O interesse pela comunidade é um dos princípios que regem o cooperativismo. E isso se dá com um trabalho voltado ao desenvolvimento sustentável dessas comunidades, por meio do investimento em projetos economicamente viáveis, ambientalmente corretos e socialmente justos. Um dos ramos que vem sendo protagonista nesse trabalho é o Crédito. Nos últimos anos, essas instituições vêm se destacando ao oferecer linhas de financiamento com foco em sustentabilidade e desenvolvimento, ajudando a impulsionar iniciativas que melhorem a qualidade de vida dos cooperados e suas famílias e dos locais onde atuam.
De forma geral, essas linhas de crédito contam com taxas de juros e condições de pagamento mais favoráveis do que outras linhas existentes no mercado. Elas têm como foco principal pequenos empreendedores e agricultores familiares, além de pessoas físicas, e são voltadas a diversas atividades com foco em sustentabilidade e desenvolvimento.
Existe, por exemplo, financiamento para agricultura sustentável, para apoiar os produtores a adotarem práticas sustentáveis, como agricultura orgânica, agroecologia, tecnologias de agricultura de baixo carbono e conservação de recursos naturais. Também é possível ter acesso a recursos para levar água tratada e esgoto a residências que ainda não contam com esses serviços.
Há, ainda, linhas de crédito para energias renováveis, que financiam, por exemplo, a instalação de painéis solares, biodigestores (biomassa), turbinas eólicas ou outras tecnologias. E para eficiência energética, possibilitando a compra de eletrodomésticos e máquinas mais modernas e que consumam menos energia.
“No âmbito das cooperativas de crédito, toda operação tem como foco a sustentabilidade, seja de um pequeno ou um médio empreendimento, seja de uma pessoa física”, destaca Moacir Krambeck, coordenador do Conselho Consultivo Nacional do Ramo Crédito do Sistema OCB (Ceco) e presidente da Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras). “Afinal, o objetivo é fazer com que o tomador tenha mais qualidade de vida e não que ele se endivide. Que um negócio seja rentável, que uma pessoa que esteja, por exemplo, em um momento de dificuldade possa sair dessa situação da melhor maneira possível. E essas linhas específicas para sustentabilidade e desenvolvimento vieram para somar”, afirma.
Krambeck destaca que as cooperativas de crédito vêm ampliando as linhas com esse foco e que a tendência é que continue havendo crescimento. “Principalmente nos últimos dois anos, isso tem sido mais forte. As cooperativas estão abrindo cada vez mais espaço para financiar projetos com essa pegada e que tragam benefício coletivo”, observa. “Não tenho a menor dúvida de que isso vai aumentar ainda mais. Nós, do Ramo Crédito, queremos ampliar as ações com foco nos critérios ESG, de ambiental, social e governança. Isso está em nosso DNA e temos que disponibilizar para a sociedade como um todo”, completa.
ÁGUA E ESGOTO
Uma cooperativa que tem impactado positivamente a comunidade em que atua por meio de linhas de crédito voltadas ao desenvolvimento e à sustentabilidade é a Viacredi, do Sistema Ailos, que atua em 25 cidades do estado de Santa Catarina e 5 do Paraná. A instituição conta com a linha Saneamais, que financia ações voltadas ao acesso a água tratada e a rede de esgoto. A iniciativa surgiu em 2022, após uma parceria com a Water.org, organização internacional fundada pelo ator Matt Damon e pelo engenheiro Gary White com atuação em 11 países da África, Ásia e América Latina.
“A Water.org é uma instituição com foco em levar, de forma acessível, água e saneamento para países pobres ou em desenvolvimento. Eles já atuavam no Brasil há alguns anos, mas nunca tinham trabalhado com uma cooperativa de crédito. E, em 2021, eles nos procuraram para estabelecer uma parceria para a criação de uma linha específica que se tornou a Saneamais. E, no ano seguinte, já a colocamos em funcionamento”, conta Sheyla Hennich Mendonça, especialista em Negócios da Viacredi.
