Você conhece uma mulher empreendedora? Em todo o país, mais de 10 milhões de brasileiras são donas do próprio negócio, o que coloca o Brasil em sétimo lugar no ranking global de empreendedorismo feminino, segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). As cooperativas de crédito são parceiras estratégicas dos empreendedores brasileiros e têm apostado em programas para apoiar mulheres protagonistas de suas carreiras e negócios.
Com esse foco, o Sicredi União MS/TO e Oeste da Bahia (MS) criou a iniciativa “Donas do Negócio”, que tem como base a união de mulheres que estão à frente de micro e pequenas empresas para compartilhar conhecimento, fomentar o networking e gerir suas carreiras e negócios com sucesso. Além de apoiar o empreendedorismo feminino, o programa funciona como um ecossistema de suporte integral, que impacta o desenvolvimento pessoal, comunitário e econômico das cooperadas.
O projeto conquistou o primeiro lugar no Prêmio SomosCoop Melhores do Ano 2024 na categoria Comunicação Cooperativista. O prêmio é um reconhecimento do Sistema OCB à criatividade, visão e resultados obtidos pelas cooperativas brasileiras.
A assessora de Desenvolvimento do Cooperativismo do Sicredi União MS/TO, Jô Castro, que está à frente do Donas do Negócio, explica que o programa nasceu com o objetivo de levar informação, capacitação, conexão e inspiração para mulheres empreendedoras. “O Donas do Negócio é capaz de ajudar empreendedoras brasileiras a superar barreiras e crescer no mercado. Sem contar que oferece às participantes crédito e capacitação, permitindo que elas superem desafios e transformem suas vidas”.
Apoiado pelo International Finance Corporation (IFC), o Donas do Negócio oferece cinco pilares de imersão: Informar, Capacitar, Conectar, Inspirar e Fomentar. Atualmente, a iniciativa possui atendimento e gerentes exclusivos distribuídos em 20 agências, com soluções e taxas especiais para o grupo de mulheres, impactando milhares de empreendedoras por meio do estímulo ao aprendizado e ao crescimento de forma lúdica. Umas das ferramentas é o game de educação financeira Donas do Jogo.
De acordo com a cooperativa, desde o início do programa, em 2022, mais de R$ 16,5 milhões em créditos foram liberados para 4,5 mil empreendedoras, além de R$ 1,2 milhão para fomento de projetos, aumentando o impacto do empreendedorismo feminino na economia nacional.
Em 2025, o programa deve ser expandido para mais quatro agências da cooperativa no Tocantins e na Bahia, em resposta a demandas de empreendedoras locais. “No ano passado, identificamos que 10% das empreendedoras da base do Donas do Negócio ampliaram exponencialmente suas empresas, o que ocasionou na mudança de categoria e no desenquadro do programa. E o que isto significa? Que os resultados foram tão positivos que elas precisaram se desenquadrar do programa. Esse é o resultado do investimento do Sicredi nas mulheres”, comemora Jô Castro.
Mudando vidas
Por meio de uma metodologia que aborda princípios como empoderar, educar e conectar, o Donas do Negócio hoje representa mais do que apenas um programa para as cooperadas e têm ajudado mulheres empreendedoras a mudar suas histórias de vida. “O Sicredi foi fundamental para que o meu negócio pudesse prosperar. Eles acreditaram em mim, no meu potencial e me deram a confiança que tanto precisava. Me sinto segura, pois eles me orientam nessa jornada empreendedora”, disse Cacilda Moreira Ferreira, dona da Cacau Multimarcas em Campo Grande/MS.
Vanessa Ricarte, empreendedora de Mato Grosso do Sul, destaca a parceria entre as mulheres participantes do programa. “O Donas do Negócio tem sido um divisor de águas na minha vida. Além de me ensinar questões mais técnicas sobre finanças e gestão, me deu a oportunidade de estabelecer conexões profundas com as empreendedoras do projeto, que me inspiram, dia após dia, a desenvolver o meu negócio com mais criatividade e afeto. Seguimos juntas, fortalecendo negócios de grande impacto social e econômico, com sororidade, respeito e admiração pela vida e pela história de cada uma”, afirmou.
Em comum, as mulheres empreendedoras ressaltam a importância do acolhimento de uma instituição financeira como o Sicredi, que se preocupa com os negócios das suas cooperadas no Donas do Negócio. Segundo elas, contar com uma cooperativa de crédito nesse desafio do empreendedorismo é mais do que ter suporte financeiro, representa também mais possibilidades de capacitação, aprendizado e troca de experiências com outras mulheres que lideram suas empresas.
