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Dia da Igualdade Feminina: conheça 5 mulheres líderes do coop

Ter mais mulheres em cargos de gestão é vantajoso para as instituições, segundo pesquisa da consultoria Bain & Company. De acordo com o levantamento, organizações com mulheres na liderança geram até 15% a mais de resultados, com ganhos de inovação, engajamento interno, capacidade de retenção de talentos e desempenho financeiro. No cooperativismo, modelo de negócios que valoriza as pessoas, a diversidade de gênero também fortalece a governança e a capacidade das cooperativas de gerar impacto positivo nas comunidades em que estão inseridas.

De acordo com o AnuárioCoop 2026, as mulheres são 20,3% dos dirigentes de cooperativas brasileiras, um percentual que ainda aponta desafios, mas que têm evoluído de forma contínua desde 2020. Em alguns setores de atuação do cooperativismo, como o ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços, elas já representam 47,6% das lideranças.

No Dia Internacional da Igualdade Feminina, celebrado em 26 de agosto, conheça cinco mulheres que estão transformando o cooperativismo em um movimento mais representativo e diverso: 

tania zanella 2026 1cb9af0fc45e6d05Tania Zanella

A presidente executiva do Sistema OCB – entidade de representação das cooperativas brasileiras – é a primeira mulher a ocupar este cargo. Em uma trajetória marcada pelo pioneirismo, também havia sido a primeira superintendente, gerente-geral e gerente de Relações Institucionais da organização. “Promover a liderança feminina não é apenas justiça social, mas uma estratégia de futuro para o cooperativismo”, afirma.

Natural de Santa Catarina, Tania é advogada e tem ampla experiência em representação institucional. Listada pela revista Forbes como uma das 16 mulheres mais poderosas do Brasil, ela também preside o Instituto Pensar Agropecuário (IPA). Reconhecida por sua capacidade de gestão e articulação, Tania destaca a importância de abrir portas para que mais mulheres conquistem espaços de decisão no cooperativismo. “Não é apenas sobre a minha trajetória, é sobre o que ela simboliza. Quando uma mulher chega a um espaço de liderança, ela amplia o horizonte de possibilidades para muitas outras. A representatividade importa porque transforma expectativas e expectativas transformam realidades”.

 

 

heloísa helena sicredi 540a0ead2afe67c9Heloísa Helena Lopes

A vice-presidente da cooperativa de crédito Sicredi Pioneira foi a primeira brasileira a receber o reconhecimento internacional da Global Women 's Leadership Network (GWLN), iniciativa promovida pelo Conselho Mundial de Cooperativas de Crédito (WOCCU). A líder cooperativista conta que se inspirou na força e coragem da mãe para conquistar espaços e posições ao longo de sua trajetória e que é preciso apoiar mais mulheres a fazer o mesmo, com capacitação e suporte.“Também é importante criar espaços onde mulheres possam trocar experiências com as outras, as cooperativas podem promover essa formação conjunta, esse espaço de desenvolvimento das mulheres”, sugere. 

Segundo Heloisa, a presença feminina na gestão se reflete nos resultados concretos,  gerando negócios mais sustentáveis, guiados pela empatia e colaboração, valores que fortalecem a cultura cooperativista. “As mulheres têm uma visão de longo prazo, uma governança equilibrada, que são elementos essenciais para que a gente possa cada vez mais desenvolver as nossas cooperativas. Quando a gente fala em decisões complexas e diversas, sabemos que as mulheres trazem múltiplas perspectivas”.

 

 

tionilia 1 9964e1bc694e9521Tionilia Cristina de Souza Gomes

Primeira mulher a integrar o Conselho de Administração da Cooperativa de Transportes Autônomos de Carga (Coopmetro), Tionilia começou no cooperativismo em 2009, acompanhando o marido em um caminhão de transporte de leite pelas rodovias de Minas Gerais. De lá para cá, se capacitou, conquistou espaço na liderança e tem trabalho para que mais mulheres também alcancem cargos de gestão. 

De 20 cooperadas mulheres em 2018, hoje a Coopmetro tem 600, um crescimento que orgulha Tionilia e a inspira a seguir atuando para fortalecer a participação feminina. Para esse avanço, segundo ela, é fundamental investir na educação e formação das mulheres que vão se tornar líderes dentro das suas cooperativas. “Temos que mostrar quem somos com resultados. Porque contra fatos não há argumentos. Se uma mulher mostra a capacidade e competência, isso é inquestionável na sua trajetória profissional”.

rosa maria dos santos de souza coopidade a72244bafb7da1f1Rosa Maria dos Santos de Souza

“Quais portas podemos abrir dentro das cooperativas para as mulheres?” Essa reflexão tem guiado a trajetória da diretora da Cooperativa dos Cuidadores de Idosos e Doentes Dependentes (Coopidade), Rosa Maria dos Santos de Souza, há mais de 20 anos. Fundada em 1999, a Coopidade começou com 20 cooperados, em uma época de consolidação da profissão de cuidador de idosos, e hoje reúne 250 associados.

Além de cargos de liderança em sua própria cooperativa, Rosa Maria atua pela inclusão de mais mulheres no cooperativismo do Rio de Janeiro, estimulando a formação de comitês de gênero e a formação de novas líderes. “Para garantir mais mulheres dentro do cooperativismo, os comitês são muito importantes, porque é onde a gente se sente com mais energia. São espaços fundamentais, onde elas têm seu trabalho valorizado e levam essa motivação para dentro das suas cooperativas”.

 

 

valdirene santos oliveira ser sertao ba 8646d619913acaeeValdirene dos Santos Oliveira

A presidente da Ser do Sertão, da Bahia, se orgulha de liderar uma cooperativa fundada por mulheres e que, desde o começo, valoriza a participação feminina nos espaços de decisão. “Criamos uma estrutura e mecanismos para garantir a paridade de gênero tanto no Conselho Fiscal como no Conselho de Administração, está no estatuto”, explica Valdirene. 

Segundo ela, liderar uma cooperativa agropecuária – setor em que os homens são maioria entre os gestores – é uma quebra de paradigma e uma missão que vem acompanhada da responsabilidade de abrir caminho para outras mulheres. “A presença feminina transforma tanto o ambiente de trabalho  como o resultado dentro da equipe. Nós defendemos que a mulher tenha seu espaço e condições para gerar esse impacto”, afirma. O caminho para isso, de acordo com Valdirene, é a capacitação. “Não basta só dizer que a mulher tem que estar à frente da cooperativa, a gente tem que se mover para isso. As cooperativas que têm mulheres à frente se tornaram um negócios mais preparados para o mercado”.

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