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11/06/2026
Cooperativas de energia são campeãs de satisfação do consumidor
As cooperativas levam energia para 3,5 milhões de brasileiros, principalmente em regiões afastadas das grandes cidades, e com um diferencial que faz delas um destaque no setor: a qualidade. Das 20 melhores permissionárias de distribuição do país, 18 são cooperativas, segundo ranking elaborado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Essa relevância é destacada pelo diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa. “Cito como exemplo o belíssimo trabalho feito pelas cooperativas de distribuição de energia, que possuem taxas elevadíssimas de satisfação junto aos consumidores. Por que essas taxas não se repetem nas grandes empresas? Vale a pena verificar como é feito o atendimento nessas cooperativas e buscar a mesma qualidade em suas gestões”.
A base da avaliação é o Índice de Satisfação do Consumidor (Iasc), que mede a percepção dos consumidores sobre o fornecimento de energia elétrica e os serviços prestados. A nota leva em conta fatores como qualidade, confiabilidade, atendimento, valor percebido(custo-benefício) , facilidade de acesso à distribuidora e clareza das informações disponibilizadas.
Em 2025, mais de 29 mil pessoas de 600 municípios foram consultadas para a elaboração do índice. O resultado, revelado no fim de março, mostra que as cooperativas permissionárias de distribuição de energia elétrica consolidaram uma trajetória de bom desempenho iniciada em 2014, quando foram incluídas na avaliação:
As 7 primeiras posições são cooperativas.
Entre os 10 primeiros colocados, 9 são cooperativas.
Entre os 20 primeiros, 18 são cooperativas.
A maior nota do ranking (84,55) pertence a uma cooperativa.
Qualidade reconhecida
Com base nos dados do Iasc, a agência reguladora concede, todos os anos, o Prêmio Aneel de Satisfação do Consumidor, que destaca as distribuidoras mais bem avaliadas na percepção do consumidor. Este ano, o cooperativismo está representado pela Cooperativa de Distribuição de Energia Elétrica Santa Maria (Codesam), vencedora na categoria “Permissionárias até 10 mil unidades consumidoras”; e pela Cooperativa Elétrica de Cocal do Sul (Coopercocal), primeira colocada entre permissionárias com mais de 10 mil unidades consumidoras e no geral das permissionárias.
“São vários os fatores que levam os consumidores residenciais a avaliar bem cooperativas em comparação com as concessionárias, entre eles a melhor percepção de qualidade do serviço em praticamente todos os 12 itens de avaliação de qualidade na pesquisa. Esse fator interfere diretamente na satisfação dos consumidores, aliado ao sentimento de pertencimento”, explica o responsável pelo Núcleo do Índice Aneel de Satisfação do Consumidor, Leonardo Ivo.
Das 42 empresas que atingiram 70 pontos no Iasc em 2025, 30 são cooperativas, garantindo média de 71,10 para o setor, contra 59,7 da média nacional. De acordo com o representante da agência, o resultado das cooperativas se destaca em relação a outras prestadoras principalmente em três aspectos: informações ao cliente, confiabilidade nos serviços e acesso à empresa.
Para a analista de Infraestrutura do Sistema OCB, Thayná Cortês, os resultados refletem o compromisso do cooperativismo com a ampliação do acesso à energia de qualidade e o desenvolvimento das comunidades onde atua.
“Nas décadas de 70 e 80, as cooperativas foram responsáveis por levar energia para regiões inteiras, principalmente no meio rural, onde muitas vezes não havia interesse das concessionárias. Elas tiveram uma influência direta no desenvolvimento econômico e social de diversas localidades e hoje continuam sendo protagonistas no mercado de energia, atendendo uma demanda ampla e diversificada que exige resiliência de rede, capacidade de adaptação e foco na experiência do consumidor”, avalia.
Referência nacional
Em Santa Catarina, as cooperativas premiadas no Prêmio Aneel de Satisfação do Consumidor 2025 mostram, na prática, como o coop tem feito a diferença na distribuição de energia com qualidade. Reconhecida pelo quinto ano consecutivo na premiação, a Codesam atende 1,5 mil unidades consumidoras do município de Benedito Novo e é ligada ao Grupo Ceesam, maior cooperativa geradora de energia do estado.
O engenheiro eletricista da Codesam, Jocemar Filippi, explica que o sistema elétrico da coop apresenta baixos índices de interrupção no fornecimento de energia, bem como custos reduzidos de operação e manutenção. “Como consequência, temos tarifas competitivas, que se mantêm entre as mais baixas de Santa Catarina no contexto do setor elétrico nacional de forma consistente, assegurando aos consumidores um fornecimento de energia elétrica com elevado padrão de qualidade e confiabilidade”, afirma. Além disso, a Codesam tem a segunda menor tarifa residencial do país, em um ranking de 103 distribuidoras.
Para o presidente da coop, Lorivald Beyer, o bom desempenho entre os consumidores está diretamente relacionado à gestão estruturada e eficiente, aliada ao compromisso com a qualidade dos serviços e à relação próxima com os usuários. “Conhecer minimamente nossas comunidades, famílias e suas necessidades fortalece ainda mais essa conexão. Há um vínculo de confiança nas diretorias, respeito ao cooperado e ao consumidor e entrega de energia com qualidade e eficiência”, analisa.
