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Conheça times de futebol que têm tudo a ver com o coop

Estamos em clima de Copa do Mundo e a paixão que move milhões de torcedores também revela outra força presente no esporte: a cooperação. Nem todo mundo sabe, mas alguns gigantes do futebol mundial são estruturados em modelos de gestão muito semelhantes ao cooperativismo. São histórias de união, participação e trabalho coletivo –  valores que entram em campo e também fazem parte do dia a dia das cooperativas.

A lista incluiu as duas principais equipes da Espanha, times da Alemanha e América do Sul, inclusive do Brasil. “No mundo do futebol, o modelo cooperativo aproxima as pessoas e gera resultados concretos. Os times que adotam a cooperação são inclusivos e comprometidos com suas comunidades, gerando conexões verdadeiras entre torcedores e clubes”, destaca a superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta. 

real madrid divulgação f42ebReal Madrid 

Uma das grandes potências do futebol europeu e mundial, o Real Madrid chegou ao topo com base na cooperação. Fundado em 1902, funciona como uma composição mista entre sócios e cooperados. São eles que contribuem para o fundo que mantém o clube, elegem o presidente em votação democrática e tomam decisões de forma coletiva, em um modelo de governança bem conhecido entre as cooperativas. No ano passado, o time anunciou a estruturação de um plano para receber investimento e

xterno, mas a mudança também precisa ser aprovada pelos sócios.

Todos os prêmios ganhos pelo Real Madrid compõem o patrimônio do clube. Em 2025, o time espanhol teve o maior faturamento do futebol mundial, com 1,16 bilhão de euros em receitas. Em mais uma característica cooperativista, parte desses resultados é direcionada para a comunidade por meio da Fundação Real Madrid. A instituição desenvolve atividades esportivas, educacionais, culturais e assistenciais com base em valores como trabalho em equipe, transparência,  solidariedade e igualdade.

barcelona divulgação c1433Barcelona 

Maior rival do Real Madrid em campo, o Futbol Club Barcelona também funciona em um modelo cooperativo conhecido como fan owned (propriedade dos torcedores). O gigante do futebol reúne 140 mil sócios e foi fundado em 1899 por um grupo de jovens estrangeiros residentes em Barcelona. Desde o início, sua origem remonta a uma forte ligação com a comunidade, especialmente a região da Catalunha.

Com o lema “Mais que um Clube”, o Barça foi idealizado como um clube de integração social, no qual todos pudessem expressar suas opiniões, e foi criado como uma sociedade democrática, livremente governada por seus membros. De lá pra cá, o time já conquistou 32 Copas do Rei, cinco vezes a Liga dos Campeões da UEFA e três Mundiais de Clubes da FIFA, assumindo protagonismo no futebol espanhol e europeu.

As vitórias em campo também impactam iniciativas comunitárias do time, que repassa 0,7% de suas receitas para a Fundação FC Barcelona, braço social do clube que investe no esporte como ferramenta para transformar a vida de crianças e jovens. Esse trabalho é feito em parcerias com entidades como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Bayern de Munique 

Na Alemanha, o futebol também tem muito do movimento coop em sua essência. O Bayern de Munique funciona com uma estrutura de associação baseada no tradicional sistema alemão, onde os sócios-torcedores detêm a maioria absoluta do poder de votos, com 75% das ações pertencentes ao próprio clube. O Bayern reúne mais de 400 mil sócios que se sentem pertencentes ao clube por ter voz ativa nas decisões sobre o futuro da equipe. Diferentemente de outros modelos de propriedade privada, os times com base cooperativista valorizam o torcedor como parte da gestão, o que mostra uma governança diferenciada, que privilegia fidelização, engajamento e benefícios exclusivos para os sócios.

O Bayern, por exemplo, oferece cartão personalizado, pacotes de boas-vindas, descontos em produtos oficiais e acesso a eventos exclusivos, além de iniciativas como o Teens Club, que busca aproximar novas gerações. Como resultado dessa estratégia, o Bayern teve receita recorde de 978,3 milhões de euros na temporada 2024-2025, com altos retornos financeiros e credibilidade em campo, mostrando resultados consistentes e investimento em causas sociais e humanitárias que se destacam no mundo do futebol, como o combate ao racismo.

St. Pauli 

Quando o assunto é coop e futebol, o tradicional St. Pauli, de Hamburgo, também da Alemanha, acaba de entrar na história pelo pioneirismo. Fundado em 1910 e fortemente alicerçado na comunidade, o clube lançou oficialmente, em 2024, a sua cooperativa: a Football Cooperative St. Pauli. Considerada a primeira cooperativa de futebol profissional da Alemanha, a entidade prevê a associação por meio da compra de cotas equivalentes a ações. Cada uma custa 850 euros, sendo 100 euros destinados à construção de espaços físicos para a cooperativa. Nesse modelo de funcionamento, todos os cooperados terão igual poder de voto e o objetivo é que a cooperativa compre ações majoritárias da empresa que gerencia o Millerntor Stadion, a casa do St. Pauli.