“Conhecemos outras empreendedoras, participamos de palestras que agregam conhecimentos para aplicarmos nos negócios, rodas de conversas e discussões sobre vários assuntos. O programa nos mostra que temos potencial, que somos capazes e que precisamos acreditar mais. Nos incentiva a ir além da nossa situação atual e que podemos conquistar o que quisermos”, destacou Izabela Gomes, empreendedora em Porto Nacional/TO.
Como fazer parte do Donas do Negócio?
Para integrar o programa, é necessário ser associada Sicredi União MS/TO e Oeste da Bahia, com CNPJ ativo, além de ter uma empresa com teto máximo de faturamento de R$360 mil ao ano, podendo ser autônoma ou com sociedade representada majoritariamente pela mulher.
Se quiser saber mais sobre o projeto Donas do Negócio, acesse a página do projeto.
Prêmio SomosCoop
O Prêmio SomosCoop Melhores do Ano destaca as boas práticas de cooperativas que registraram amplos benefícios aos seus cooperados e à comunidade. Os premiados servem de inspiração para outras cooperativas e as experiências podem ser replicadas em qualquer lugar do país. Em 2024, 18 cooperativas do Brasil foram selecionadas entre mais de 700 cases inscritos. Para conferir os premiados de 2024, acesse a página do Prêmio SomosCoop.
Você sabia que 2025 foi nomeado o “Ano Internacional das Cooperativas” pela Organização das Nações Unidas (ONU)? Esta é a segunda vez que o nosso modelo de negócios é homenageado pela organização internacional com um ano para chamar de seu. A primeira vez foi em 2012, em reconhecimento ao trabalho realizado pelas cooperativas para recuperar a economia das comunidades onde atuavam, após a crise financeira global de 2008. crise financeira global de 2008. Agora, foi a vez de reconhecer os impactos sociais, econômicos e ambientais das cooperativas na busca por um mundo mais sustentável. Em ambas as ocasiões, o slogan escolhido foi o mesmo: “cooperativas constroem um mundo melhor”.
O mais legal de tudo é que o cooperativismo, junto com a economia criativa, são os dois únicos modelos de negócios do mundo a serem homenageados pela ONU com um ano internacional — reconhecimento que acontece em âmbito global desde 1959. Significa dizer que o organismo internacional reconhece o papel e importância do coop e seu impacto global duradouro, especialmente enquanto um dos principais motores para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU.
“As cooperativas estão presentes em comunidades grandes e menores, lutando contra a pobreza e a exclusão social, fortalecendo a segurança alimentar, ajudando empreendedores locais a alcançar mercados nacionais e internacionais”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, em pronunciamento oficial sobre o lançamento do Ano Internacional das Cooperativas.
Ainda segundo Guterres, as cooperativas demonstram, em sua prática, a importância da cooperação para solucionar problemas mundiais, comprometendo-se a continuar dialogando com os governos dos 193 países-membros da ONU para que esse trabalho seja reconhecido em escala global.
O presidente da Aliança Cooperativa Internacional, Ariel Guarco, reforça a importância que o cooperativismo tem para o desenvolvimento sustentável do planeta. “Esta é a segunda vez na história que a ONU dedica um ano internacional às cooperativas, e isso não é uma coincidência. As cooperativas estão presentes em todos os aspectos de nossas vidas, e respondem a cada um dos ODS, em todos os lugares”, afirmou.
PESSOAS EM PRIMEIRO LUGAR
A ONU acredita que as cooperativas têm uma capacidade única de promover o crescimento inclusivo e fortalecer a resiliência das comunidades onde atuam. Prova disso é que muito antes de declarar 2012 e 2025 como “Ano Internacional das Cooperativas”, o organismo instituiu o Ano Internacional da Cooperação (1965), que remonta indiretamente ao cooperativismo.
Mas por que será que as cooperativas vêm chamando a atenção de organizações internacionais, como a ONU? Reunimos alguns motivos abaixo:
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Cooperativas colocam as pessoas em primeiro lugar, crescendo em momentos de crise, gerando resultados que ajudam a impactar a economia local e a renda dos cooperados.
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O cooperativismo tem papel essencial no alcance dos ODS e na inclusão de pequenos produtores rurais, além de trabalhadores autônomos, na economia;
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As cooperativas contribuem com a segurança alimentar da população mundial e cuidam das localidades onde estão inseridas, sendo muitas vezes a única instituição financeira de determinadas regiões.
