“A força coletiva impulsiona e muda a vida da gente”. Assim, a jornalista Sandra Annemberg iniciou o programa Globo Repórter de sexta-feira (16/12), que trouxe como tema principal os benefícios que o modelo de negócios cooperativista representa para a sociedade e comunidades onde está presente. “Há um ditado popular que diz, se quiser ir rápido, vá sozinho. Mas, se quiser ir longe, vá acompanhado”, complementou Sandra, ao anunciar as histórias detalhadas ao longo do programa. Durante os intervalos, também foi veiculado vídeo da Campanha SomosCoop, que tem como embaixador do movimento, o tenista Guga Kuerten, ídolo do esporte brasileiro.
A trajetória da Cooperativa Justa Trama, de Porto Alegre (RS), foi o primeiro destaque. Formada por mulheres e homens agricultores, fiadores, tecedores, costureiras, artesãos, coletores e beneficiadores de sementes, a Justa Trama é uma cadeia produtiva que inicia seu processo no plantio do algodão agroecológico e vai até a comercialização de peças de confecção produzidas com o insumo. Nasceu em 1996 com um grupo de 35 costureiras e hoje agrega mais de 600 cooperados em cinco estados: Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Ceará e Rondônia.
Quando começamos, éramos apenas um grupo de mulheres que buscava alternativas de trabalho para melhorar as condições de vida das nossas famílias. Juntas, dividíamos tudo. Tivemos vários prejuízos, mas um dos momentos mais felizes da nossa história foi quando começamos efetivamente a gerar renda. Podíamos ter nos acomodado, mas queríamos mais e continuamos lutando para chegar aonde estamos e ir ainda mais longe”, afirmou Nelsa Inês Fabiano Nespolo, presidente da Justa Trama.
Hoje, a Vila Nossa Senhora Aparecida, localizada na Zona Norte de Porto Alegre e sede da cooperativa, conta até mesmo com uma moeda local, o Justo, utilizada pelos moradores para a compra de produtos e serviços no comércio da região. “Nós escolhemos o caminho do coletivo, da união, para transformar a vida das pessoas. Nada nos traz mais felicidade do que ver que quem está à nossa volta também está feliz”, complementa Nelsa.
Arte que constrói
A história do espetáculo Encantado, encenado pela Companhia de Dança Lia Rodrigues, grupo com vários bailarinos formados no Centro de Artes da Maré, localizado na Nova Holanda, uma das 16 favelas do Conjunto da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, mostrou como a força do coletivo contribui para alimentar relações e construir o futuro de jovens que unem diferentes talentos para garantir oportunidades para todos. “Fazemos a diferença na vida um do outro”, afirmou a bailarina Carolina da Silva Pinto, que já viajou o mundo com sua dança e também coordena o Centro de Artes.
“O Encantado fala um pouco dessa possibilidade de convivência e mostra como é possível a gente crescer, se desenvolver colaborando, vivendo junto com as nossas diferenças. A força do coletivo me inspira e está muito presente nesse centro de artes. Eu sinto ação, movimento, construção. Todo mundo é importante”, destacou a coreógrafa Lia Rodrigues. O Centro de Artes da Maré é um dos cinco pilares da ONG Rede das Marés que atua em defesa dos direitos básicos dos moradores do complexo de favela por meio de parcerias.
Rede empreendedora
Acreditar em uma ideia, unir forças e trabalhar para que ela se torne realidade. Esse tem sido o propósito da investidora social Aline Odara, uma paulista que começou fazendo vaquinhas para ajudar empreendedoras negras e hoje conta com o apoio de investidores do maior centro financeiro da América Latina. “A ideia inicial foi unir 20 amigos que doassem 20 reais todo mês durante um ano. Para nossa surpresa, em cinco dias já tínhamos 60 doadores recorrentes e em três meses, quase 300 doadores. Foi assim que nasceu o primeiro fundo filantrópico de mulheres negras do Brasil, a Agbara”, contou Aline.
