
Para a brasiliense Franciele Lima, cooperação e bem-estar coletivo não são apenas valores, mas parte de sua rotina de trabalho. Ela atua como responsável financeira da Organização Não-Governamental (ONG) Viva Vida, instituição cooperada do Sicoob Empresarial, e vive de perto o compromisso com as causas sociais e com o desenvolvimento das comunidades. Agora, nas eleições do próximo domingo (4/10), quer ver esses princípios refletidos também nas urnas.
“Eu defendo muito as causas comunitárias porque vivo isso no meu dia a dia, então esse ano estou pesquisando em quem votar com mais consciência. Minha escolha sempre será por candidatos que defendam políticas públicas e sociais com um olhar para os menos favorecidos e para famílias em situação de vulnerabilidade. Acredito que, quando a política é exercida com consciência e equilíbrio, o país inteiro tem mais chances de avançar”, afirma.
Para Franciele, o voto consciente não é apenas uma escolha, mas uma responsabilidade, e pesquisar a trajetória e as propostas de cada candidato faz parte desse processo. Foi justamente da relação com o cooperativismo, através da coop de crédito, que nasceu seu interesse por candidatos que apoiem esse modelo de negócio. “As cooperativas estão onde as pessoas precisam, onde outras instituições financeiras muitas vezes não chegam, e esse movimento precisa ser ampliado”.
A trajetória dela ilustra um movimento maior. Este ano, mais de 158,7 milhões de brasileiros estão aptos a votar nas eleições gerais, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre eles, estão 29 milhões de cooperados de todos os estados do país, que buscam levar às urnas valores como sustentabilidade, responsabilidade social e compromisso com as comunidades – pilares do movimento coop.
O professor Leonardo Conceição, cooperado da Cooperativa de Consumo dos Servidores do DER/MG (Coopeder), reforça essa percepção: “Acredito que o cooperativismo precisa ocupar mais espaço nos Três Poderes porque representa uma forma de organização que coloca o trabalho coletivo e o desenvolvimento das comunidades no centro das decisões. Também considero importante que os representantes públicos conheçam melhor todas as formas de cooperativismo e estejam dispostos a conversar com o setor”, avalia.
Informação e cidadania
Atento a esse potencial de mobilização, o Sistema OCB – entidade representativa das cooperativas brasileiras – disponibiliza orientações para que os cidadãos identifiquem candidatos alinhados ao trabalho das cooperativas e comprometidos com seu papel para o desenvolvimento econômico e social do país.
Entre as estratégias para levar informação qualificada, estão a campanha #PensenoCoop, que tem um site especial para as Eleições 2026, e conteúdos do Programa de Educação Política do Cooperativismo produzidos especialmente para este ciclo eleitoral, como a cartilha Cooperativismo e as Eleições 2026. O documento, disponível para download gratuito, traz recomendações de boas práticas para a participação de cooperativas, dirigentes e cooperados no processo eleitoral, incentivando uma atuação proativa, informada e responsável.
“É importante não confundir a neutralidade político-partidária – uma premissa do coop – com inércia política. O cooperativismo precisa participar do debate público, apresentar suas propostas, dialogar com atores políticos e trabalhar para que suas pautas estejam presentes nas decisões que afetam milhões de cooperados”, afirma o gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Eduardo Queiroz.
No site da Agenda Institucional do Cooperativismo, os cidadãos interessados em conhecer as pautas do cooperativismo podem acompanhar propostas legislativas que impactam o setor e estão em tramitação no Congresso Nacional, além de consultar a atuação dos 285 deputados federais e 40 senadores que integram a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop).
A entidade também oferece o “Perfil Parlamentar”, uma plataforma voltada a representantes de cooperativas, que funciona como um observatório e reúne informações públicas sobre a atuação de deputados e senadores em pautas com impacto para o cooperativismo nos últimos quatro anos. “O espaço foi pensado para que nossas lideranças tenham acesso a informações precisas sobre aqueles nomes que, na prática, levantaram a bandeira do coop no Congresso Nacional. Na nossa visão, isso é fomentar o voto consciente na prática”, explica Queiroz.
Resultados consistentes
A mobilização cooperativista pela educação política já mostra resultados concretos. O movimento tem ampliado sua interlocução com os poderes, garantindo políticas públicas e marcos regulatórios que beneficiem as 4,4 mil cooperativas e seus 29 milhões de cooperados. “Fortalecer o ambiente de negócios das cooperativas também significa criar condições para que o cooperativismo continue sendo instrumento de prosperidade, geração de renda e oportunidades nas comunidades onde estão inseridas”, completa Queiroz.