Em números, as cooperativas também têm uma grande representação na economia global. Se fossem um país, as 300 maiores cooperativas movimentariam um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,4 trilhões de dólares, o que as colocaria como a 8ª economia mundial, à frente de países como o Brasil, Canadá e Itália. Os dados são do World Cooperative Monitor (WCM) 2024, produzido pela Aliança Cooperativa Internacional, e também podem ser encontrados no AnuárioCoop 2024, produzido pelo Sistema OCB.
A adesão aos princípios e valores do cooperativismo também vem crescendo exponencialmente. Atualmente, existem 3 milhões de cooperativas e 1 bilhão de cooperados (12% da humanidade).Somente no Brasil, existem 4.509 cooperativas presentes em mais de 3.624 municípios. No mesmo ano, foram catalogados mais de 23,4 milhões de cooperados, o que representa 11,5% da sociedade brasileira associada a uma cooperativa.
Para completar, o coop brasileiro injetou R$31 bilhões em salários e encargos trabalhistas na economia, empregando 550,6 mil brasileiro.
O QUE ESPERAR DO ANO INTERNACIONAL DAS COOPERATIVAS?
O cooperativismo já têm um impacto notável na economia e no mundo. Com o apoio e a visibilidade deste Ano Internacional das Cooperativas, espera-se ampliar ainda mais o alcance do nosso modelo de negócios. A ONU já se comprometeu a fortalecer o cooperativismo, incentivando e apoiando seus 193 países-membros a investir e criar novas cooperativas. Além disso, a organização pretende inserir a participação de representantes cooperativistas em conferências que impactam cenários locais, regionais e mundiais, decisão que deve repercutir diretamente em mais políticas públicas para o cooperativismo e mais espaço na agenda global.
Participe desse movimento!
Oficialmente, o Ano Internacional das Cooperativas de 2025 foi lançado em novembro de 2024, durante a Conferência Global da Aliança Cooperativa Internacional, em Nova Déli, na Índia. Qualquer pessoa pode se engajar nesse movimento cooperativo global, mobilizando eventos, fazendo a divulgação do cooperativismo em suas redes sociais e até usando a logomarca oficial do Ano Internacional das Cooperativas. Para participar da campanha, acesse o site oficial.
Movimento pretende apresentar compromissos climáticos e práticas inovadoras durante o evento
Entre os dias 10 e 21 de novembro, Belém, no Pará, será a sede da COP30. Esse momento é uma oportunidade histórica, junto à celebração do Ano Internacional das Cooperativas, para que o Brasil e o mundo avancem no combate às mudanças climáticas. Por isso, o cooperativismo irá marcar presença no evento, como já ocorreu nas últimas quatro edições, com o objetivo de mostrar como o modelo de negócios pode transformar desafios ambientais em soluções sustentáveis, com destaque para as boas práticas que geram impactos positivos em comunidades e no meio ambiente.
O Sistema OCB, representante das cooperativas, pretende desenvolver iniciativas estratégicas ao longo do ano, como vídeo do Manifesto do Cooperativismo na COP30, press trips, campanhas de divulgação internacional e ferramentas como a solução de Neutralidade de Carbono, que reafirmam o compromisso do movimento com um futuro mais verde e sustentável. O coop planeja apresentar, no evento, cases que mostram como as cooperativas estão comprometidas com práticas sustentáveis e, também, como tem sido essencial para a construção de um mundo melhor.
Saiba mais sobre a participação do cooperativismo na COP30 e como as cooperativas estão engajadas em construir um planeta mais sustentável. Acesse o site SomosCooperativismo e confira todos os detalhes na matéria.
Saiba Mais:
Cada vez que a enfermeira Cacilda Viana precisava levar os filhos, que têm Transtorno do Espectro Autista (TEA), a um hospital, ela enfrentava obstáculos que a maioria das pessoas nem imagina. A luz excessiva, os sons, as texturas e a movimentação do ambiente provocavam hipersensibilidade nas crianças, uma característica de algumas pessoas com TEA. A experiência pessoal levou Cacilma a propor um projeto inovador de saúde inclusiva à Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Enfermagem e Técnicos Hospitalares (Viddamed), da qual é coordenadora desde 2024.