A Saneamais permite que cada pessoa física financie até R$ 20 mil, sendo R$ 10 mil para abastecimento de água e R$ 10 mil para esgoto, com taxa de juros entre 1,46% e 2,19% ao mês e pagamento em até 48 meses. Desde a criação, já foram feitos cerca de 3 mil contratos de financiamento por meio dessa linha, beneficiando diretamente mais de 9,3 mil pessoas.
Entre as atividades financiáveis estão reforma de banheiro, compra ou troca de caixa d’água ou de hidrômetro, construção de caixa de gordura, limpeza ou construção de fossa séptica, construção de poço artesiano, manutenção de encanamento, reaproveitamento de água de chuva e contratação de mão de obra especializada.
“Santa Catarina é um estado com um dos maiores índices de câncer no País e uma das razões é o baixo índice de tratamento de esgoto. Então, há uma necessidade muito grande de melhorar essa situação e a Saneamais vem exatamente nesse sentido”, afirma Sheyla. “Nossa meta inicial era fechar, em média, 120 contratos por mês e acabamos fazendo 150. Há bastante interesse e nossa perspectiva é de que essa linha continue crescendo”, observa.
Um dos contratos de financiamento da Saneamais foi assinado pelo casal Nelson e Valdirene Hofelmann, da cidade de Benedito Novo, em Santa Catarina. Por muitos anos, Nelson trabalhou como pedreiro para sustentar a família e, há cerca de um ano, decidiu ter seu próprio negócio e montar uma pequena barraca de caldo de cana e pastel.
Hoje, os dois trabalham juntos na barraca e vêm fazendo bastante sucesso na comunidade. Com isso, puderam realizar o sonho de construir sua própria residência. Com a obra iniciada, foi preciso obter recursos para fazer o banheiro e colocar a fossa, o filtro e a caixa d’água.
Nelson, então, pediu um empréstimo de R$ 10 mil à Viacredi em agosto de 2022. O financiamento está sendo pago em 48 parcelas de R$ 314,64. O material para a obra já foi comprado e o serviço, finalizado. “Se não fosse a Viacredi, seria impossível realizar esse sonho”, conta Nelson.
ENERGIA SUSTENTÁVEL
A instalação de fontes de energia sustentáveis é outra iniciativa que conta com linhas de crédito específicas em diversas cooperativas, como a própria Viacredi, que financia a instalação de sistemas de energia fotovoltaica e eólica.
Quem também oferece crédito com esse objetivo é o Sistema Unicred. A instituição conta com uma linha específica para geradores solares, permitindo a implantação e expansão de painéis fotovoltaicos em diferentes localidades, como comércios, residências, hospitais, clínicas e indústrias, entre outros. Além de taxas de juros competitivas, os tomadores de crédito têm acesso a consultoria especializada em projetos solares, garantindo a correta implementação e maximização da eficiência dos painéis fotovoltaicos.
Já o Sicredi conta com duas linhas específicas para energia sustentável, uma voltada apenas a energia solar e outra com foco em outras fontes renováveis, como eólica, hídrica e de biomassa. A instituição conta, ainda, com uma linha voltada à eficiência energética, que permite o financiamento de diversos recursos necessário à realização de projeto para redução do consumo de energia, como aquisição e instalação de eletrodomésticos, máquinas e equipamentos mais modernos e eficientes e também a realização de obras civis com essa finalidade. As três linhas são voltadas tanto a pessoas físicas quanto jurídicas e têm prazo de pagamento de até 120 meses.
BAIXA EMISSÃO DE CARBONO
Outra linha de crédito voltada à sustentabilidade operada pelo Sicredi é a ABC Sicredi, voltada à economia verde e à redução da emissão de carbono na agropecuária. A instituição também opera o programa RenovAgro, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que busca aumentar a produtividade em bases sustentáveis e adequar as propriedades rurais à legislação ambiental.
