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Páscoa com propósito tem chocolate de cooperativas

Seis em cada dez brasileiros gostam de chocolate e 41% afirmam consumir o produto pelo menos uma vez por semana, segundo pesquisa da Nexus. Na Páscoa, esse consumo aumenta e vale a pena fazer escolhas conscientes. Chocolates produzidos por cooperativas, além de qualidade, apoiam pequenos produtores, fortalecem comunidades extrativistas e contribuem para um modelo de desenvolvimento mais justo e sustentável.

Em Medicilândia, no Pará, a CacauWay, marca da Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica (Coopatrans), tem uma linha de 130 tipos de chocolates produzidos com cacau natural, sem conservantes e corantes. As opções incluem chocolates intensos, tabletes, trufas, chocolate na folha do cacau, cacau em pó, amêndoas de cacau crocantes, geleias e licores.

cacauway 62e8cPrimeira fábrica de chocolate da Amazônia, a cooperativa está há 15 anos no mercado e tem seis lojas físicas na Região Norte. O trabalho de seus 38 cooperados têm sido reconhecido pelos consumidores e em prêmios nacionais e internacionais. O mais recente foi o Cacao of Excellence, em que conquistou duas medalhas de ouro pelas amêndoas de cacau premium. 

O presidente da Coopatrans, Tarcízio Venturim, afirma que os resultados refletem investimentos em pesquisa, técnica e conhecimento no cultivo do cacau. “Essas conquistas são mérito de trabalho sério, pesquisa, melhoramento contínuo e amor pela cacauicultura”. 

O efeito desse reconhecimento é que a coop tem crescido em volume de produção e faturamento. Em 2025, a Cacauway atingiu R$ 1,8 milhão em receita e passou a produzir mais de uma tonelada de chocolate por mês. Segundo Venturim, na época de Páscoa, o desempenho pode até triplicar, e, para atender à maior procura, a cooperativa lançou novos produtos este ano. “Na Páscoa 2026, estamos trabalhando em uma linha Sabores da Terra, com iguarias locais como tacacá, jambu e bacuri. Também já comercializamos o chocolate branco com cumaru, essência da Amazônia”, detalhou. 

No cooperativismo, os resultados vão muito além dos números. A Coopatrans tem forte impacto social na comunidade ao criar oportunidades de renda, contribuir para a permanência das famílias na região e colaborar para a conservação da floresta. Em uma iniciativa recente, a coop fechou uma parceria com cinco comunidades indígenas para produzir chocolate a partir de cacau produzido por elas. “A Cacauway recebe o cacau, fermenta e transforma em bioproduto vindo das florestas, agregando valor à agricultura familiar. Os chocolates produzidos carregam os sabores da floresta, como frutas desidratadas, tapioca e mangarataia [gengibre]”, conta o presidente.

Do Sul da Bahia para o mundo

O chocolate da Cooperativa Cacau Mata Atlântica da Bahia (Coopermata), produzido em Ituberá, conquistou o paladar de consumidores de todo o país e já chegou ao mercado europeu. Situada na segunda maior região produtora de cacau do Brasil, a cooperativa tem 18 anos de atuação e 455 cooperados. Além de chocolate, comercializa outros derivados do cacau, como mel, nibs, amêndoas caramelizadas, geleias e licores, com várias opções para a Páscoa. 

josué coopermatajpeg 0b3c9Com integração de produtores e abertura de mercados, o negócio cooperativista tem conquistado resultados expressivos. Em 2025, foram comercializadas 250 toneladas de amêndoas de cacau pela Coopermata, que faturou em torno de R$15 milhões no período. 

A cooperativa baiana tem investido fortemente em projetos voltados a jovens produtores de cacau, com o objetivo de estimular a permanência das famílias no meio rural. Partindo do princípio de que a juventude é o futuro da lavoura cacaueira, a coop entende que a sucessão rural vai além da simples continuidade da atividade. Por isso, aposta em iniciativas que fortalecem a permanência no campo por meio da inovação e do uso de novas tecnologias.

“A cooperativa existe para fortalecer a agricultura familiar e os nossos cooperados. Com nosso trabalho, conseguimos impactar positivamente diversos produtores e contribuir com a manutenção da floresta em pé e a continuidade do homem no campo com dignidade, diminuindo o êxodo rural, especialmente entre os mais jovens”, explica o diretor executivo da Coopermata, Josué Castro.

A coop também atua melhorando a infraestrutura produtiva dos associados para viabilizar  o beneficiamento adequado do cacau e o aproveitamento de derivados, gerando mais renda. No programa Pratigi Sustentável, por exemplo, os cooperados recebem equipamentos e assistência técnica para aumentar a qualidade e a quantidade do mel de cacau produzido na região. Além dos resultados econômicos, a iniciativa contribui para a preservação da Mata Atlântica. 

“Esse projeto veio para fortalecer a produção de mel de cacau da cooperativa e também colabora para a questão da transição agroecológica. A coop já doou para 60 famílias cooperadas um kit de composteiras que vai servir para o produtor transformar o seu resíduo doméstico, que hoje é lixo , em adubo orgânico para sua propriedade”, explica Castro.

 

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