“Por causa desses estímulos sensoriais, raramente vamos a shoppings, supermercados, porque é muito sofrimento para eles, então é melhor não ir. Mas ao hospital a gente precisa ir por necessidade, seja para realizar alguma terapia ou mesmo para uma consulta de rotina. E, infelizmente, esses ambientes não estão preparados para pessoas com TEA, além de todo o preconceito que já sofremos”, afirma Cacilma, que também recebeu diagnóstico de autismo em 2012, aos 34 anos.
“Não vou dizer que minha vida ficou mais fácil a partir do diagnóstico, mas comecei a entender porque tenho algumas características, algumas dificuldades em determinadas áreas e também certas facilidades neurológicas. Mas também comecei a me excluir de alguns lugares por causa do olhar preconceituoso”, lembra. Além de enfermeira, Cacilma é professora, bacharel em música clássica e atualmente cursa um doutorado em Ciências da Saúde.
Conhecendo a realidade das pessoas com TEA de perto, a cooperada ajudou a Viddamed a desenvolver um serviço de saúde inclusiva adequado às especificidades desses pacientes. A iniciativa começou a ser implementada em Ceilândia, cidade do Distrito Federal a cerca de 40 quilômetros de Brasília.
“Quando uma criança com autismo chega aqui, primeiro ela é acalentada. Depois fazemos o possível para que ela possa se sentir acolhida, reduzimos a iluminação, trazemos balões, às vezes até um bolinho. Tudo isso para que ela possa receber o atendimento médico ou realizar um exame, uma terapia”, explica a coordenadora da coop.
Atualmente, o atendimento inclusivo da cooperativa Viddamed beneficia cerca de 40 pacientes. Com cerca de 700 profissionais de saúde cooperados e atuação em Brasília e Goiânia, a coop se prepara para expandir o projeto. Uma das estratégias para isso, segundo o presidente da cooperativa, Danilo Câmara, é oferecer o serviço em cabines sensoriais móveis, que poderão ser levadas a locais como unidades de saúde, escolas e centros de terapia. A cabine é projetada com iluminação e cores suaves, materiais táteis e elementos visuais simples.
“Entregamos ao governo do Distrito Federal, de forma voluntária, um projeto piloto para começar a trabalhar com a cabine em uma cidade, mas já estamos conversando para que o projeto chegue às 15 regiões administrativas mais vulneráveis do DF. Nossa iniciativa ganhou uma dimensão enorme, com potencial para beneficiar 50 mil pessoas, entre pacientes e suas famílias”, afirmou.
A primeira cabine sensorial da Viddamed deve ser inaugurada ainda em 2025, de acordo com o presidente da cooperativa. A estrutura poderá ser utilizada para realização de consultas, tanto presenciais como remotas, e para contenção de crises de pacientes nos locais onde estarão posicionadas. Além de garantir ambiente inclusivo para pessoas com TEA, o objetivo da cooperativa é promover a capacitação de profissionais de saúde com conhecimento técnico-científico para melhorar o atendimento.
Segundo Cacilma, o acolhimento especializado faz toda a diferença, inclusive para que as pessoas com autismo tenham seus direitos reconhecidos e possam ter qualidade de vida além do ambiente hospitalar.
“Também é parte do nosso trabalho apoiar as famílias das pessoas com autismo a conseguir o laudo de diagnóstico, que pode chegar a custar R$ 6 mil, e até a ter acesso a coisas mais simples, como o cordão de identificação do autismo”, conta. Estampado com peças coloridas que formam um quebra-cabeças, o cordão é um símbolo do autismo reconhecido mundialmente e facilita a identificação de pessoas com TEA para acessar direitos como atendimento prioritário.
“Esse projeto é uma das nossas formas de contribuir com o princípio cooperativista do interesse pela comunidade. O objetivo principal da cooperativa é gerar renda para os seus associados, mas também temos a obrigação de dar retorno para a sociedade. Temos que colocar nosso trabalho a serviço das pessoas e aproveitar nossa expertise, nossa capacidade profissional, para fazer entregas que beneficiem a comunidade, e tem sido um processo extremamente gratificante para todos os cooperados”, afirma o presidente da Viddamed.
Além das palavras
Iniciativas de saúde inclusiva para pessoas com deficiência fazem parte da atuação de cooperativas de saúde em várias partes do país e em diversas áreas. No interior de São Paulo, a Unimed Catanduva promove cursos de Língua Brasileira de Sinais (Libras) para seus colaboradores, promovendo acessibilidade e comunicação inclusiva no atendimento a pessoas surdas.
Em 2019, a cooperativa de saúde paulista fez parte de uma história emocionante: um parto totalmente traduzido em libras que permitiu que os pais surdos acompanhassem cada momento da chegada da filha sem escutar uma palavra.