O programa RenovAgro é dividido em linhas selecionadas para cada necessidade do agronegócio, como Sistema de Plantio Direto (SPD), Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), recuperação de áreas e pastagens degradadas, florestas plantadas, fixação biológica de nitrogênio, tratamento de dejetos animais, sistemas orgânicos de produção e adequação das propriedades rurais frente à legislação ambiental. Podem ser financiados até 100% dos projetos que proporcionam o crescimento da rentabilidade do agronegócio aliado a um processo produtivo sustentável. O prazo de pagamento varia de 5 a 12 anos, a depender da modalidade, com taxas de juros entre 7% e 8,5% ao ano.
SERVIÇO
Confira algumas linhas de crédito com foco em sustentabilidade e desenvolvimento oferecidos pelas cooperativas brasileiras
NOME | DIFERENCIAIS | COOPERATIVAS | SITE |
Saneamais - água e esgoto | Empréstimos para comprar material e contratar mão de obra para a melhoria das condições de estruturas físicas, como banheiros, esgotos, fossas sépticas e caixas d’água. | Viacredi | https://www.viacredi.coop.br/saneamais/ |
Energia fotovoltaica | Crédito sustentável para instalação de placas fotovoltaicas está disponível na Cooperativa, com prazo de até 60 meses para começar a pagar, carência de até 90 dias, retorno de sobras sobre os juros de pagamento e taxa diferenciada | Viacredi | https://www.viacredi.coop.br/noticias/quer-economizar-na-conta-de-luz-conte-com-o-nosso-credito-sustentavel |
Linha sustentável para imóveis e veículos | Destinada para aquisição de veículos elétricos e/ou híbridos; e imóveis que venham a contribuir com a preservação do meio ambiente e eficiência energética. |
Viacredi |
https://www.viacredi.coop.br/sustentabilidade/ |
Linha Social |
Destinada à saúde, catástrofes naturais ou sinistros, despesas de acessibilidade, educação, treinamentos e equipamentos de informática. | Viacredi | https://www.viacredi.coop.br/sustentabilidade/ |
Financiamento de gerador solar |
Financiamento para instalação de placas solares para geração de energia fotovltaica |
Unicred | https://www.unicred.com.br/solucoes/linhas-de-credito |
Eficiência energética |
Linha de financiamento para quem deseja cooperar com o meio ambiente, adquirindo tecnologias que auxiliem na redução do consumo energético de sua residência. |
Sicredi | https://www.sicredi.com.br/site/credito/para-voce/eficiencia-energetica/ |
Financiamento para Energia Solar |
Linha de financiamento para quem deseja cooperar com o meio ambiente, adquirindo tecnologias focadas na geração de energia fotovoltaica em sua residência e/ou cooperativa. |
Sicredi | https://www.sicredi.com.br/site/credito/para-voce/financiamento-para-energia-solar/ |
Crédito Energia Renovável |
Empréstimos para aquisição de tecnologias para utilização de uma fonte de energia renovável em sua residência. |
Sicredi | https://www.sicredi.com.br/site/credito/para-voce/energia-renovavel/ |
ABC Sicredi |
O Programa para a Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária (ABC Mais) busca incentivar o investimento em projetos que diminuam as emissões de gases de efeito estufa e o desmatamento, além de ampliar a área de florestas cultivadas, e estimular a recuperação de áreas degradadas. |
Sicredi | https://www.sicredi.com.br/site/sobre-nos/sustentabilidade/mudancas-climaticas/economia-verde/ |
RenovAgro |
Linha de crédito para apoiar as atividades agropecuárias e agroindustrial disponibilizando recursos para financiamento destinado a aquisição isolada de máquinas e equipamentos. | Sicredi | https://www.sicredi.com.br/site/credito/para-agronegocio/investimento/ |
Três letras têm mudado a forma de fazer negócios em todo o mundo e ganham cada vez mais importância para empresas, consumidores e o mercado em geral: ESG — sigla em inglês para Environmental, Social e Governance que se refere a ações Ambientais, Sociais e de Governança.
