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Por que as cooperativas de crédito são símbolos de estabilidade?

Imagine precisar de crédito para tirar um negócio do papel, ampliar uma pequena empresa, investir em um projeto da família ou realizar algum sonho. Entre 2018 e 2023, o crédito concedido pelas cooperativas movimentou, em média, R$ 135,1 bilhões por ano na economia brasileira e esteve associado à geração de cerca de 1,2 milhão de empregos anuais, formais e informais. Os dados são do estudo Impactos do Cooperativismo de Crédito, realizado pelo Sistema OCB e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), com base em informações do Banco Central do Brasil e do Instituto Brasileiro de dicc bannerGeografia e Estatística (IBGE). 

Esses números ajudam a dimensionar a atuação do cooperativismo financeiro no Brasil, que reúne 22,9 milhões de cooperados e integra um setor global com atuação em quase 100 países. Anualmente, em outubro, o papel do segmento para o desenvolvimento econômico e a inclusão financeira é reconhecido com o Dia Internacional das Cooperativas de Crédito (DICC), que em 2026 trouxe o tema “Cooperativas de Crédito: um símbolo da estabilidade em um mundo de oportunidades”. 

Segundo Paul Treinen, presidente do Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (WOCCU, na sigla em inglês), o conceito destaca a relação de confiança e proximidade entre as cooperativas, seus cooperados e as comunidades onde atuam. “Vivemos em um mundo que puxa as pessoas em mil direções ao mesmo tempo. As cooperativas de crédito sempre foram um antídoto para esse caos: um lugar onde as pessoas sabem que são reconhecidas, ouvidas e atendidas tendo seus melhores interesses em mente”, explica. 

Mas o que, afinal, sustenta essa estabilidade? Destacamos cinco razões que conectam o tema do DICC ao dia a dia das cooperativas de crédito:

1 - Gestão democrática 

Nas cooperativas de crédito, os associados são donos do negócio, têm voz nas decisões e participação nos resultados. Para Thiago Borba, coordenador do Ramo Crédito no Sistema OCB, essa estrutura ajuda a explicar a estabilidade do segmento e a relação de confiança construída com os associados. “A estabilidade das cooperativas de crédito nasce da própria essência do modelo cooperativista. O cooperado não é apenas cliente: ele é também dono da instituição e participa dos seus resultados e das suas decisões. Isso cria uma relação de longo prazo, fortalece a governança e faz com que os recursos permaneçam mais próximos das comunidades onde foram gerados.”

2 -  Pessoas em primeiro lugar 

A estabilidade financeira também aparece na capacidade de apoiar famílias e empresas quando as condições econômicas dificultam projetos e investimentos. Nessas circunstâncias, o crédito cooperativo pode ajudar a manter atividades e dar continuidade aos negócios. Para Ênio Meinen, diretor de Coordenação Sistêmica, Sustentabilidade e Relações Institucionais do Sicoob, as cooperativas são capazes de conciliar o cuidado na gestão dos recursos com o atendimento às necessidades dos cooperados.

“É justamente nessas circunstâncias que o cooperativismo financeiro evidencia sua relevância, ao manter uma disposição permanente de contribuir para que pessoas e negócios encontrem condições de seguir adiante, sobretudo fornecendo crédito”, afirma. Segundo Meinen, esse apoio exige conhecer as necessidades dos cooperados e avaliar quais alternativas fazem sentido para cada situação. “A presença das cooperativas contribui para preservar e estimular a capacidade produtiva dos territórios, especialmente em regiões onde pequenos negócios, atividades agropecuárias e empreendimentos familiares exercem papel fundamental na geração de renda.”

3 - Segurança e regulação 

A estabilidade das cooperativas de crédito também está ligada às regras de gestão e governança do setor. Assim como as demais instituições financeiras, elas estão sujeitas à regulamentação e à supervisão do Banco Central. Segundo Thiago Borba, a combinação entre a participação dos cooperados e mecanismos de proteção fortalece a confiança no segmento. “Somada a uma estrutura sólida de regulação, supervisão e proteção, essa característica faz do cooperativismo de crédito um agente de confiança, capaz de manter sua presença e apoiar seus cooperados mesmo nos períodos mais desafiadores da economia.”

4 - Raízes na comunidade

As cooperativas de crédito estão presentes fisicamente em 59% dos municípios brasileiros. Em Roraima, o presidente do Sistema OCB/RR, Silvio de Carvalho, destaca a importância dessa atuação para as economias locais. “Aqui, o cooperativismo financeiro tem um papel estratégico ao ampliar o acesso ao crédito e aos serviços financeiros, apoiar produtores rurais e pequenos empreendedores e estimular a educação financeira. Essa proximidade com os cooperados permite conhecer suas necessidades e oferecer soluções que contribuam para seus negócios e projetos”, comenta. 

A proximidade também permite às cooperativas conhecer as necessidades dos associados e oferecer soluções financeiras adequadas a diferentes momentos de vida e de negócio. Para Rogério Machado, superintendente de Cooperativismo do Sicredi, esse relacionamento está diretamente ligado ao compromisso do modelo com o desenvolvimento das comunidades. “Em um cenário de constantes transformações econômicas e sociais, as cooperativas de crédito contribuem para ampliar o acesso a soluções financeiras, apoiar pessoas e empresas e fortalecer as economias locais”, explica. 

Os efeitos da atuação das cooperativas também aparecem nos indicadores econômicos dos municípios, evidenciados no estudo do Impactos do Cooperativismo de Crédito: a presença local de cooperativas de crédito está associada a um Produto Interno Bruto (PIB) per capita R$ 3,8 mil maior, 10% acima da média; a 25,3 empregos formais a mais por mil habitantes (15,1% a mais que média) e a 3,2 estabelecimentos adicionais por mil habitantes (15,6% maior que a média),

5 - Presença consolidada 

No Brasil, o cooperativismo de crédito  reúne 682 cooperativas e mais de 10 mil pontos de atendimento, com  R$ 1,15 trilhão em ativos, R$ 516 bilhões em carteira de crédito e R$ 590,1 bilhões em depósitos. 

Essa participação expressiva no sistema financeiro se traduz no apoio às economias locais, com recursos destinados a financiar atividades produtivas onde as pessoas mais precisam e movimentar a economia nos territórios onde as cooperativas atuam. “Ao mobilizar a poupança local e direcionar recursos para financiar iniciativas produtivas ali mesmo, o cooperativismo favorece a circulação de riqueza, fortalece cadeias econômicas e amplia as oportunidades de desenvolvimento”, afirma Ênio Meinen.

No mundo, o setor setor reúne 420 milhões de cooperados em 93 países. São aproximadamente 61.838 cooperativas de crédito, com mais de US$ 3,98 trilhões em ativos, segundo dados do WOCCU.

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