Desde o começo da gestação, Alani Cristina Melo e o marido dela, Claudinei Melo, foram acompanhados por profissionais da cooperativa de saúde com um pré-natal 100% inclusivo, com a presença de uma intérprete de Libras nas consultas e no curso de gestantes. Com a tradução, Alani recebeu acompanhamento de nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros e médicos, assim como todas as pacientes grávidas atendidas pela cooperativa.
“A ideia surgiu, no começo, da necessidade. Precisávamos de uma ponte de comunicação entre os nossos profissionais e o casal. Mas decidimos ir além. A gente via que a alegria das mães, na sala de parto, é escutar o choro da criança. E queríamos que a Alani sentisse a mesma emoção, mesmo sem conseguir ouvir”, explicou o médico Matheus Schuerewegen, um dos idealizadores do projeto de intérpretes no parto, em entrevista à revista Saber Cooperar.
No dia do parto, a emoção tomou conta de todo o centro cirúrgico do Unimed Hospital São Domingos (UHSD), que pertence à Unimed Catanduva. Com mais de 20 anos de experiência como intérprete da linguagem dos sinais, a arte-educadora Nani Oliveira ficou encarregada de transmitir ao casal toda a emoção do que estava acontecendo: da aplicação da anestesia até o momento da chegada da pequena Elaine Cristina ao mundo.
Com a tradução, os pais puderam entender e acompanhar cada passo do parto e se emocionar com a chegada da filha, mesmo sem escutar o choro do bebê. Depois da experiência de saúde inclusiva com a família de Elaine e Claudinei, o atendimento em Libras na Unimed Catanduva foi ampliado e os colaboradores seguem recebendo capacitação para esse trabalho. Além disso, partos com interpretação em Libras passaram a ser realizados por outras cooperativas de saúde do Sistema Unimed em vários estados do país.
Leia a história completa na edição 27 da revista Saber Cooperar.
Cuidado com empatia
Na capital da Paraíba, a Unimed João Pessoa tem mais exemplos de como as cooperativas de saúde atuam com foco nas pessoas, priorizando o aspecto humano no cuidado com os pacientes. Em meio a investimentos recentes em tecnologia e modernização de suas estruturas, a cooperativa fez questão de desenvolver projetos que priorizam o bem-estar e a integração entre médicos cooperados e clientes.
Um deles é a Terapia Assistida por Animais, em que os pacientes da cooperativa de saúde recebem a visita de cães durante os períodos de permanência nas unidades hospitalares. “É um projeto de saúde inclusiva especialmente importante para crianças, ou seja, no setor de pediatria, e também para os idosos. A presença dos cães faz esse resgate de bons momentos, e isso faz com que substâncias sejam liberadas para que o corpo vença os processos, sejam infecciosos ou traumáticos, da internação”, explica o médico Eduardo Sérgio Soares, coordenador do projeto.
Em outra iniciativa para promoção do cuidado de saúde humanizado, a Unimed João Pessoa criou o Espaço Vida, um ambiente bem diferente de um hospital, cercado por jardins, onde a cooperativa oferece terapias integrativas, que harmonizam a saúde física e mental. Conheça mais sobre os projetos no episódio da série SomosCoop na Estrada sobre a atuação da Unimed João Pessoa.
Em 1966, cansados de esperar que a rede de energia elétrica chegasse à zona rural de Ijuí, no interior do Rio Grande do Sul, um grupo de pequenos produtores se uniu para fundar uma cooperativa de eletrificação rural. Na época, o objetivo era levar luz a 160 propriedades e ajudar os agricultores a desenvolver os negócios familiares e a ter mais comodidade em casa. Quase 60 anos depois, a Cooperativa Regional de Energia e Desenvolvimento Ijuí (Ceriluz) segue firme em sua missão de iluminar as comunidades da região, com 15 mil associados espalhados em 23 municípios, apenas três deles em perímetro urbano.
“Naquele momento, o estado não tinha interesse em atender o meio rural com a rede elétrica, pelas dificuldades e pelo custo elevado. Então, as cooperativas surgiram para levar energia ao interior e promover o desenvolvimento da zona rural. Hoje a energia cooperativa está em quase todas as cadeias produtivas da região. Temos associados que trabalham com leite, agricultura, pecuária, tudo com nossa energia envolvida”, conta o presidente da Ceriluz Distribuição, Guilherme Schmidt de Pauli.