A preocupação ambiental também é um diferencial do grupo catarinense, que produz energia renovável em pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), sem emissões de gases de efeito estufa. “Nossa atuação fortalece uma matriz energética sustentável. Aqui na coop temos o compromisso de entregar energia limpa e de qualidade aos nossos consumidores”, destaca Beyer.
Tradição em bom atendimento
Primeiro lugar do Iasc por três vezes em oito anos, a Coopercocal conquistou nota 84,55 na premiação de 2025, a maior nota geral do índice nacional.
Fundada há 62 anos em Cocal do Sul, a coop reúne atualmente cerca de 20 mil associados em nove municípios catarinenses, levando energia a 12,5 mil unidades consumidoras. O presidente da cooperativa, Altair Lorival, afirma que a trajetória no Iasc traduz uma “cadeia de dedicação”: consumidores que confiam, colaboradores comprometidos e uma coop focada em entregar o melhor para a população.
“Sempre prezamos por um atendimento de qualidade, com agilidade, cordialidade e preço justo. Outro diferencial é o atendimento próximo e humanizado, além do fácil acesso ao presidente, aos gerentes e a todos os colaboradores, o que fortalece ainda mais o relacionamento com os associados”, disse o gestor.
A Coopercocal também desenvolve um trabalho social junto às comunidades que contribui diretamente para a melhoria da qualidade de vida dos municípios atendidos. No projeto Oficina Bercinho de Anjo, por exemplo, são produzidos kits de berço para grávidas em situação de vulnerabilidade. Também há iniciativas voltadas a mulheres e jovens cooperativistas e, recentemente, foi inaugurado o Coopercocal Inclusiva, que atende cerca de 150 crianças e adolescentes com autismo.
Atenta à transformação tecnológica e sustentável do setor elétrico, a Coopercocal vem se reestruturando para enfrentar desafios e acompanhar as inovações. Uma das perspectivas é criar um braço próprio de geração de energia, com foco em fontes limpas. “A criação da Coopercocal Geração representa uma oportunidade de evolução e crescimento, além de permitir a geração de novos recursos para garantir que os consumidores continuem recebendo energia de qualidade, com preço justo”, ressalta Lorival.
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10/06/2026
Conheça Eliza Brierley, a primeira mulher cooperativista do mundo
O cooperativismo tem números impressionantes: são cerca de 3 milhões de cooperativas pelo mundo, somando 1 bilhão de cooperados e 280 milhões de empregos. Só no Brasil, há mais de 4,5 mil cooperativas e mais de 23 milhões de cooperados, segundo dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2024. Mas você sabia que esse movimento começou com um pequeno grupo de 28 tecelões, no interior da Inglaterra? Entre eles, havia uma mulher que começava a traçar uma nova realidade para aquela época: Eliza Brierley.
Imagine o cenário: Inglaterra pós-Revolução Industrial, um período marcado por desigualdades sociais, exploração do trabalho e uma época em que as mulheres ainda lutavam pelo direito ao voto e eram excluídas da participação econômica. Nesse contexto, com apenas 18 anos, Eliza Brierley se destacou ao desafiar as normas e garantir sua presença na primeira cooperativa do mundo, a Sociedade Equitativa dos Pioneiros de Rochdale, criada em 1844.
Em busca de uma vida melhor e de mais autonomia, em 1846, Eliza conseguiu se tornar membro de pleno direito da cooperativa recém-criada, abrindo portas para outras mulheres de sua época e construindo uma trajetória que inspira cooperativistas até hoje.
“A história de Eliza Brierley mostra como o cooperativismo constrói um mundo melhor para as mulheres, com oportunidades para que elas tenham autonomia financeira e possam se desenvolver e exercer seus direitos com participação democrática”, afirma a gerente-geral do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta.
A entrada da jovem tecelã na cooperativa demonstrou que o cooperativismo é inovador desde a sua origem, como um modelo de negócios inclusivo, em que todos podem prosperar juntos.
Mulheres no coop
Desde Eliza Brierley, a participação feminina no coop tem evoluído continuamente. No Brasil, por exemplo, elas representam 41% dos cooperados – com 9,6 milhões de brasileiras – e são maioria entre os trabalhadores do setor – responsáveis por 52% da força de trabalho.
“O exemplo de Eliza continua vivo e impulsiona mulheres a assumirem papéis de destaque dentro do movimento cooperativista", afirma Fabíola. Além disso, o legado de Eliza Brierley também se traduz na criação de programas de capacitação e incentivo à liderança feminina no coop.
Pioneira e guia de inovação
Eliza Brierley não ficou no passado! No livro Inovação no Cooperativismo - um guia descomplicado para quem deseja inovar mais e melhor no universo do cooperativismo, ela aparece como personagem em realidade aumentada que apresenta conteúdos adicionais aos leitores em cada capítulo.
Em cada capítulo, Eliza facilita a compreensão de conceitos essenciais sobre inovação no coop, tecnologia e mostra como o setor investe continuamente em soluções para gerar resultados e aumentar a competitividade das cooperativas.
Onde está Eliza?