A preocupação com os pilares ESG está em alta, mas para as cooperativas o assunto não é novo. Afinal, o cooperativismo já nasceu com foco nas pessoas, na melhora das comunidades, na ética e no cuidado com o meio ambiente — diferenciais reconhecidos, inclusive, pela Organização das Nações Unidas que declarou que as cooperativas são "uma força econômica e social poderosa, que também podem beneficiar o meio ambiente."
De acordo com a ONU, “por ter sua identidade baseada na ética e em valores, as cooperativas entendem que seus negócios não podem perdurar sem boas práticas ambientais, trabalho decente para cooperados e empregados; e tomada de decisão ampla e inclusiva.”
De fato, em todos os setores da economia em que atuam, as mais de 4.600 cooperativas brasileiras colocam em prática os critérios ESG e lideram iniciativas que estão transformando não só os próprios resultados, mas gerando impacto positivo em cadeia nas comunidades onde atuam.
Confira, a seguir, exemplos do protagonismo do coop em cada pilar do ESG
MEIO AMBIENTE
Em Cascavel, no interior do Paraná, a Coopavel Cooperativa Agroindustrial investiu em tecnologia e inovação para transformar um passivo ambiental em solução sustentável, em um exemplo de como o "E" da sigla ESG impacta positivamente os negócios.
Com mais de 600 mil suínos criados por ano, a destinação dos dejetos gerados pelos animais era um problema, já que o material gera gases de efeito estufa e pode contaminar os lençóis freáticos se forem descartados incorretamente.
A solução encontrada pela Coopavel foi instalar biodigestores na Unidade de Produção de Leitões e gerar energia a partir dos rejeitos gerados na suinocultura. O biodigestor é um equipamento fechado em que a matéria orgânica (urina e fezes dos animais) passa por um processo de decomposição e dá origem a biogás, que alimenta um gerador e produz energia elétrica. Além disso, a decomposição também produz biofertilizantes, ou seja, o que antes seriam dejetos são transformados em energia e adubo, fechando o ciclo da produção sem desperdícios nem contaminação ambiental, em um exemplo de como as cooperativas começam a pensar a economia circular.
A eletricidade gerada a partir dos biodigestores é utilizada para abastecer a Unidade de Produção de Leitões e já supre metade da demanda energética do local. Nos primeiros 15 meses de operação do sistema de energia renovável, a cooperativa gerou 1.127.869 Kilowatt/hora a partir do biogás, o equivalente a 19 mil horas de energia elétrica disponível.
Além do impacto direto da economia com a produção própria, a disponibilidade de energia garantiu a melhora da produtividade de toda a planta, que depende de energia para o funcionamento de sistemas automatizados e sofria com os sucessivos cortes de eletricidade da concessionária.
Fechando o ciclo da sustentabilidade na suinocultura, o biofertilizante produzido nos biodigestores é utilizado nos programas de reflorestamento da cooperativa. A Coopavel também investe na produção de energia solar, para reduzir ainda mais a dependência de fontes não renováveis, e atua em outras frentes ambientais, como na proteção de nascentes e matas ciliares nas propriedades dos cooperados, na reciclagem de resíduos sólidos e na educação ambiental das famílias ligadas à cooperativa.
“A Coopavel quer estar presente cada dia mais com sustentabilidade. Isso aproxima o cooperativismo dos produtores rurais e atende a uma demanda global, que é a melhoria do meio ambiente, tanto para os cidadãos, como para a preservação de todo o planeta, para o futuro”, afirma o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli.
SOCIAL
Na Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), de Minas Gerais, há duas matérias-primas principais: o café e as pessoas. Isso mesmo, como em toda cooperativa, o foco está em promover o desenvolvimento dos cooperados e eles têm um papel central em todo o negócio da cooperativa, do plantio à exportação.
Com mais de 17 mil cooperados, produção exportada para mais de 50 países e certificações internacionais, a cooperativa mineira é um exemplo de como a adoção de critérios ESG abre portas para mercados internacionais.
Para produzir café com responsabilidade social, a Cooxupé dá suporte aos cooperados para que os pequenos agricultores possam produzir de acordo com as exigências internacionais e também tem medidas relacionadas à capacitação, condições de trabalho, saúde, segurança e moradia dos trabalhadores, vedação de mão de obra infantil, entre outras. Em 2021, a cooperativa mineira liderou o ranking ESG da lista de Melhores e Maiores, elaborada pela Revista Exame.
