Notícias

Cooperativas vão ampliar acesso a seguros no Brasil

Menos da metade dos brasileiros (46%) têm algum tipo de seguro ou previdência privada, sendo que apenas 18% têm seguro de vida, segundo pesquisa da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). Entre os motivos para a baixa adesão estão a falta de educação securitária e financeira, produtos que não se encaixam na realidade dos consumidores, custos elevados, desconfiança e burocracia. Agora, esse cenário tem tudo para mudar com as cooperativas de seguros, que poderão atuar de forma ampla nesse mercado, com soluções mais acessíveis e alinhadas às necessidades dos brasileiros.

Até pouco tempo, o cooperativismo podia oferecer apenas seguros agrícolas, de saúde e de acidentes do trabalho. Essa realidade mudou com a Lei 213/2025, sancionada em janeiro, e com a publicação das regras sobre o funcionamento do setor na Resolução 492/2026, do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), no começo de maio. Agora, as novas cooperativas começam a ser constituídas e a expectativa é que os seguros cooperativistas estejam disponíveis a partir de 2027.   

Veja o que as cooperativas de seguros poderão oferecer: 

  • Seguro de vida e integridade física 

  • Seguro rural e agrícola 

  • Seguro saúde 

  • Seguro residencial e empresarial 

  • Seguro de automóveis 

  • Seguro de crédito interno e exportações 

  • Seguro de responsabilidade civil 

  • Seguro de transporte de cargas 

De acordo com o superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Alessandro Octaviani, a participação das cooperativas no ramo seguros 90b51setor vai ajudar o país a ter mais proteção financeira, ampliando a capacidade de resposta diante de eventos extremos como as enchentes do Rio Grande do Sul, em 2024. Naquela ocasião, segundo ele, apenas 6% dos prejuízos estavam cobertos por seguros. 

“Precisamos aumentar a resiliência securitária da economia brasileira. E o cooperativismo surge como um parceiro fundamental para ampliar essa proteção, alcançar regiões onde o seguro ainda é pouco presente e contribuir para o desenvolvimento econômico e social”, afirma. 

A experiência cooperativista 

Com 25,8 milhões de cooperados e atuação consolidada em diversos setores da economia – agropecuário, saúde, crédito, consumo, infraestrutura, transporte, além de trabalho e produção de bens e serviços – o cooperativismo levará ao mercado segurador sua capacidade de gerar negócios com foco nas pessoas e impacto positivo para as comunidades.

“O cooperativismo de seguros tem muito a entregar para o Brasil. Podemos balizar, ser referência nesse mercado, como as cooperativas de crédito têm sido para o setor financeiro. Podemos ser a grande referência e gerar uma condição de vida melhor para a nossa gente. Esse é o nosso objetivo”, afirma Márcio Lopes de Freitas, presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB. 

A previsão é que o mercado brasileiro de cooperativas de seguros atinja, nos próximos anos, milhões de beneficiados, especialmente pequenos empreendedores, produtores rurais e trabalhadores autônomos que muitas vezes encontram dificuldades em contratar seguros com as empresas tradicionais. 

Além de preços mais competitivos, as cooperativas de seguros terão outros diferenciais: relacionamento próximo e humanizado com os segurados, produtos adaptados à realidade regional, distribuição dos resultados financeiros entre os cooperados, fortalecimento da economia local e geração de valor econômico e social de forma sustentável. 

“O cooperativismo faz esse trabalho de balizar preços e incluir pessoas de maneira muito exitosa nos outros setores que já atua, como o crédito, saúde, agro e transporte. E agora tem um papel muito importante na ampliação do mercado de seguros. Estamos falando de organizações que não têm finalidade lucrativa, ou seja, que visam o desenvolvimento dos cooperados e têm um olhar de desenvolvimento muito relevante”, destaca Clara Maffia, gerente-geral do Sistema OCB.

Seguro cooperativo no mundo 

A chegada das cooperativas ao mercado de seguros coloca o Brasil em sintonia com uma tendência global. Hoje, uma em cada quatro apólices emitidas no mundo são de cooperativas e mútuas, segundo dados da Federação Internacional de Cooperativas e Seguros Mútuos (ICMIF). Na Europa, essa participação supera os 30% e, nos Estados Unidos, chega a 40%. 

Agora, é a vez de o Brasil dar esse passo e oferecer aos cidadãos produtos e serviços securitários que colocam as pessoas em primeiro lugar. “O cooperativismo brasileiro trará respostas muito positivas, em especial na inclusão dos brasileiros e das brasileiras que estão lá no Brasil profundo e que precisam do seguro como uma forma de organizar sua proteção e segurança. Isso contribui para uma vida mais feliz, com mais bem-estar”, afirma a advogada e professora Angélica Carlini, que atua no setor segurador há quatro décadas.

Conteúdos Relacionados