Nossa cooperativista pioneira também virou game! Na plataforma Jogar+Aprender, que oferece conteúdo pedagógico lúdico e informativo para crianças e jovens, a jovem tecelã inglesa é a personagem principal do jogo educativo Onde está Eliza?.
No game, os jogadores precisam encontrar objetos e personagens relacionados ao coop. No primeiro cenário, "Contando a História", Eliza está em uma escola participando de uma exposição sobre cooperativismo, em que são apresentados os diferentes ramos do cooperativismo. O segundo nível, "Coopcity", leva os jogadores a uma comunidade cooperativista, e no terceiro, "Transformando a Cidade", Eliza busca apoio para criar um movimento cooperativista que ajude a melhorar a cidade.
O jogo está disponível na plataforma CapacitaCoop, com acesso gratuito.
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10/06/2026
Conheça times de futebol que têm tudo a ver com o coop
Estamos em clima de Copa do Mundo e a paixão que move milhões de torcedores também revela outra força presente no esporte: a cooperação. Nem todo mundo sabe, mas alguns gigantes do futebol mundial são estruturados em modelos de gestão muito semelhantes ao cooperativismo. São histórias de união, participação e trabalho coletivo – valores que entram em campo e também fazem parte do dia a dia das cooperativas.
A lista incluiu as duas principais equipes da Espanha, times da Alemanha e América do Sul, inclusive do Brasil. “No mundo do futebol, o modelo cooperativo aproxima as pessoas e gera resultados concretos. Os times que adotam a cooperação são inclusivos e comprometidos com suas comunidades, gerando conexões verdadeiras entre torcedores e clubes”, destaca a superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta.
Real Madrid
Uma das grandes potências do futebol europeu e mundial, o Real Madrid chegou ao topo com base na cooperação. Fundado em 1902, funciona como uma composição mista entre sócios e cooperados. São eles que contribuem para o fundo que mantém o clube, elegem o presidente em votação democrática e tomam decisões de forma coletiva, em um modelo de governança bem conhecido entre as cooperativas. No ano passado, o time anunciou a estruturação de um plano para receber investimento e
xterno, mas a mudança também precisa ser aprovada pelos sócios.
Todos os prêmios ganhos pelo Real Madrid compõem o patrimônio do clube. Em 2025, o time espanhol teve o maior faturamento do futebol mundial, com 1,16 bilhão de euros em receitas. Em mais uma característica cooperativista, parte desses resultados é direcionada para a comunidade por meio da Fundação Real Madrid. A instituição desenvolve atividades esportivas, educacionais, culturais e assistenciais com base em valores como trabalho em equipe, transparência, solidariedade e igualdade.
Barcelona
Maior rival do Real Madrid em campo, o Futbol Club Barcelona também funciona em um modelo cooperativo conhecido como fan owned (propriedade dos torcedores). O gigante do futebol reúne 140 mil sócios e foi fundado em 1899 por um grupo de jovens estrangeiros residentes em Barcelona. Desde o início, sua origem remonta a uma forte ligação com a comunidade, especialmente a região da Catalunha.
Com o lema “Mais que um Clube”, o Barça foi idealizado como um clube de integração social, no qual todos pudessem expressar suas opiniões, e foi criado como uma sociedade democrática, livremente governada por seus membros. De lá pra cá, o time já conquistou 32 Copas do Rei, cinco vezes a Liga dos Campeões da UEFA e três Mundiais de Clubes da FIFA, assumindo protagonismo no futebol espanhol e europeu.
As vitórias em campo também impactam iniciativas comunitárias do time, que repassa 0,7% de suas receitas para a Fundação FC Barcelona, braço social do clube que investe no esporte como ferramenta para transformar a vida de crianças e jovens. Esse trabalho é feito em parcerias com entidades como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Bayern de Munique
Na Alemanha, o futebol também tem muito do movimento coop em sua essência. O Bayern de Munique funciona com uma estrutura de associação baseada no tradicional sistema alemão, onde os sócios-torcedores detêm a maioria absoluta do poder de votos, com 75% das ações pertencentes ao próprio clube. O Bayern reúne mais de 400 mil sócios que se sentem pertencentes ao clube por ter voz ativa nas decisões sobre o futuro da equipe. Diferentemente de outros modelos de propriedade privada, os times com base cooperativista valorizam o torcedor como parte da gestão, o que mostra uma governança diferenciada, que privilegia fidelização, engajamento e benefícios exclusivos para os sócios.
O Bayern, por exemplo, oferece cartão personalizado, pacotes de boas-vindas, descontos em produtos oficiais e acesso a eventos exclusivos, além de iniciativas como o Teens Club, que busca aproximar novas gerações. Como resultado dessa estratégia, o Bayern teve receita recorde de 978,3 milhões de euros na temporada 2024-2025, com altos retornos financeiros e credibilidade em campo, mostrando resultados consistentes e investimento em causas sociais e humanitárias que se destacam no mundo do futebol, como o combate ao racismo.