“Somos uma cooperativa que cumpre seriamente os fatores sustentáveis: ambiental, social e econômico. Entendemos a relevância do ESG e reforçamos aos nossos cooperados de que este tripé é cumprido na Cooxupé. Assim, isto nos traz solidez, com credibilidade reconhecida”, afirma o presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo.
A valorização dos cooperados e a produção de café com excelência estão no foco de iniciativas como o Especialíssimo, um programa interno em que a cooperativa seleciona e premia os 50 melhores lotes de cafés especiais produzidos pelos cooperados. Como o café especial tem mais rentabilidade que o grão comum, a seleção estimula os pequenos produtores a entrar nesse mercado mais competitivo e mais vantajoso.
A Cooxupé fornece assistência técnica gratuita a todas as famílias cooperadas, com atendimento diretamente no campo por equipes de engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas especializados. Com o apoio da coop, os cafeicultores podem tomar decisões mais assertivas, com foco nas boas práticas agrícolas e no aumento da produtividade. Em 2022, a equipe de Desenvolvimento Técnico da Cooxupé realizou mais de 80 mil atendimentos.
A gestão da cooperativa mineira é baseada nas práticas ESG há vários anos e segue implantando inovações nessa área. A mais recente é o Protocolo Gerações, um sistema próprio de indicadores de sustentabilidade criado para atender e responder às demandas globais do mercado e dos consumidores do café da cooperativa.
“O Gerações tem diretrizes e níveis para que a cooperativa e seus cooperados estejam integrados à nova realidade de que a longevidade e a qualidade do grão estão profundamente ligadas a um sistema de produção economicamente sustentável, em harmonia com o meio ambiente e com os produtores, suas famílias e seus funcionários”, explica Melo.
O sistema define requisitos e compromissos que devem ser cumpridos pela cooperativa e os cooperados, independentemente do tamanho da produção, e classifica as ações de acordo com o nível de comprometimento com a sustentabilidade, que varia de 1 a 4. Todos os cooperados são estimulados a cumprir compromissos mínimos de sustentabilidade (Nível 1) e a aumentar o engajamento para avançar para os demais, rumo a um café cada vez mais responsável.
GOVERNANÇA
Dos três componentes ESG, a governança é o menos identificável à primeira vista, mas está na base de uma gestão sustentável nas três dimensões do conceito. A governança se refere a adotar práticas que aliem interesses das cooperativas e dos cooperados de forma ética, transparente, justa e em conformidade com exigências legais e de boas práticas do mercado.
A Cocamar Cooperativa Agroindustrial, de Maringá, no Paraná, está na vanguarda dessa agenda e por dois anos seguidos foi eleita a melhor cooperativa do setor agropecuário do país. Com mais de 18 mil cooperados e faturamento de R$11 bilhões, a cooperativa produz de óleo de soja a implementos agrícolas.
O tamanho e a relevância do negócio da Cocamar exigem uma gestão à altura. Para administrar um empreendimento de mais de 60 anos de forma moderna e alinhada às novas exigências do mercado e dos consumidores, a cooperativa paranaense investiu pesado em ESG nos últimos anos.
Baseada na transparência e na ética que o modelo cooperativista tem entre seus princípios, a estrutura de governança da Cocamar evoluiu, permitindo que o negócio seja socialmente consciente, corretamente gerenciado e com produção sustentável. A cooperativa é pioneira em seu modelo de gestão, administrada por um Conselho de Administração eleito em Assembleia Geral, com mandato de quatro anos.
“A Cocamar possui também uma estrutura de comitês estratégicos e comitês de governança, responsáveis por deliberar assuntos junto ao conselho e diretoria e assessorá-los quanto a temas como gestão de riscos e crises, ESG, seguros e crédito, segurança da informação, entre outros. Essa estrutura de governança passou por diversas revisões e atualizações ao longo dos últimos 60 anos, sendo essencial para a perpetuidade da cooperativa”, afirma a gerente executiva de governança da Cocamar, Fernanda Volpato.