Com o crescimento, a Ceriluz se dividiu em três braços: distribuição, geração e internet. Atualmente, a cooperativa possui dez usinas próprias: nove hidrelétricas e uma termelétrica renovável, que utiliza casca de arroz como matéria-prima. A rede de energia cooperativa não apenas viabiliza a expansão de negócios, mas, de fato, muda a vida das famílias.
“Temos o caso de uma associada que as duas filhas tinham ido estudar em outro estado e ela ficou tocando a produção familiar de morangos. A propriedade estava em decadência, no entanto, após a visita das filhas no final de 2023, isto mudou. Surpresas com a qualidade da energia cooperativa e da internet, decidiram ficar e desenvolver o empreendimento. Atualmente, a família emprega mais de 50 funcionários”, destaca Schmidt.
Energia cooperativa com propósito
Em seis décadas de atuação, a Ceriluz é um exemplo de como as cooperativas de infraestrutura – setor que inclui as de geração e distribuição de energia – têm transformado a vida de milhões de brasileiros. Assim como em Ijuí, em muitos outros municípios do país, quando nem o poder público nem as empresas se interessavam em levar luz ao interior, foram as cooperativas que permitiram a troca de lampiões e lamparinas pela eletricidade.
Em todo o Brasil, o cooperativismo é responsável por gerar e distribuir energia elétrica, além de fornecer serviços de telecomunicação, a mais de 800 municípios, segundo o Anuário Coop 2024, garantindo a inclusão produtiva e digital de milhões de pessoas. De acordo com dados da Confederação Nacional das Cooperativas de Infraestrutura (Infracoop), 67 cooperativas de energia elétrica espalhadas pelo país atendem a mais de 778 mil usuários. Em 2023, foram responsáveis pela distribuição de cerca de 5 bilhões de quilowatt-hora (kWh) de energia cooperativa. Tudo isso com um modelo de negócios justo e com foco nas pessoas.
“No cooperativismo de infraestrutura, assim como em todos os setores em que atuamos, o senso de pertencimento do associado é muito vivo e há muita preocupação com o atendimento. Falando especificamente do nosso sistema, é muito diferente ser associado de uma cooperativa ou receber energia de uma concessionária. Como essas empresas têm uma gama muito grande de consumidores, não existe a preocupação com o associado. Nas cooperativas, o associado é o dono do negócio e é tratado como tal”, destaca o presidente da Ceriluz.
Mais acesso a renováveis
Enquanto a Ceriluz representa um exemplo clássico de cooperativa de eletrificação rural, outras cooperativas do setor, como a Cogecom, do Paraná, atuam para levar energia cooperativa limpa e acessível para mais pessoas por meio da geração compartilhada. Embora diferentes, ambas promovem o desenvolvimento sustentável, geram empregos e a independência energética de comunidades.
A Cogecom, cooperativa de geração compartilhada criada em Curitiba, tem cerca de 90% de suas usinas parceiras localizadas no interior do estado ou zonas rurais. Na geração compartilhada, a energia é produzida de forma descentralizada, o que permite a implantação de usinas renováveis fora das concessionárias tradicionais.
Esse modelo de negócio viabiliza, por exemplo, que um morador de apartamento possa ter acesso a energia solar mesmo sem poder instalar as placas fotovoltaicas em sua residência. A cooperativa produz a energia renovável, que ingressa no sistema interligado e gera um crédito equivalente na conta de luz do cooperado.
“A Cogecom tem por meta ampliar o alcance da energia cooperativa renovável tornando-a acessível a todos, incluindo regiões distantes ou de difícil acesso, e sua atuação vai além de apenas oferecer uma alternativa energética mais econômica, está também ligada à sustentabilidade”, explica a gerente de Marketing da Cogecom, Cleide Marchi.
Atualmente, a Cogecom atende mais de 60 mil unidades consumidoras, espalhadas por oito estados brasileiros e tem parceria com cerca de 1,8 mil usinas renováveis. Em média, cada cooperado economiza cerca de 20% na conta de luz. Segundo Cleide Marchi, este resultado faz parte de uma tendência, porque as cooperativas de energia compartilhada têm se destacado como uma alternativa sustentável e capaz de oferecer preços competitivos em todo o Brasil.
“A cada dia, mais empresas e residências aderem a essa revolução energética que está transformando o país. A economia gerada não apenas alivia as finanças dos cooperados, mas também possibilita o reinvestimento em seus negócios, aumentando a competitividade e melhorando a qualidade de vida”, aponta a gerente.