St. Pauli
Quando o assunto é coop e futebol, o tradicional St. Pauli, de Hamburgo, também da Alemanha, acaba de entrar na história pelo pioneirismo. Fundado em 1910 e fortemente alicerçado na comunidade, o clube lançou oficialmente, em 2024, a sua cooperativa: a Football Cooperative St. Pauli. Considerada a primeira cooperativa de futebol profissional da Alemanha, a entidade prevê a associação por meio da compra de cotas equivalentes a ações. Cada uma custa 850 euros, sendo 100 euros destinados à construção de espaços físicos para a cooperativa. Nesse modelo de funcionamento, todos os cooperados terão igual poder de voto e o objetivo é que a cooperativa compre ações majoritárias da empresa que gerencia o Millerntor Stadion, a casa do St. Pauli.
Assim como nas cooperativas que atuam em outros setores, o St. Pauli tem responsabilidade social e promove os interesses de seus membros, funcionários, torcedores e voluntários para além da esfera esportiva. Além disso, tem um forte enraizamento local e promove um modo de vida baseado na cooperação e nos ganhos coletivos.
Mushuc Runa
O futebol nasceu na Inglaterra, mas foi na América Latina que o esporte se transformou em paixão popular e símbolo de identidade coletiva, acumulando conquistas históricas em Copas do Mundo. Em meio a torcidas vibrantes e forte participação das comunidades no esporte, também surgiram exemplos de clubes organizados com base na cooperação.
Um deles vem do Equador, o Mushuc Runa, fundado e financiado por uma cooperativa de crédito indígena. Com 32 agências espalhadas pelo país, a coop existe desde 1995 e atende indígenas que se sentiam excluídos do sistema bancário tradicional. Em 2003, deram um passo para valorizar ainda mais seu povo e sua cultura e fundaram o time de futebol.
Uma das marcas registradas do clube equatoriano é o uniforme que homenageia costumes indígenas. Os jogadores entram em campo com um “ponchito”, uma espécie de manto que protege das baixas temperaturas, roupa que também é usada pelos torcedores.
Há alguns anos, o Mushuc Runa saiu da esfera das competições regionais para competir na Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL). Em 2025, o time indígena alçou novos voos, quando brilhou na Copa Sul-Americana. Mais do que se destacar em campo, o clube de futebol também tem um objetivo social, que é divulgar a cultura, a força e a potência dos povos indígenas de seu país.
Cruz Azul
No México, em 1927, um grupo de operários da fábrica de cimento Cruz Azul se juntou e fundou a Cooperativa La Cruz Azul S.C.L., no estado de Hidalgo. Anos depois, fundou um time de futebol com o mesmo nome. Até hoje, a gestão do time é ligada à cooperativa, mostrando, na prática, que cooperação e futebol têm tudo a ver.
Com união e trabalho coletivo, o Cruz Azul se tornou um das maiores equipes de futebol do México e já conquistou títulos como a Copa do Campeões da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf), Campeón de Campeones, nove títulos nacionais, quatro vezes a Taça do México, uma Supercopa e uma Leagues Cup.
Brasil
No maior campeão de Copas do Mundo da história, a conexão entre cooperativismo e futebol também está presente. Uma das experiências de times cooperativistas em território brasileiro foi a Cooperativa Manchester de Futebol, criada em 1994, em Juiz de Fora (MG). Na época, as equipes do Sport, Tupi e Tupynambás se reuniram com um objetivo em comum: fortalecer o esporte local a partir de uma gestão conjunta. O time encerrou suas atividades em 1996, mas ficou registrado como exemplo de união cooperativa
No Acre, a Cooperativa de Árbitros de Rio Branco (Cooparb) está movimentando o futebol local com a união de quem garante as regras do jogo. Fundada em 2021, a coop tem como cooperados árbitros e assistentes que atuam em torneios amadores, categorias de base e competições profissionais na Região Norte do país. A Cooparb presta serviços de arbitragem para as competições no estado e também capacita os associados para uma melhor atuação profissional.
Patrocínio coop
As cooperativas também incentivam o futebol brasileiro por meio de patrocínio financeiro. O Sicredi apoia grandes campeonatos como a Copa do Brasil de Futebol Masculino; a Brasil Ladies Cup, competição de futebol feminino; o CBF Origens, campeonato com foco no futebol de base brasileiro que promove a inserção de jovens talentos no esporte; e Copa do Brasil de Futsal Feminina e a Masculina. Os principais campeonatos estaduais do Brasil também contam com o apoio da primeira instituição financeira cooperativa do Brasil, como o Paulistão Sicredi, Campeonato Carioca, Gauchão e o Paranaense.
Em 2026, o Sicoob se tornou patrocinador dos campeonatos de futebol catarinense e gaúcho. Há 8 anos, a instituição financeira cooperativa renova a parceria com o Campeonato Brasileiro de Futebol, nas Séries A e B, e investe em presença massiva nos campeonatos estaduais, incentivando equipes locais a se destacarem no esporte que é a paixão número 1 dos brasileiros.
No futebol de salão, a Cresol é apoiadora da Liga Nacional de Futsal (LNF) desde 2016, unindo a força do cooperativismo ao papel transformador do esporte. Além de ter a marca estampada nos ginásios e arenas em todos os jogos da temporada, cooperativas de crédito do sistema também patrocinam times específicos em suas comunidades.
