Como você lida com conversas sobre dinheiro? Embora o assunto muitas vezes seja desafiador dentro das famílias, especialistas apontam o planejamento financeiro como uma ferramenta essencial para alcançar mais segurança e autonomia nas decisões. Seja para fazer uma viagem, investir em qualificação profissional, abrir um negócio ou conquistar a casa própria, a lógica é simples: quem organiza as finanças consegue transformar objetivos em metas concretas e fazer escolhas conscientes ao longo do caminho.
A necessidade desse planejamento fica evidente diante da realidade financeira dos brasileiros. Dados da Serasa mostram que o número de pessoas inadimplentes no país chegou a 81,7 milhões em março de 2026, um crescimento de 38,1% em relação a 2016. Pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha revela que 31% da população não possui reserva financeira, enquanto apenas 21% dos entrevistados afirmam ter participado de aulas, cursos, treinamentos ou palestras sobre o tema.
É nesse contexto que as cooperativas de crédito se destacam como instituições que promovem a educação financeira como um caminho para escolhas mais seguras e sustentáveis. Além de oferecerem produtos e serviços com taxas competitivas, elas atuam na orientação e conscientização sobre o uso responsável do dinheiro, contribuindo para que mais pessoas desenvolvam hábitos financeiros saudáveis, fortaleçam sua capacidade de planejamento e tomem decisões mais conscientes.
Em todo o país, 742 cooperativas de crédito reúnem mais de 23 milhões de brasileiros e contam com mais de 10 mil postos de atendimento. Com presença em todas as regiões e vínculos sólidos com as comunidades em que atuam, as cooperativas ampliam o acesso a serviços financeiros e contribuem para a dinamização econômica. De acordo com estudo realizado pelo Sistema OCB em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a presença do cooperativismo de crédito favorece a inclusão financeira, a oferta de crédito local e o fomento das regiões de atuação, fortalecendo o desenvolvimento econômico e social dos municípios.
Tradição em planejar
No Sul do Brasil, o Sistema Ailos oferece aos seus mais de 1,8 milhão de cooperados soluções que vão muito além de contas correntes, cartões de crédito, consórcios ou investimentos. O sistema de cooperativas de crédito catarinense é especialista em promover hábitos mais conscientes e incentivar o planejamento por meio da educação financeira.
“Quando aliamos o conhecimento sobre comportamento financeiro ao planejamento e ao orçamento, as decisões se tornam mais claras, práticas e conscientes. É um movimento integrado que contribui para o desenvolvimento do senso de prioridade e responsabilidade, permitindo que as pessoas façam suas escolhas alinhadas aos seus objetivos de vida”, explica Raquel Stumpf, especialista em Educação da cooperativa.
Entre as iniciativas de destaque está a Ailos Educação, plataforma gratuita que reúne cursos, palestras e conteúdos sobre finanças pessoais, planejamento, empreendedorismo e gestão do orçamento familiar. Criado em 2002, o programa já beneficiou mais de 5 milhões de pessoas.
“Além das capacitações, as cooperativas do Sistema Ailos também atuam de forma próxima no atendimento aos cooperados, buscando compreender cada realidade para orientar renegociações, reorganizar as finanças e estimular o uso consciente do crédito. Esse acompanhamento humanizado é um diferencial do cooperativismo e contribui para que muitos cooperados consigam retomar o equilíbrio financeiro”, destaca a especialista.
Economia comportamental
No Sicredi, a educação financeira também é uma prioridade e se traduz em iniciativas voltadas aos mais de 10 milhões de cooperados. Para a instituição, promover bem-estar financeiro exige mais do que ensinar conceitos e cálculos. “Acreditamos que a chave para promover o bem-estar financeiro está na mudança de comportamento. Por isso, nossas iniciativas vão além do conhecimento técnico e incluem a compreensão das emoções, desejos e necessidades que influenciam as decisões do dia a dia”, afirma Cristiane Amaral, gerente de Educação Financeira da Fundação Sicredi.
Além da orientação oferecida nas agências por mais de 3 mil gerentes capacitados para conduzir conversas consultivas e personalizadas, o Sicredi também tem programas como o Cooperação na Ponta do Lápis e o Finanças na Mochila, com conteúdos para diferentes públicos e faixas etárias.
Outra iniciativa de destaque é a incorporação do Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (I-SFB) ao aplicativo do Sicredi, em parceria com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). A ferramenta permite que os cooperados façam um auto diagnóstico de sua saúde financeira e já foi utilizada por mais de 80 mil pessoas. Já a plataforma Sicredi na Comunidade disponibiliza cursos on-line gratuitos para diversos públicos, enquanto colaboradores têm acesso a trilhas específicas de capacitação financeira por meio do Sicredi Aprende.
Na avaliação da especialista do Sicredi, os brasileiros ainda apresentam fragilidades na relação com o dinheiro, refletidas no baixo nível de planejamento, no endividamento e na predominância de decisões de curto prazo. “Nesse cenário, as cooperativas podem desempenhar um papel transformador, apoiando melhores decisões e fortalecendo a autonomia financeira. Indicadores do Sicredi mostram que os associados que participam de ações de educação financeira melhoram seu nível de risco, reduzem a inadimplência e ampliam suas reservas de emergência”, compara Cristiane.
Educação financeira na prática
Quer um exemplo de orientações das cooperativas de crédito para manter o orçamento equilibrado? O diretor comercial do Sicoob Credicom, Orestes Miraglia, compartilha algumas dicas para aproveitar o período de restituição do Imposto de Renda para organizar as finanças:
1. Comece pelas dívidas mais altas
Com o valor da restituição, por menor que seja, prefira pagar pelo menos uma parte das dívidas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial, que têm juros mais altos. “É interessante reduzir o saldo da dívida porque isso reduz o impacto dos juros ao longo do tempo”, explica o gestor.
2. Olhe para o que ainda está pendente
Se continuar com dívidas a pagar, o próximo passo é planejamento. Crie um plano mensal e uma estratégia, como focar na dívida mais cara primeiro, para ajudar a acelerar a recuperação financeira.
3. Quitar ou investir?
Na maioria dos casos, não há dúvida: quitar tudo é a melhor decisão, porque em geral os juros das dívidas superam os rendimentos de aplicações financeiras.
4. Amplie sua reserva financeira
Quem não tem dívidas deve priorizar a formação de uma reserva financeira para imprevistos e para oportunidades, como viagens, um curso ou uma pequena reforma. “O recomendado é saber a média de custo de vida mensal e ter uma reserva equivalente a pelo menos três vezes esse custo”, sugere.
Tradição em planejar