Notícias

Trabalho com propósito? O coop tem!

Os brasileiros querem trabalhar em instituições alinhadas com seus valores, principalmente em relação à ética, responsabilidade social e impacto ambiental. De acordo com o estudo Workmonitor 2025, da Randstad, 58% dos trabalhadores consideram fundamental essa convergência entre valores pessoais e organizacionais; e 85% valorizam o senso de comunidade e afirmam ter melhor desempenho quando se sentem pertencentes ao ambiente de trabalho. Nesse novo cenário do mundo laboral, o cooperativismo se destaca com um modelo de negócios que coloca as pessoas no centro, promove a gestão democrática e estimula relações mais colaborativas. 

Em todo o país, as cooperativas empregam mais de 578 mil pessoas, segundo dados do AnuárioCoop 2025, além de representarem o meio de trabalho de milhões de cooperados que decidiram empreender de forma coletiva. Os dados demonstram a capacidade do coop de gerar oportunidades e impacto social por meio da inclusão e valorização de quem produz. 

“Ao unir propósito e resultado, as cooperativas criam ambientes em que o trabalho ganha significado, fortalecendo o engajamento, a produtividade e o compromisso coletivo com o desenvolvimento sustentável”, afirma a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella. 

Para compreender o propósito por trás desses números, o SomosCoop ouviu profissionais cooperativistas de diferentes estados, ramos e gerações do cooperativismo. Em comum, eles compartilham a mesma certeza: de que escolheram ou foram escolhidos por um modelo de trabalho que transforma não apenas trajetórias profissionais, mas vidas inteiras. 

Modelo transformador

Valdirene Santos entrou na Unimed Araguaína, no Tocantins, há 22 anos, em um dia comum de busca por emprego. Sem conhecer o cooperativismo, deixou o currículo na recepção e foi chamada para o processo seletivo. Hoje, gerente geral da cooperativa, ela acompanha de perto o impacto do modelo na vida de colaboradores, cooperados e da comunidade local. 

“Não apenas trabalho com cooperativismo. Eu vivo esse propósito. Me emociono e me sinto privilegiada em contribuir para que pessoas cresçam, se desenvolvam e alcancem melhores condições, tanto profissional quanto pessoal. Para mim, cada resultado tem um rosto, cada conquista tem uma história”, conta.

image3 2db35

Para ela, o diferencial do cooperativismo está no cuidado que extrapola o ambiente de trabalho. Valdirene recorda que, alguns anos atrás, ao saber da situação de um colega que não tinha condições financeiras de viajar para se despedir da mãe doente em Recife, mobilizou a equipe para uma ação solidária. “Em nenhum momento as pessoas colocaram dificuldade em ajudar. Pelo contrário, todo mundo queria participar. Foi um momento muito lindo e gratificante”.

Alinne Santos chegou ao cooperativismo pela advocacia. Há nove anos, atuava em um escritório privado prestador de serviços a uma cooperativa médica quando passou a conhecer melhor o modelo. Ao surgir uma vaga como coordenadora jurídica, não hesitou em participar do processo seletivo. Desde então, passou por quatro cooperativas de saúde, evoluindo do jurídico para o compliance, a governança corporativa e, hoje, a gestão executiva da Unimed Federação de Mato Grosso do Sul

"O cooperativismo me desafiou, mas me deu, e continua me dando, instrumentos para que eu pudesse alçar novos voos. Saber que você é capaz e que existe uma cooperativa que acredita na sua capacidade é incrível", explica a gestora.

image1 1aca5

Segundo Alinne, as cooperativas têm compromisso com a formação e a capacitação contínua dos colaboradores, o que faz toda a diferença. “Conheço inúmeras histórias de pessoas que trilharam carreiras sólidas em cooperativas, tendo galgado degraus gradativamente, porque a cooperativa propiciou esse desenvolvimento”, lembra. 

Reconhecimento diário

A coordenadora de Comunicação e Marketing do Sicoob Unique BR, Jacqueline Alves Cordeiro,  soma mais de 12 anos de atuação entre Sicredi, Unimed e Sicoob. Ela descreve o modelo como um encontro de valores. 

“Em empresas tradicionais, trabalha-se para números; aqui, trabalhamos para pessoas. Sou apaixonada por esse modelo e estou muito feliz em estar aqui, contribuindo para uma economia mais humana e justa”, destaca a profissional. 

A percepção é compartilhada por Vitória Caroline Silva Ortiz, que ingressou no Sicoob Unique BR em 2018 como jovem aprendiz, aos 17 anos. Hoje, com 25, é coordenadora de Riscos e Controles. “O cooperativismo me permitiu construir todo o meu crescimento pessoal e profissional. Me possibilitou oportunidades e um protagonismo que nenhuma outra empresa me proporcionaria. Por esse motivo sou apaixonada em trabalhar numa cooperativa que valoriza o indivíduo e o reconhece na mesma medida”, afirma.

image2 46377

Propósito e pertencimento

Para quem constrói o cooperativismo no dia a dia, a percepção de valor transcende os números. O sentimento de pertencimento e a certeza de que cada esforço contribui para o bem comum transformam a rotina em uma missão coletiva. É o caso de Adélia Queiroz Neri, presidente da Cooperativa de Trabalho e Saúde (Coopcare), do Distrito Federal. 

O cooperativismo entrou na vida de Adélia de forma prática, quando atuava como assessora de comunicação de um cooperativista. Com o tempo, fez uma escolha consciente: deixou o jornalismo tradicional para se dedicar integralmente ao setor. O ponto de virada veio em 2010, durante uma visita a Mondragón, na Espanha – sede do maior grupo cooperativista do mundo. “Ali eu vi e aprendi a grandiosidade do cooperativismo funcionando em escala global, transformando comunidades inteiras”, recorda. 

Hoje, à frente da cooperativa que reúne cerca de três mil cooperados e 25 contratos ativos com hospitais, clínicas e serviços de home care no DF e no Maranhão, Adélia vê, diariamente, histórias de transformação. Destaca, especialmente, o impacto na vida das mulheres. “Muitas mães solo encontram na cooperativa a oportunidade de sustentar suas famílias com dignidade e exercer sua profissão com respeito”, conta. 

Quem também construiu sua trajetória dentro da Coopcare foi o enfermeiro Jorge Cesar. Recém-formado e sem experiência registrada, encontrou na cooperativa a primeira oportunidade de trabalho. Ao longo dos anos, enfrentou acidentes que o afastaram temporariamente das atividades, mas teve seu posto preservado ao retornar. Às vésperas da aposentadoria, resume: “Podemos ajudar e ser ajudados, ensinar e aprender todos os dias.”

image4 1cd12

Também integrante da Coopcare, a técnica de enfermagem e conselheira fiscal Adriana Vieira Borges passou por empresas privadas, mas escolheu ficar no cooperativismo por três razões: voz e voto, divisão justa dos resultados e propósito além do lucro. 

“Saio do trabalho todo dia menos individualista e mais humana. Aprendi que crescimento sozinho é ilusão. O cooperativismo me devolveu a crença no outro e me ensinou que lucro bom é aquele que se divide”.

Conteúdos Relacionados