O apoio ao esporte está também em outros ramos do cooperativismo. Em várias partes do país, cooperativas investem equipes que levam a marca coop para milhares de pessoas a cada partida. O Sistema Unimed já patrocinou a Seleção Brasileira e atualmente coopera com times em diferentes estados, como o São Paulo Futebol Clube, dono de uma das maiores torcidas do país.
No Sul, a AuroraCoop é parceira da Chapecoense desde 2007, em uma trajetória marcada por títulos. A Copacol tem uma aliança com o Athletico Paranaense há oito anos, e, além da marca estampada na camisa, fornece seus produtos para as refeições dos atletas e funcionários no centro de treinamento e para os lanches comercializados na Arena da Baixada. Também do Paraná, a Frimesa investe em um dos gigantes do futebol brasileiro, o Sport Club Corinthians Paulista, em uma parceria iniciada em 2025 e renovada para a atual temporada.
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27/05/2026
Maternar é um trabalho cooperativo
Dedicação, afeto, amor, zelo. Para muita gente, essas palavras lembram o significado de mãe, mas atributos associados à criação não devem se concentrar em apenas uma pessoa. Como lembra um conhecido provérbio africano – “é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança” –, o cuidado com os filhos é, na essência, um trabalho coletivo e cooperativo.
Uma rede de apoio coletiva é importante para a saúde mental da mãe, para o desenvolvimento da criança e para a família, de forma geral. Não somente parentes diretos, mas amigos, vizinhos, familiares e educadores podem se engajar na tarefa de preparar uma criança para o mundo.
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostram que o desenvolvimento na primeira infância depende de um ambiente de cuidado responsivo, proteção, vínculo estável e presença de cuidadores que consigam oferecer atenção e segurança. Juntos, esses fatores criam condições concretas para que a criança se desenvolva emocional, cognitiva e socialmente em um ambiente mais estável.
Segundo a especialista Bianca Bonassi, a cooperação no cuidado beneficia toda a família, porque o apoio também melhora a qualidade dos laços. “Quando o cuidado é partilhado, a mãe não ocupa sozinha o lugar do sacrifício permanente, o pai ou outros responsáveis se vinculam mais de perto à vida cotidiana da criança, e a convivência tende a se organizar de forma menos desigual”, compara a vice-presidente do conselho deliberativo do Instituto Promundo, organização não governamental que promove a corresponsabilidade no cuidado e a paternidade ativa para reduzir desigualdades de gênero.
Mães em cooperação
No Espírito Santo, uma cooperativa de saúde tem cooperado com as mães desde a gestação. No mês das mães, a Unimed Sul Capixaba promoveu a roda de conversa “Conexão Materna”, em que as gestantes puderam conversar com profissionais de saúde sobre o início do maternar e todas as transformações físicas e emocionais desse período.
“Foi um momento de diálogo, acolhimento e muito aprendizado com um grupo de profissionais especializados em gestantes, cada um na sua área. Discutimos temas relacionados à gestação na visão de especialistas como fisioterapeuta, psicólogo, médico obstetra, massoterapeuta e enfermeira. Também contamos com orientações de doulas, enfermeira consultora em amamentação e em furinho humanizado de orelha”, detalhou a gestora de Promoção de Saúde da Unimed Sul Capixaba, Adriana Sarzedas.
Com 36 anos de atuação no estado, a cooperativa reúne 476 médicos cooperados e promove ações de educação e informação em saúde de forma permanente para a comunidade. Para as mães e pais, Unimed Sul Capixaba possui um Hospital Materno-Infantil de referência e também apoia as famílias na preparação para receber os bebês em suas rotinas.
Com atendimento humanizado e acolhimento, a coop também coopera com o maternar com cursos pré-parto e orientações sobre lactância. Além disso, as colaboradoras da Unimed Sul Capixaba contam desde 2024 com uma sala de amamentação, um ambiente adequado para dar continuidade ao aleitamento no período de retorno da licença-maternidade.
Iniciativas como essas tornam o trabalho de maternar mais cooperativo e compartilhado, com rede de apoio, divisão de tarefas, sentimentos e experiências, segundo a cooperada da Unimed Sul Capixaba Dayana Debacker. “Estou gestante no quarto mês, é o meu primeiro filho e foi muito especial participar dessa roda de conversa. O meu Dia das Mães foi bem produtivo, pude aproveitar bastante. Tirei muitas dúvidas com a equipe, principalmente a respeito da amamentação”.
Desafios e perspectivas
Apesar do reconhecimento dos benefícios do cuidado compartilhado, estatísticas da Organização do Trabalho (OIT) mostram que muitas mulheres estão sozinhas ou pouco amparadas nessa missão, sobrecarregadas por tarefas domésticas e de cuidado, classificadas como atividades não remuneradas. De acordo com a entidade, as brasileiras dedicam quase dez horas a mais por semana que os homens a trabalhos não remunerados. Em nível mundial, as mulheres realizam 76,2% de todas essas tarefas no mundo, dedicando 3,2 vezes mais tempo do que os homens.
Além disso, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tem 11 milhões de mães solo, que cuidam dos filhos sem apoio de um cônjuge, além de trabalhar fora e gerenciar a casa. Segundo Bianca Bonassi, para reverter essa lógica baseada em sobrecarga e desigualdade, é preciso reconhecer o cuidado como parte da vida coletiva e não uma tarefa exclusiva das mães.
