvolver programas de aprendizagem para acolher as pessoas com deficiência em todos os aspectos. Ao todo, 56 integram o quadro funcional da cooperativa, além de 19 participantes do programa de aprendizagem, totalizando 75 colaboradores diretamente envolvidos nas iniciativas de inclusão.
“A Copasul não apenas emprega pessoas com deficiência, mas também abre suas portas para que mais pessoas conheçam a coop, seus negócios, sua cultura e as diversas possibilidades de inserção no mercado de trabalho. Uma das ferramentas para isso é o projeto Portas Abertas, iniciado em 2023, que apresenta as possibilidades de trabalho na cooperativa a estudantes de instituições de educação especializada da região e seus familiares”, explica a gestora de Recursos Humanos da Copasul, Natielli Sayuri.
Segundo ela, para muitas famílias de pessoas com deficiência, conhecer o ambiente de trabalho e conversar com pessoas que já passaram por esse processo ajuda a diminuir inseguranças e a mudar perspectivas. Já para os estudantes, é uma oportunidade de começar a enxergar o trabalho como uma possibilidade concreta para o futuro. “Por isso, nosso objetivo não é apenas aumentar o número de contratações, mas criar trajetórias profissionais sustentáveis, nas quais a pessoa com deficiência possa crescer e construir carreira dentro da cooperativa”, afirma a gestora.
Outra iniciativa de inclusão da Copasul é o Programa Jovem Aprendiz PcD, em que os participantes recebem capacitação e desenvolvem segurança e autonomia em sua primeira experiência no mercado de trabalho. Atualmente, a Copasul tem 19 pessoas com deficiência como aprendizes. “O programa oferece formação, acompanhamento e experiência prática. Dessa forma, o jovem consegue descobrir suas habilidades, compreender melhor o mundo do trabalho e também ser reconhecido pela própria organização”, destaca Natielli.
De acordo com a gestora, a inclusão de pessoas com deficiência transforma o clima organizacional. Líderes e equipes passam a conviver com a diversidade, aprendem novas formas de comunicação e percebem que muitas limitações que imaginavam existir simplesmente não se confirmam quando são oferecidas as condições adequadas.
“Entendemos que não basta contratar uma pessoa com deficiência; é necessário preparar a organização para recebê-la e oferecer condições para que ela se desenvolva. A nossa compreensão é de que acessibilidade não se resume a uma adaptação física. Ela envolve comunicação, informação, tecnologia, processos, comportamento e, principalmente, atitude”, explica a gestora.
Fora dos muros da cooperativa, a Copasul também atua para gerar uma rede de inclusão. Uma das iniciativas capacita o comércio local para um atendimento mais acessível e acolhedor às pessoas com deficiência e neurodivergentes.
“Quando empresas e profissionais estão preparados para receber pessoas com deficiência, novas possibilidades de participação são criadas. A pessoa passa a circular com mais segurança, consumir, trabalhar e ocupar diferentes espaços da comunidade. A inclusão deixa de ser uma ação isolada e passa a gerar um efeito multiplicador, criando mais oportunidades, autonomia, conhecimento e uma comunidade cada vez mais preparada para reconhecer e valorizar a diversidade”, finalizou.
Cooperação pela inclusão
No Paraná, a Unimed Londrina também vem fazendo a diferença com o Projeto Unir, uma iniciativa voltada à inclusão profissional de pessoas com deficiência física, intelectual, auditiva e visual no quadro de colaboradores. O projeto nasceu em 2017, em parceria com instituições especializadas da cidade, e estruturou um processo seletivo diferenciado, que considera as características, habilidades e potencialidades de cada candidato.
A preparação também envolve as equipes que receberão os novos colaboradores. “Foram realizados cursos, orientações e ações de sensibilização para que os profissionais e as lideranças estivessem preparados para acolher e trabalhar com os novos integrantes. Além disso, estabelecemos um acompanhamento mensal, envolvendo as áreas responsáveis e, quando necessário, as instituições parceiras e os familiares”, explica Fabianne Piojetti, gerente de Sustentabilidade da Unimed Londrina.
Após a seleção, os candidatos passam por um período de adaptação para conhecer o ambiente, as atividades e a rotina da cooperativa. Já contratados, recebem acompanhamento no dia a dia e desempenham funções compatíveis com seu perfil, com suporte das equipes.