Um dos marcos da governança inovadora da cooperativa paranaense foi a elaboração do Manual de Governança da Cocamar, documento que descreve 15 compromissos e políticas para atender os principais impactos da cooperativa. “Os princípios que determinam a política de compromisso são desdobrados em critérios e requisitos, que anualmente passam por auditoria”, explica a gerente de Governança.
O trabalho contínuo em torno da agenda ESG tem levado a melhorias na competitividade dos cooperados e dos produtos da Cocamar, inclusive no mercado internacional. Além disso, tem garantido reconhecimentos como a certificação Ouro no Selo Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), a entrada do Pacto Global da instituição, e destaque no Prêmio SomosCoop Excelência em Gestão, realizado pelo Sistema OCB.
“Uma cooperativa sem uma boa governança não vai a lugar algum e, no caso da Cocamar, o G é um dos seus pilares de sustentação. Por se tratar de uma organização cooperativista e pertencer a 19,3 mil cooperados, a matéria-prima de uma corporação assim é a confiança, o que se mantém e se fortalece prestando um trabalho de excelência e com total transparência nas decisões e prestação de contas, oferecendo a eles absoluta segurança nas suas operações e negócios”, pondera Fernanda Volpato.
O próximo passo da governança da Cocamar é lançar o primeiro Relatório de Sustentabilidade da cooperativa dentro do padrão GRI, sigla em inglês para Global Reporting Initiative, o mais utilizado no mercado e que contém uma série de parâmetros internacionais para ajudar instituições a comunicar o impacto de suas atividades.
Saiba mais sobre a Cocamar no episódio do SomosCoop na Estrada na cooperativa:
https://www.youtube.com/embed/W0exvbVQVsk?si=whgSa5SyV0Km6pSO
Hoje é dia de celebrar o poder transformador das cooperativas financeiras. Todos os anos, a terceira quinta-feira do mês de outubro é destinada para a comemoração do Dia Internacional das Cooperativas de Crédito (DICC). A data, celebrada há 75 anos, foi instituída pelo Conselho Mundial de Cooperativas de Crédito (Woccu), que, para este ano, tem como tema Apoiando pessoas, impulsionando negócios e transformando comunidades.
“Empoderamento é poder transformar desejos em realidades. É visualizar que é possível alcançar objetivos e buscar viabilizá-los e prosperar coletivamente fazendo o bem para si e para o próximo. Muitas pessoas e comunidades foram e são transformadas constantemente pela presença de uma cooperativa financeira na região. Em lugares mais distante e improváveis, as coops de crédito oferecem serviços que verdadeiramente impulsionam sonhos”, defende o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas.
Com atendimento próximo e humanizado, as coops têm a habilidade de orientar as pessoas, cooperadas ou não, de acordo com seus propósitos mais específicos. Além disso, impactam profundamente na inclusão e na educação financeira, o que possibilita a melhora na qualidade de vida de milhões de brasileiros e permitem o acesso a produtos e serviços financeiros com preços mais justos. São, atualmente, 728 cooperativas espalhadas em todas as regiões com uma rede de mais de 9 mil unidades de atendimento, a maior em postos físicos do país. Em 332 municípios, as cooperativas de crédito são, inclusive, a única instituição financeira presente.
A contribuição das cooperativas de crédito para o Sistema Financeiro Nacional (SNF) também é relevante e soma, em volume de depósitos totais, mais de R$ 352 bilhões, de acordo com dados do Banco Central, que indica ainda um volume de operação de crédito superior a R$ 361 bilhões (7,05% do SFN). “Elas representam a solução para que a prosperidade alcance todos os cantos do país", acrescenta Márcio Freitas.
Para as comemorações deste ano, o Sistema OCB lançou o e-book Porque escolher as cooperativas de crédito? e o podcast Os segredos do cooperativismo de crédito. O SomosCoop na estrada também visitou cooperativas de crédito e os detalhes podem ser conferidos nos episódios Sicredi Planalto Central, Sicoob Centro-Sul, Sistema Alios e Cresol.