“Assim como no cooperativismo, cooperar na maternidade não é apenas dividir resultados, é reconhecer interdependência. E o cuidado é talvez a expressão mais concreta dessa interdependência. Uma sociedade que naturaliza que uma mulher sustente quase sozinha a reprodução da vida está falhando em algo muito básico”, afirma.
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25/05/2026
Cooperativas promovem economia circular e escolhas sustentáveis
Você já parou para pensar no caminho que os produtos percorrem até chegar à sua casa e, principalmente, para onde vão depois? No modelo tradicional de consumo, a lógica é linear: extrair recursos da natureza, produzir, consumir e descartar. No entanto, o resíduo que geramos não desaparece. É preciso repensar esse modelo, e a resposta para isso tem nome e sobrenome: economia circular.
Esse conceito parte do princípio de que os materiais devem ser reaproveitados ao máximo, mantendo-se no ciclo produtivo. Em vez de esgotar o meio ambiente, o foco é a continuidade. Para o consumidor, essa mudança de mentalidade é guiada por atitudes diárias simples, conhecidas como os 3Rs: Reduzir (comprar apenas o necessário), Reutilizar (dar novas utilidades aos objetos) e Reciclar (garantir que o que seria lixo volte a ser matéria-prima).
Quando essas práticas se unem ao cooperativismo, os impactos ambientais, econômicos e sociais ganham outra dimensão. Alinhadas ao conceito de economia circular, cooperativas de reciclagem, produção sustentável e reaproveitamento de materiais têm ampliado oportunidades de geração de renda, inclusão produtiva e desenvolvimento local em diferentes regiões do país.
Responsabilidade compartilhada
Com o avanço do consumo consciente, da conscientização sobre mudanças climáticas e do papel do do setor produtivo para a sustentabilidade ambiental, a economia circular deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade estrutural. Neste cenário, o cooperativismo tem se posicionado como protagonista.
“As cooperativas de reciclagem desempenham um papel fundamental na construção de uma economia circular, ao garantir que materiais recicláveis sejam reaproveitados de forma eficiente e sustentável. Além de contribuírem para a redução do desperdício e dos impactos ambientais, elas geram trabalho digno e renda para milhares de catadores e catadoras, promovendo inclusão social e produtiva para pessoas em situação de vulnerabilidade”, destaca a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella.
De acordo com o AnuárioCoop 2025, as cooperativas e associações de catadores foram responsáveis pela coleta e destinação de 1,7 milhão de toneladas de resíduos para reaproveitamento, com atuação em mais de 1,7 mil municípios brasileiros. A reciclagem desses materiais evitou a emissão de 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera.
Desafio nas prateleiras
Mas a economia circular começa muito antes do descarte: ela nasce no planejamento da indústria e se reflete nas escolhas do consumidor na hora de fazer as compras. Cooperativas agroindustriais têm assumido a linha de frente dessa transformação, buscando soluções que facilitem a prática diária dos 3Rs.
Na Aurora Coop, a sustentabilidade está integrada à linha de produção. Hoje, 79% das embalagens da cooperativa catarinense vêm de fontes renováveis. “Evitamos o uso de materiais desnecessários e investimos na otimização de insumos, como papéis, plásticos e resinas, buscando soluções recicláveis e, sempre que possível, provenientes de fontes renováveis. Essas medidas impactam positivamente a redução de resíduos, o uso de recursos naturais e os custos operacionais, além de ampliar a eficiência da armazenagem e do transporte”, explica Mateus Cescon Potrich, analista ambiental da cooperativa.
Em setores que produzem itens sensíveis, como lácteos e carnes, o uso de materiais reciclados enfrenta barreiras técnicas e legais, já que a legislação não permite o contato direto do plástico reciclado com o alimento. Para compensar essa restrição, a cooperativa inovou e passou a priorizar o material reciclado em filmes stretch e termocontráteis que envolvem as caixas de transporte — 60% do papelão utilizado pela marca já vem da reciclagem.
“A embalagem exerce um papel estratégico na proteção do alimento. Estruturas adequadamente projetadas são fundamentais para garantir o shelf life [vida útil] dos produtos, contribuindo de forma significativa para a redução do desperdício”, explica a coordenadora de P&D da Aurora Coop, Daniele Becchi. Para orientar o consumidor a fazer escolhas conscientes, as embalagens da AuroraCoop trazem os símbolos de reciclagem estampados.
A economia circular só funciona por meio da colaboração. Em parceria com o Instituto Recicleiros, a Aurora Coop opera a coleta seletiva em 15 cidades em várias partes do país. A iniciativa já resultou em 17,5 mil toneladas de materiais reciclados, atendendo quase 1 milhão de pessoas e gerando 310 empregos diretos. Um dos projetos implantou um sistema de logística reversa em São Gabriel do Oeste (MS) e recuperou quase 1,4 mil toneladas de resíduos – o equivalente a 81% de todas as embalagens comercializadas pela marca no estado.
Força do coletivo
A união entre cooperativismo e economia circular também está transformando o território amazônico. O programa Benevides Recicla é um exemplo de como a colaboração intersetorial amplifica resultados. A iniciativa une a Cooperativa Reciclaben, a Natura, a Prefeitura de Benevides (PA) e a ONG Espaço Urbano.