“O objetivo é favorecer o aprendizado, o desenvolvimento da autonomia, a convivência e a plena integração ao ambiente de trabalho. Ao longo desses anos, o Projeto Unir já proporcionou oportunidades e contribuiu para o desenvolvimento de diversos profissionais, sendo que alguns participaram de processos de recrutamento interno e passaram a atuar em outras áreas e gestões”, conta a gestora.
Em todo o território nacional, com suas 336 cooperativas, a Unimed do Brasil promove diversas ações de conscientização e sensibilização para a inclusão de pessoas com deficiência. Os dados mostram que, entre estes profissionais, a trajetória média na organização é de 4 anos e 39% construíram sua evolução profissional dentro do sistema cooperativista.
“O cooperativismo faz diferença nesse processo porque é um modelo baseado em solidariedade, igualdade e vínculo com a comunidade, o que nos permite enxergar a pessoa com deficiência como agente econômico e intelectual ativo, que contribui para as organizações e para a sociedade ao ampliar a diversidade de experiências, perspectivas e conhecimentos”, destaca Omar Abujamra, presidente da Unimed do Brasil.
Entre as iniciativas nacionais estão a campanha "Eu Ajudo na Lata", que reúne diversas Unimeds na arrecadação de lacres de latinhas de alumínio para reverter o valor na compra de cadeiras de rodas, e o Projeto ExtensIA, da Faculdade Unimed, que desenvolveu um sistema multiagente de inteligência artificial para garantir que uma professora com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) continuasse lecionando com plena autonomia.
Em outra iniciativa inspiradora de inclusão, a Unimed Catanduva (SP) garantiu que pais surdos vivenciassem plenamente o nascimento da filha, com a participação de uma intérprete de Libras no parto.
“Todos têm os mesmos direitos e deveres, e cabe a toda a sociedade garantir que a deficiência não seja uma barreira para exercê-los. Isso significa ir além do cumprimento da Lei de Cotas e criar condições de participação, com acessibilidade, oportunidades e respeito às singularidades, a fim de garantir que elas possam assumir desafios, desenvolver suas competências e construir sua trajetória profissional dentro das cooperativas”, destaca Abujamra.
Fábrica da Inclusão
Em Cariacica/ES, a Fábrica da Inclusão e Loja Social emprega pessoas com deficiência, contribuindo para o fortalecimento de competências técnicas, sociais e comportamentais. O espaço foi erguido com recursos do Fundo Social da Sicredi Serrana, em parceria com a Associação Cariacica Down.
Inaugurada em agosto, a Fábrica reúne 26 participantes, que conseguem vivenciar na prática o atendimento ao público, organização, comunicação, comercialização, relacionamento interpessoal e trabalho em equipe. O objetivo é estimular a inclusão social e a autonomia de pessoas com deficiência, aproximando os participantes do cotidiano profissional e ampliando as possibilidades de inserção no mercado de trabalho.
Inclusão na lei e na prática
As iniciativas do cooperativismo dialogam com a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência, que garante direitos e promove a cidadania.
Principal marco legal do país para a proteção dos direitos de milhões de brasileiros com deficiência, a lei entrou em vigor em 2016 para combater o preconceito e garantir acessibilidade, autonomia, igualdade de oportunidades, eliminação de barreiras e inclusão no mundo do trabalho.
Em 10 anos de implementação, a LBI tem contribuído para uma mudança cultural na forma como a deficiência e as pessoas com deficiência são compreendidas na sociedade brasileira. A deficiência deixa de ser vista apenas como uma questão de saúde individual e passa a ser entendida também como resultado da interação entre as pessoas e o ambiente em que vivem.
Saiba mais: acesse o Guia de Implantação de Estratégias em Inclusão, Diversidade e Equidade e veja como o cooperativismo promove essa agenda. O guia é um material digital acessível a pessoas com deficiência visual e baixa visão, que pode ser utilizado em plataformas de leitura de tela como o NVDA (NonVisual Desktop Access). A publicação foi elaborada com alto contraste de cores, linguagem inclusiva e autodescrição das imagens (fotos).
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