O cooperativismo continua conquistando espaço no Brasil. Seja para ter acesso ao crédito, cuidar da saúde, produzir alimentos, investir em infraestrutura ou gerar renda, cada vez mais brasileiros encontram nas cooperativas uma forma de crescer junto com outras pessoas.
Os números do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026 (AnuárioCoop), divulgados nesta sexta-feira (31), mostram exatamente esse processo. Em apenas um ano, mais de 3 milhões de pessoas passaram a fazer parte de uma cooperativa. Com isso, o país chegou à marca de 29 milhões de cooperados, o equivalente a 13,6% da população brasileira.
Esse crescimento também aparece em outro indicador importante: depois de um período de estabilidade, o número de cooperativas voltou a aumentar. Foram 302 novas organizações registradas em 2025, um avanço de 37,3% em comparação ao ano anterior. O ramo Agropecuário liderou a criação de novas cooperativas, enquanto o Nordeste foi a região que mais abriu organizações no período.
Esses resultados mostram que o modelo continua a fazer sentido para milhões de pessoas. Afinal, quando uma cooperativa cresce, o desenvolvimento chega junto. São mais oportunidades de trabalho, acesso a serviços, geração de renda e fortalecimento das comunidades. Essa presença já alcança 3.425 municípios brasileiros. Em muitas cidades, as cooperativas estão por trás do atendimento em saúde, da produção agrícola, dos serviços financeiros, do transporte e de diversas atividades que movimentam a economia local.
Os resultados econômicos acompanham esse avanço. Em 2025, as cooperativas brasileiras movimentaram R$ 848,4 bilhões em ingressos e alcançaram R$ 1,6 trilhão em ativos. As sobras distribuídas aos cooperados chegaram a R$ 61,3 bilhões, enquanto o capital social integralizado alcançou R$ 122,7 bilhões. Além disso, o setor recolheu R$ 20,4 bilhões em tributos.
Outro destaque do levantamento é a geração de empregos. As cooperativas encerraram 2025 com 613.375 trabalhadores, um crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior. As mulheres seguem como maioria entre os empregados do setor e representam mais da metade da força de trabalho.
O ramo Agropecuário continua sendo o maior empregador do cooperativismo brasileiro, seguido pelos ramos Saúde e Crédito. Este último, por sua vez, continua puxando a expansão do quadro social. Hoje, quase oito em cada dez cooperados pertencem a uma cooperativa financeira. Além de reunir quase 23 milhões de pessoas, essas cooperativas também ampliaram sua presença em municípios onde, muitas vezes, são a única instituição financeira com atendimento presencial.
O crescimento também aparece no mapa do cooperativismo. Embora o Sudeste continue reunindo o maior número de cooperativas, o Nordeste passou a ocupar a segunda posição nacional, ultrapassando a Região Sul. Estados como Alagoas, Ceará, Amazonas, Rondônia e Rio Grande do Norte registraram os maiores avanços percentuais na quantidade de cooperativas.