Os diferenciais e benefícios do modelo de negócios coop voltou a ser destaque na novela Terra & Paixão, da TV Globo. Em reunião com potenciais novos cooperados, a personagem Lucinda (Débora Falabella) descreve algumas das contribuições que as cooperativas agro trazem para seus associados. “Eu começo explicando que para o pequeno e médio produtor é muito vantajoso estar ligado a uma cooperativa. Isso porque como se diz, a união faz a força e, nesse caso, faz toda a diferença”, afirma.
Lucinda é gerente da CoopAtiva, localizada na cidade fictícia de Nova Primavera, e continua sua apresentação ressaltando outras características relevantes do movimento. “O cooperado vai ter produtos mais acessíveis e vai ter também como escoar sua produção com muito mais facilidade. Ele vai ter o acompanhamento de engenheiro agronômo e de outros profissionais que são indispensáveis para uma boa produção”, relata.
A personagem mostra então uma foto do engenheiro agronômo Hélio (Rafa Vitti) que presta asssessoria aos cooperados e explica detalhes sobre como se associar à cooperativa. “Basta prencher alguns formulários aqui conosco e apresentar as documentações necessárias”, completa.
O Brasil conta com mais de 1,1 mil cooperativas agro com mais de um milhão de cooperados. O ramo também é o que mais emprega, com cerca de 250 mil postos de trabalho diretos. Além disso, as cooperativas agro são responsáveis por mais 50% dos grãos produzidos no país.
Em outra cena, exibida no dia 18/09, o cooperativismo de crédito foi evidenciado pelo personagem Odilon (Jonathan Azevedo), dono da academia da cidade e cantor de sucesso que faz dupla com Kelvin (Diego Martins). Odilon procura a agência do Sicoob para saber se a instituição financeira tem algum diferencial para pequenos empreendedores como ele. A gerente da agência apresenta alguns dos produtos oferecidos pela cooperativa e como é fácil se associar. “Vou indicar o Sicoob para todos os meus alunos”, afirma Odilon.
A relevância do coop também ganhou espaço entre as crianças da novela. No dia 12/09, os personagens mirins Rosa (Maria Carolina Basílio), João (Matheus Assis) e Christian (Felipe Melquiades) apresentam aos pais trabalhos de fim de semestre em evento organizado pela escola. O de Rosa é sobre a agricultura familiar. Já o de João é Christina é sobre o cooperativismo.
“A cooperativa é uma organização social que ajuda pequenos produtores e quando eles têm lucro, eles dividem esse lucro. Já quando eles gastam, todo mundo divide as despesas”, contam os meninos. “A minha mãe é gerente da cooperativa”, acrescenta Christian. “E a minha é uma pequena produtora”, completa João.
Confira outras matérias em que o cooperativismo foi citado na novela:
Cada vez que um caminhão de carga roda 100 quilômetros por uma rodovia, 77 quilos de gases de efeito estufa são lançados na atmosfera com a queima de combustível. Agora imagine multiplicar esse número por 2,5 milhões – tamanho da frota de caminhões de carga do Brasil, segundo a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) – e considerar as longas viagens que cada um faz pela imensa malha rodoviária do país. São muitas toneladas de gás carbônico lançadas na natureza, contribuindo diretamente para o aquecimento global.
Nesse cenário e diante do agravamento cada vez mais rápido das mudanças climáticas, cada caminhão movido a diesel ou gasolina substituído por um veículo elétrico — que não emite gases de efeito estufa na atmosfera — ajuda no combate ao aquecimento global.
Ciente da situação, a Cooperativa de Transportadores Autônomos de Cargas e Passageiros da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Coopmetro) investiu, este ano, no primeiro caminhão elétrico de sua frota. Objetivo? Tornar o transporte rodoviário de carga mais sustentável.