Assim como nas cooperativas que atuam em outros setores, o St. Pauli tem responsabilidade social e promove os interesses de seus membros, funcionários, torcedores e voluntários para além da esfera esportiva. Além disso, tem um forte enraizamento local e promove um modo de vida baseado na cooperação e nos ganhos coletivos.

mushuc runa 9dc23Mushuc Runa

O futebol nasceu na Inglaterra, mas foi na América Latina que o esporte se transformou em paixão popular e símbolo de identidade coletiva, acumulando conquistas históricas em Copas do Mundo. Em meio a torcidas vibrantes e forte participação das comunidades no esporte, também surgiram exemplos de clubes organizados com base na cooperação.

Um deles vem do Equador, o Mushuc Runa, fundado e financiado por uma cooperativa de crédito indígena. Com 32 agências espalhadas pelo país, a coop existe desde 1995 e atende indígenas que se sentiam excluídos do sistema bancário tradicional. Em 2003, deram um passo para valorizar ainda mais seu povo e sua cultura e fundaram o time de futebol. 

Uma das marcas registradas do clube equatoriano é o uniforme que homenageia costumes indígenas. Os jogadores entram em campo com um “ponchito”, uma espécie de manto que protege das baixas temperaturas, roupa que também é usada pelos torcedores. 

Há alguns anos, o Mushuc Runa saiu da esfera das competições regionais para competir na Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL). Em 2025, o time indígena alçou novos voos, quando brilhou na Copa Sul-Americana. Mais do que se destacar em campo, o clube de futebol também tem um objetivo social, que é divulgar a cultura, a força e a potência dos povos indígenas de seu país.

Cruz Azul 

No México, em 1927, um grupo de operários da fábrica de cimento Cruz Azul se juntou e fundou a Cooperativa La Cruz Azul S.C.L., no estado de Hidalgo. Anos depois, fundou um time de futebol com o mesmo nome. Até hoje, a gestão do time é ligada à cooperativa, mostrando, na prática, que  cooperação e futebol têm tudo a ver.

Com união e trabalho coletivo, o Cruz Azul se tornou um das maiores equipes de futebol do México e já conquistou títulos como a Copa do Campeões da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf), Campeón de Campeones, nove títulos nacionais, quatro vezes a Taça do México, uma Supercopa e uma Leagues Cup. 

cooparb 0727fBrasil

No maior campeão de Copas do Mundo da história, a conexão entre cooperativismo e futebol também está presente. Uma das experiências de times cooperativistas em território brasileiro foi a  Cooperativa Manchester de Futebol, criada em 1994, em Juiz de Fora (MG). Na época, as equipes do Sport, Tupi e Tupynambás se reuniram com um objetivo em comum: fortalecer o esporte local a partir de uma gestão conjunta. O time encerrou suas atividades em 1996, mas ficou registrado como exemplo de união cooperativa

No Acre, a Cooperativa de Árbitros de Rio Branco (Cooparb) está movimentando o futebol local com a união de quem garante as regras do jogo. Fundada em 2021, a coop tem como cooperados árbitros e assistentes que atuam em torneios amadores, categorias de base e competições profissionais na Região Norte do país. A Cooparb presta serviços de arbitragem para as competições no estado e também capacita os associados para uma melhor atuação profissional. 

Patrocínio coop

As cooperativas também incentivam o futebol brasileiro  por meio de patrocínio financeiro. O Sicredi apoia grandes campeonatos como a Copa do Brasil de Futebol Masculino; a Brasil Ladies Cup, competição de futebol feminino; o CBF Origens, campeonato com foco no futebol de base brasileiro que promove a inserção de jovens talentos no esporte; e Copa do Brasil de Futsal Feminina e a Masculina. Os principais campeonatos estaduais do Brasil também contam com o apoio da primeira instituição financeira cooperativa do Brasil, como o Paulistão Sicredi, Campeonato Carioca, Gauchão e o Paranaense. 

Em 2026, o Sicoob se tornou patrocinador dos campeonatos de futebol catarinense e gaúcho. Há 8 anos, a instituição financeira cooperativa renova a parceria com o Campeonato Brasileiro de Futebol, nas Séries A e B, e investe em presença massiva nos campeonatos estaduais, incentivando equipes locais a se destacarem no esporte que é a paixão número 1 dos brasileiros.

No futebol de salão, a Cresol é apoiadora da Liga Nacional de Futsal (LNF) desde 2016, unindo a força do cooperativismo ao papel transformador do esporte. Além de ter a marca estampada nos ginásios e arenas em todos os jogos da temporada, cooperativas de crédito do sistema também patrocinam times específicos em suas comunidades. 

O apoio ao esporte está também em outros ramos do cooperativismo. Em várias partes do país, cooperativas investem equipes que levam a marca coop para milhares de pessoas a cada partida. O Sistema Unimed já patrocinou a Seleção Brasileira e atualmente coopera com times em diferentes estados, como o São Paulo Futebol Clube, dono de uma das maiores torcidas do país. 

No Sul, a AuroraCoop é parceira da Chapecoense desde 2007, em uma trajetória marcada por títulos. A Copacol tem uma aliança com o Athletico Paranaense há oito anos, e, além da marca estampada na camisa, fornece seus produtos para as refeições dos atletas e funcionários no centro de treinamento e para os lanches comercializados na Arena da Baixada. Também do Paraná, a Frimesa investe em um dos gigantes do futebol brasileiro, o Sport Club Corinthians Paulista, em uma parceria iniciada em 2025 e renovada para a atual temporada.

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