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Cooperativas de telecomunicações irão ampliar a inclusão digital

Nove em cada dez brasileiros têm acesso à internet, segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas essa conectividade não é igual em todas as partes do país. Em muitos lugares, a oferta ainda é limitada, e realizar atividades cotidianas como entrar nas redes sociais, enviar uma mensagem ou fazer um Pix esbarra em um desafio: a falta de conectividade. Uma realidade que as cooperativas de telecomunicações já estão mudando e irão seguir avançando com a aprovação de uma lei que regulamenta o setor. 

Sancionada no começo deste ano, a Lei nº 15.324/2026 assegura às cooperativas a prestação de serviços de telecomunicações em todo o país. Até agora, a atuação delas era restrita à oferta de rede apenas para seus cooperados ou por meio de empresas limitadas vinculadas a cooperativas de distribuição de energia.

“Quando falamos de telecomunicações, estamos falando de algo que é tão essencial quanto energia, água, saneamento, habitação, que é a conectividade. E é nesse contexto que o cooperativismo começa a ampliar sua presença, levando internet de qualidade, inclusão digital e desenvolvimento para as comunidades, especialmente em regiões em que as empresas tradicionais não chegam”, explica Thayná Côrtes, analista técnico institucional de Infraestrutura do Sistema OCB, entidade que representa o cooperativismo brasileiro. 

As novas cooperativas serão reguladas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e seguirão todas as regras do setor, com o diferencial de prestarem serviços com foco nas demandas dos consumidores – e não no lucro – e de seu compromisso com o desenvolvimento das comunidades em que atuam. 

“Uma cooperativa sempre surge da necessidade das pessoas. Na área de telecomunicações, elas terão um papel muito importante na inclusão digital e irão contribuir para aumentar a competitividade do setor, ampliando o acesso e melhorando a qualidade dos serviços”, acrescenta  Thayná.

coprel telecom 2 85b14Como as coops irão atuar

De maneira geral, os serviços de internet no Brasil são oferecidos de duas formas: banda larga fixa, com conexão via cabos; e móvel, que usa redes como 4G e 5G, por meio de chips, para conectividade em qualquer lugar. Segundo dados da consultoria Futurion, na banda larga móvel, 94% do mercado é controlado por três empresas privadas. Na banda larga fixa, a concorrência é mais equilibrada, com 65% do serviço operado por prestadoras de pequeno porte (PPPs) – empresas pequenas e competitivas – que conquistaram o consumidor por oferecer melhor atendimento.  

É nesse segmento que as cooperativas de telecomunicações têm maior potencial para transformar o cenário atual, principalmente em zonas rurais ou afastadas de grandes centros urbanos, onde as empresas convencionais não chegam. De acordo com o IBGE, na área rural, um dos principais motivos para a não utilização da internet é a falta de acesso ao serviço no domicílio, citado por 12,1% dos brasileiros não conectados. Nas cidades, apenas 0,9% declaram esse motivo. 

Além de viabilizar serviços do dia a dia, como acessar um banco, ler notícias ou assistir a um vídeo, a interiorização da internet no campo tem impacto direto na atividade rural: a conectividade é essencial para o avanço da agricultura de precisão, com o uso de drones e equipamentos agrícolas conectados; para o cumprimento de obrigações fiscais, como a emissão de Nota Fiscal de Produtor Eletrônica (NFP-e); para o monitoramento das propriedades em tempo real, aumentando a segurança; e para a comercialização da produção em plataformas digitais. 

Juventude conectada 

Outro papel fundamental das cooperativas de telecomunicações nas áreas rurais é garantir a conectividade para escolas e outras instituições e contribuir para a permanência dos jovens em suas regiões, assegurando a continuidade dos negócios familiares e promovendo desenvolvimento local. 

captura de tela 2026 04 17 091652 eb789“Hoje, o jovem do interior quer estar nos seus grupos do WhatsApp, quer ver filmes no streaming, quer acessar sua cooperativa de crédito pelo celular. Ele quer poder usar a tecnologia lá no campo. E as cooperativas de telecomunicações estão viabilizando essa mudança”, explica Jânio Stefanello, presidente da Coprel, cooperativa que por meio da Coprel Telecom leva internet a mais de 30 municípios do interior do Rio Grande do Sul. 

A oferta de serviços de telecomunicação pela coop gaúcha começou há cerca de 15 anos, atendendo a uma demanda dos cooperados que já utilizam a energia da cooperativa, reconhecida por ampliar a eletrificação rural no estado. Atualmente, a Coprel Telecom oferece internet 100% fibra óptica com conexão estável e tecnologia de ponta, TV e streaming, telefonia móvel e fixa com cobertura nacional, planos acessíveis e suporte local, videomonitoramento e outros produtos. 

Segundo Stefanello, entre as principais vantagens das cooperativas no setor de telecomunicações estão o relacionamento com a comunidade e a presença ativa no território – especialmente nos momentos críticos, como falhas no serviço ou eventos climáticos.

“Na hora da verdade, quando há um temporal, por exemplo, em quanto tempo se repõe uma fibra óptica? Quando acontece um problema, que nível de resposta você dá para o consumidor? Temos um alto nível de preocupação em criar canais de comunicação efetivos para garantir atendimento rápido”, explica. 

Além disso, Stefanello destaca outro diferencial cooperativo: a gestão democrática, modelo em que os cooperados têm direito a voz e voto. “Com proximidade, transparência, relacionamento e sentimento de pertencimento, o consumidor passa a ser o dono do negócio”. 

Novas regras

Após a sanção, a Lei nº 15.324/2026 entrou na fase de regulamentação, ou seja, de definição sobre como será aplicada no dia a dia. Isso inclui estabelecer regras mais detalhadas, orientações e procedimentos para que as cooperativas de telecomunicações possam funcionar com segurança no setor. Essa etapa é importante para garantir que a lei gere resultados concretos, além de facilitar o acesso a incentivos, financiamentos e outras oportunidades de desenvolvimento.

Além de preencher a lacuna de mercado de conexão em áreas rurais, as cooperativas poderão atuar no serviço de internet por satélite – com grande potencial na Amazônia – e como Mobile Virtual Network Operator (MVNO), operadoras que utilizam a infraestrutura de grandes empresas de telecomunicações para oferecer seus próprios serviços ao consumidor final, com foco em atendimento mais próximo e produtos personalizadas.

“O cooperativismo já demonstrou sua capacidade em diversos setores regulados, como energia e serviços financeiros, e nas telecomunicações não será diferente. Temos uma grande oportunidade de ampliar o acesso à conectividade, fortalecer o desenvolvimento regional e gerar novas soluções para as comunidades”, destaca Thayna Côrtes. 

Clique aqui para saber mais sobre as cooperativas de telecomunicações e assista à live do Sistema OCB sobre o novo setor. 

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