O veículo não depende de combustível, não polui o ar e não emite ruídos. Para reduzir ainda mais a pegada ambiental – medida que calcula o impacto de uma ação sobre os recursos naturais – o motor é abastecido por energia elétrica renovável, gerada em uma usina solar.
O caminhão elétrico da Coopmetro tem autonomia de 150 km por carga de bateria. Para a recarga, são necessárias entre seis e oito horas. O projeto-piloto começou com um veículo elétrico alugado em parceria com um dos clientes da cooperativa, também interessado na prevenção e no controle do aquecimento global.
“Temos avaliado os pontos fortes e fracos do projeto", explica o diretor da Coopmetro, Evaldo Moreira. "A avaliação está focada nos quesitos de custos, desempenho, impactos ambientais e atuação mercadológica. O custo do veículo é mais alto em comparação com os caminhões a combustão, devido às baterias caras. A manutenção também é um ponto de atenção, devido a alguns componentes importados.”
COMPROMISSO SUSTENTÁVEL
Apesar de os veículos elétricos ainda custarem muito caro no Brasil, o investimento da Coopmetro se justifica pelo compromisso da organização com a sustentabilidade.
"Queremos seguir uma agenda ESG, tornando nossa atuação mais sustentável em todos os aspectos", explica Evaldo. “É papel de cada um de nós investir tempo e recursos em projetos que apontam para a promoção do bem-estar das pessoas e do planeta, incluindo-se aí o combate ao aquecimento global.”
Até agora, segundo o diretor da Coopmetro, os resultados têm mostrado que investir em caminhões elétricos vale a pena.
“Avaliando o aspecto econômico, os resultados diretos são economia de recursos, devido à eficiência energética e menos gastos operacionais. E também demonstramos nosso compromisso com a responsabilidade ambiental, atraindo clientes e investidores preocupados com esse tema do combate ao aquecimento global”, explica.
A frota elétrica também protege a cooperativa dos riscos da volatilidade de preços do petróleo, fator que impacta diretamente a operação e os ganhos.
ABASTECIMENTO
Apesar da atuação pioneira da Coopmetro, a operação de caminhões de carga movidos a eletricidade esbarra em fatores externos, como o alto custo dos veículos e a infraestrutura de recarga de veículos elétricos no Brasil, que ainda é insuficiente. De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), há 3,8 mil eletropostos públicos ou semipúblicos em todo o país, mas a maior parte está concentrada nos grandes centros urbanos.
Na fase-piloto, os caminhões elétricos da cooperativa mineira vão circular no raio da autonomia das baterias: 150 km. “Hoje o abastecimento é feito em bases do cliente, o que nos limita em autonomia de expansão geográfica. Estamos construindo usinas de energia solar para oferecer grande parte dessa produção energética para movimentar nossos motores”, antecipa o diretor da Coopmetro.
Os planos da cooperativa para a frota elétrica também incluem a intercooperação com outras organizações cooperativistas para investir em novos veículos, parcerias com entes públicos e privados para melhorar a infraestrutura de abastecimento, e ampliar o conhecimento sobre a manutenção desse tipo de veículos. O objetivo é unir o coop mineiro em torno do combate ao aquecimento global.
PLANO ESTRATÉGICO SUSTENTÁVEL
Além da frota de caminhões elétricos, a Coopmetro investe em outras ações sustentáveis como parte de seu planejamento estratégico. O impulso para essa atuação foi o Programa de Desenvolvimento da Gestão das Cooperativas, do Sistema OCB, ao qual a coop aderiu em 2013.
“A partir do programa, criamos um comitê de ESG que, entre várias outras ações, apontou para a importância de conhecermos melhor o modelo de frota elétrica, no intuito de reduzir nossos custos, nossas emissões de poluentes, pegada de carbono e contribuir para atendimento das metas ambientais e do combate ao aquecimento global”, conclui Evaldo.
SERVIÇO
Quer conhecer um pouco mais sobre a Coopmetro? Assista ao episódio do SomosCoop na Estrada.
Para saber mais sobre o projeto de combate ao aquecimento global da cooperativa, clique aqui.