Em dois anos, o programa coletou mais de 270 toneladas de resíduos recicláveis. Até março de 2026, já contabilizava mais 43 toneladas destinadas corretamente, impactando cerca de 90 ecossistemas locais, entre escolas e espaços comunitários.
“Iniciativas como o Benevides Recicla mostram que a economia circular acontece de forma mais efetiva quando diferentes atores trabalham juntos. O programa conecta educação ambiental, inclusão produtiva e fortalecimento da cadeia de reciclagem local, ao mesmo tempo em que contribui para ampliar a circularidade dos materiais recicláveis”, explica o gerente sênior de Cadeias Sustentáveis da Natura, Sergio Talocchi.
O projeto é baseado na atuação integrada de diferentes atores. A gestão municipal coordena a política pública e as ações intersetoriais; a ONG Espaço Urbano contribui com metodologia e ações de educação ambiental; a Cooperativa Reciclaben atua na triagem e processamento dos resíduos, fortalecendo a geração de renda local; e a Natura apoia o ecossistema por meio de investimentos, capacitação e direcionamento de resíduos provenientes do Ecoparque da companhia em Benevides.
Além disso, o Benevides Recicla integra o Programa Elos, com a integração de 53 cooperativas parceiras, beneficiando cerca de três mil cooperados. “Apoiar soluções construídas em parceria com cooperativas, poder público e sociedade civil também faz parte do compromisso de gerar impacto positivo nos territórios onde atuamos”, afirma Talocchi.
Clique aqui e conheça outras iniciativas sustentáveis das cooperativas brasileiras.
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25/05/2026
Festa junina com produtos de cooperativas
Paçoca, canjica, amendoim, bolo de fubá, milho assado, pamonha, quentão… Basta pensar nessas delícias para lembrar das bandeirinhas coloridas, das músicas animadas e fogueiras que aquecem o coração dos brasileiros nesta época do ano. Nascidas no Nordeste e espalhadas por todo o país, as festas juninas carregam sabores, tradições e memórias afetivas que atravessam gerações. Agora imagine reunir família e amigos em volta da mesa com um cardápio junino preparado com produtos de qualidade, feitos com propósito e cheios de cooperação?
Sim, é possível preparar uma festa junina com produtos 100% cooperativistas. Em todo o país, as cooperativas reúnem produtores, fortalecem comunidades e ajudam a levar à mesa de milhões de pessoas os sabores mais tradicionais desta época do ano. O trabalho dos cooperados está presente em ingredientes que não podem faltar nas receitas juninas, como milho, leite, amendoim, rapadura e muitos outros. Afinal, onde tem festa junina, tem coop!
Bolos, pamonha e canjica
Na Paraíba, quando chega o São João, a cozinha ganha outro ritmo para a cooperada Maria Lenilda Nascimento. Cozinheira de mão cheia e apaixonada por mesa farta, ela se junta a outros cooperados da Cooperativa da Agricultura Familiar de Bananeiras (Coopafab) para preparar pamonha, canjica (conhecida como curau em outras regiões do país) bolos de milho, mandioca, fubá e o tradicional pé-de-moleque.
As iguarias são feitas com ingredientes produzidos por agricultores familiares, inclusive os próprios cooperados da Coopafab, garantindo a origem sustentável e a qualidade do que vai chegar à mesa dos consumidores. Os doces juninos são comercializados no armazém da cooperativa e também entregues em padarias e nas escolas da região do Brejo Paraibano.
Na temporada de festas juninas, as vendas aumentam em mais de 100%, motivo de felicidade para os cooperados e para os turistas que aproveitam o cardápio tipicamente nordestino. “É muito gratificante ter o apoio da cooperativa nesse período, porque assim a gente pode oferecer um produto de qualidade e melhorar a nossa renda. Cerca de 90% da nossa produção na cooperativa nessa época de junho é de comidas típicas, então também contratamos mais gente para ajudar no preparo das receitas”, conta Maria Lenilda.
Milho
Base de quase todas as receitas das festas de São João, o milho está em iguarias doces e salgadas que não podem faltar nas barraquinhas. No Oeste da Bahia, região de destaque nacional da produção do grão, a Cooproeste produz cerca de 5 toneladas por mês e é referência no local há 30 anos, reunindo 160 produtores cooperados.
A colheita é feita sempre em junho e depois revendida para consumo humano, animal e para a indústria de etanol. Os grãos que saem de lá são transformados em produtos como farinha de milho, flocos de milho e milho verde enlatado de diferentes marcas, levando o produto coop baiano para consumidores em supermercados de várias partes do país.
Amendoim
Você sabia que o estado de São Paulo produz mais de 90% do amendoim nacional? Dessa leguminosa vem a paçoca, o pé-de-moleque e outras receitas clássicas das festas juninas. Uma das cooperativas mais tradicionais do estado é responsável pela produção de 90 mil toneladas de amendoim por ano, a Cooperativa Agroindustrial Coplana, que atua no setor desde 1960 e reúne 1,4 mil cooperados.
