No fim da década de 1970, o casal Antônio e Conceição Albardeiro, de Santo André (SP) vivia um momento especial da família, com a chegada de sua primeira filha. Os pais de primeira viagem foram à Coop, cooperativa de consumo da qual eram associados, e fizeram questão de escolher um berço, um guarda roupas e uma estante para receber a nova integrante. Mas, na hora de pagar, quase tiveram a compra cancelada porque não conseguiram a aprovação de um crediário, tipo de financiamento parcelado. Quando o negócio parecia que ia dar errado, um funcionário da cooperativa ouviu a história do casal e liberou o crédito, atitude que ficou marcada na memória da família Albardeiro.
“Não me pediu fiador, não me pediu depósito, não me pediu nada. Essa história com a Coop marcou a nossa vida. Ao longo dos anos, além de sempre poder comprar o que precisamos na cooperativa, como cooperado também aprendi a valorizar a honestidade e o caráter”, afirma Antonio.
O atendimento humanizado que ficou gravado na memória da família Albardeiro é um dos diferenciais das cooperativas de consumo, empreendimentos coletivos em que a lógica vai além da venda de produtos e serviços e o cuidado com as pessoas faz parte da essência do modelo de negócio.
Em todo o Brasil, são mais de 200 cooperativas de consumo, segundo dados do AnuárioCoop 2025, levando produtos de qualidade, garantindo preços competitivos e ampliando o poder de compra e decisão de brasileiros em todas as regiões. Uma delas é justamente a Coop, de São Paulo, que completa 72 anos em 2026 com participação consolidada no mercado e histórias que marcam gerações de clientes.
Considerada a maior cooperativa de consumo da América Latina, a Coop tem 1,6 milhão de cooperados, cerca de 6 mil colaboradores e mais de 100 unidades de negócios, entre elas 35 supermercados e 68 farmácias, além de canais digitais. No setor de varejo alimentar, o grupo tem 30% de participação de mercado na região do Grande ABC.
A gerente de Marketing, Comunicação e CRM da Coop, Vanessa Siqueira, explica que a cooperativa funciona como uma rede de varejo colaborativo que ajuda o cooperado a resolver tudo o que precisa em um só lugar. “Aqui nosso consumidor é o protagonista – alguém que compra, participa e ajuda a construir um negócio mais justo, humano e sustentável. Enquanto no varejo tradicional o cliente compra, na cooperativa o cooperado participa, gera valor positivo e tem relação de pertencimento”, compara.
Entre as vantagens, os cooperados da Coop têm acesso a promoções exclusivas, cobertura de ofertas da concorrência, recompensas como bolo de aniversário para clientes recorrentes, condições diferenciadas de pagamento, programas de qualidade de vida e desenvolvimento, além de retorno financeiro proporcional ao consumo na cooperativa.
“Essa combinação torna a relação altamente vantajosa, reforçando o benefício econômico e o vínculo de longo prazo com quem opta por fazer parte do modelo cooperativista”, ressalta a gestora.
Impacto nas comunidades
Mais de 2,5 milhões de brasileiros integram cooperativas de consumo atualmente e o setor gera mais de 16 mil empregos diretos. Além do varejo, as cooperativas de consumo também englobam as coops formadas por pais para contratação de serviços educacionais e as de turismo.
O surgimento das cooperativas de consumo está na origem do próprio cooperativismo. A Sociedade dos Pioneiros de Rochdale, fundada em 1844 e considerada a primeira cooperativa moderna, nasceu da união de trabalhadores que se organizaram para ter acesso a bens de consumo a preços mais justos, em uma iniciativa que pode ser vista como precursora das atuais compras coletivas.
Naquela época, diante de um cenário de escassez e preços altos pós Revolução Industrial, um grupo de tecelões se uniu para comprar produtos básicos em grande quantidade e estocá-los em um armazém coletivo. Depois, os próprios membros podiam adquirir os bens a preços mais justos e em condições mais equilibradas.
Mais de 180 anos depois, esse modelo continua atual. As cooperativas de consumo mantêm o mesmo princípio de origem – unir pessoas para garantir acesso a produtos de qualidade por valores justos – mas hoje incorporam novos serviços, tecnologias e práticas de gestão, sem abrir mão do atendimento próximo e do compromisso com o bem-estar dos cooperados e das comunidades.
“A lógica permanece a mesma: somar a força de compra de muitas pessoas para ampliar a capacidade de negociação na hora de adquirir produtos e serviços, gerando retorno direto para o cooperado”, destaca Clara Maffia, gerente-geral do Sistema OCB, entidade representativa das cooperativas brasileiras.
Saiba mais sobre a história inspiradora de Antonio Albardeiro com a Coop no podcast PodCooperar e na série SomosCoop na Estrada.