Além de abastecer o mercado interno fornecendo o produto para marcas como Nestlé e outras empresas nacionais, a Coplana exporta para mais de 40 países nos cinco continentes. A coop também produz cana-de-açúcar, matéria-prima da cachaça para o quentão, outra tradição junina.
“As cooperativas são de extrema importância para produzir os alimentos que são consumidos nessas festas típicas. Essa época do ano é parte importante do faturamento anual da cooperativa que, juntamente com as receitas dos outros meses, faz parte da cesta de remuneração dos produtores”, afirma o presidente da Coplana, Bruno Rangel.
Rapadura
Em Triunfo, no sertão pernambucano, a Cooperativa de Produção e Comercialização da Agricultura Familiar Orgânica Agroecológica (Coopcafa) aumenta em até 10% o faturamento em junho por causa das festas tradicionais. A coop comercializa produtos derivados da cana de açúcar, como rapadura, melado e açúcar mascavo, além de derivados de milho e feijões, produzidos por 48 agricultores familiares cooperados.
A rapadura da Coopcafa pode ser encontrada na maioria dos supermercados do estado, já o açúcar mascavo é revendido para uma grande marca que comercializa o produto em outras partes do país. A presidente da Coopcafa, Nadjanécia Guerra, destaca o papel da agricultura familiar para as celebrações juninas.
“As cooperativas agropecuárias levam a tradição do São João celebrado no Nordeste para outras regiões e famílias brasileiras, principalmente contribuindo no preparo das comidas típicas. É uma época muito boa de faturamento para os nossos cooperados porque as pessoas adquirem mais os produtos que carregam a cultura nordestina”.
Leite
Em Goiás, a Cooperativa Mista dos Produtores de Leite de Morrinhos (Complem) também contribui para as receitas juninas no Centro Oeste do país. Fundada em 1978, a coop é referência nacional na produção de leite, bebidas lácteas, queijos, doce de leite, creme de leite, manteiga e requeijão. Nos supermercados, os produtos da coop são vendidos com a marca Compleite e o carimbo SomosCoop.
Já no Piauí, a Cooperativa dos Produtores de Leite do Piauí (Coopileite) tem pouco tempo de fundação, mas já reúne 300 produtores rurais de diferentes regiões do estado. A coop coleta e comercializa mais de 100 mil litros de leite por mês, volume expressivo para uma cooperativa com menos de um ano de operação.
Durante o período junino, a demanda pelo leite e derivados produzidos pela cooperativa piauiense aumenta tanto nos programas governamentais de compra de alimentos – que beneficiam escolas e famílias – quanto no comércio local e regional, garantindo que a tradição nordestina seja também um motor de desenvolvimento econômico e social para quem produz.
“As cooperativas agropecuárias são pilares das festas juninas no Nordeste. Quando pensamos em uma mesa de São João – com queijo coalho, manteiga da terra, bolo de milho, canjica e tantos outros pratos – estamos falando de alimentos que, em grande parte, vêm das mãos dos agricultores familiares organizados em cooperativas. Sem essa estrutura de produção coletiva e distribuição organizada, seria muito mais difícil garantir abastecimento, qualidade e preço justo para o consumidor final durante um período de demanda tão intensa”, avalia o presidente da Coopileite, Lourenço Nunes.
Com encontrar produtos coop
Ficou com vontade de provar receitas juninas com produtos de cooperativas? Na hora de ir às compras, procure o carimbo SomosCoop nas embalagens. Ele é a marca das cooperativas brasileiras e garante que o produto foi feito de forma sustentável, com trabalho justo, valorização dos produtores e impacto econômico e social para as comunidades. Na próxima ida ao supermercado, faça como a apresentadora Ana Maria Braga e outros milhões de brasileiros: escolha consciente, escolha o coop!
Além do cardápio, as cooperativas também fazem parte da estrutura que movimenta as festas juninas no Nordeste. Em Campina Grande (PB), sede do “Maior São João do Mundo” – com um mês de festa e capacidade para 73 mil pessoas por dia –, a Cooperativa Extremo atua no transfer de visitantes para a festa.
Os 26 cooperados também fazem viagens para outras cidades paraibanas que realizam grandes festejos tradicionais nessa época, como Bananeiras, Cabaceiras, Galante e Santa Rita. De acordo com a diretora operacional da cooperativa, Cacilda Mendes, a demanda aumenta em até 80% no período de São João, especialmente por parte dos turistas.
“É um dos períodos mais importantes para o faturamento dos cooperados, pela geração de renda e fortalecimento da cadeia produtiva do turismo regional”, avalia. “Além disso, temos uma atuação especializada no transporte de artistas, equipes técnicas e empresas que realizam ativações nas grandes festas”, complementa.
Na hora de montar o look junino, as coops também estão presentes! Se a ideia é investir em calçados e acessórios com um toque sertanejo, a Arteza, cooperativa de Cabaceiras (PB) tem opções com a cara do Nordeste.
São sandálias, botas, chapéus, bolsas, carteiras e mochilas confeccionadas manualmente, com couro legítimo, valorizando técnicas artesanais passadas de geração em geração. Os produtos da Arteza estão disponíveis na loja física no interior da Paraíba, no site da cooperativa e no MarketCoop, o marketplace das cooperativas brasileiras.
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