Hoje ela se reúne com representantes de bancos e investidores que liberam recursos para pequenos negócios de mulheres negras e periféricas. “Batemos um milhão de reais recentemente e já atendemos 2 mil mulheres. Para nós é um resultado extremamente significativo”, acrescentou Aline. A única contrapartida solicitada, segundo ela, é a de fortalecer a ideia de rede, de que uma ajuda a outra crescer. “Quando a gente avança quer levar toda a comunidade junto. Nunca é só sobre a gente”, conclui.
Ensinar a pescar
No Sul de Sergipe, em Santa Luzia do Itanhy, a pesca era a única forma de sobrevivência de seus moradores. Até que, em 2009, a cidade recebeu de volta um sergipano que estudou em São Paulo e começou a desenvolver um projeto que transformou o local em um centro de referência em Ciência, Educação e Tecnologia. Saulo Barreto é engenheiro e co-fundador do Instituto de Pesquisa em Tecnologia e Inovação (IPTI), uma instituição sem fins lucrativos que busca gerar inovações capazes de promover o desenvolvimento humano, a partir da criação de tecnologias sociais nas áreas de educação básica, educação empreendedora e saúde básica.
“Todo lugar tem uma potência, o que falta é a oportunidade adequada. O que buscamos aqui foi transformar a cidade em uma referência global que pudesse também inspirar essas pessoas que têm dinheiro e querem ajudar, a repensar o modelo de filantropia social que elas fazem. O que fazemos aqui não é nada além do óbvio que é trabalhar para criar condições para que todas as crianças possam ter um desenvolvimento pleno até chegar na alfabetização e depois todas elas consigam encontrar um ambiente empreendedor para que tenham qualidade no trabalho e renda, mesmo morando em Santa Luzia do Itanhy”, explicou Saulo.
Hoje já são mais de 20 projetos interligados em um modelo que começa a se espalhar pelo Brasil e estão presentes em 28 municípios de quatro estados. Como lema, o fato de que ninguém constrói nada sozinho e que o trabalho coletivo é a base de tudo. “É revelar o potencial criativo e transformador que as pessoas têm de fato, mas na condição de que ela efetivamente consiga exercer isso. E ela ganha essa generosidade de compartilhar isso, atuando em rede, de maneira coletiva. Só assim a gente consegue superar os problemas que o mundo precisa tão urgentemente”, completa Saulo.
Frutos da caatinga
No sertão da Bahia, o destaque foi para a valorização dos moradores das pequenas cidades e da terra. Em comunidades de fundo de pasto, existentes em munícipios como Uauá, a força do coletivo transformou a paisagem e a vida de pessoas que estabelecem como meio de vida a caatinga. Com o tempo, o bioma começou a se degradar, e as mulheres locais perceberam que o Umbu, um fruto nativo saboroso, estava perdendo força, com baixa produtividade e até morrendo. Nasceu então o Projeto Recaatingamento, que tem como base a preservação do meio ambiente em parceria com a comunidade. O resultado é uma caatinga forte onde as frutas trouxeram o verde de volta para a paisagem.
O projeto é guiado pela comunidade de Ouricuri, junto com o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), uma ONG baiana que promove a convivência com o semiárido. Tudo é pensado coletivamente e realizado em sistema de mutirão. São famílias que trabalham a terra e devolvem a ela a capacidade de produção, plantando espécies perdidas e delimitando áreas de proteção. “Cada um participando faz a diferença. A gente vê a empolgação das pessoas chegando e se empolga ainda mais”, diz uma produtora rural da comunidade.
Hoje, o Umbu voltou a florir assim como outras culturas como a Jurema, espécie nativa da região rica em proteínas e muito apreciada pelos animais, e o Maracujá do Mato, que antes não tinha função específica e agora é transformado em diversos produtos comercializados para todo o Brasil e exterior, por meio da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc). A associação nasceu da união de 44 pessoas, sendo 24 mulheres e 20 homens que desejavam organizar sua produção e comercialização e, atualmente, já reúne mais de 300 cooperados.
“Se fosse para uma pessoa só fazer, não teria como. Então, com os mutirões, nosso trabalho vem se fortalecendo. A gente sente o entusiasmo da pessoa em querer ver, em conhecer e saber que ali tem um resultado”, contou o vice-presidente da Associação Agropastoril de Ouricuri, José Adailton de Souza Nascimento. “Antes eu sonhava em manter a caatinga em pé. Hoje me sinto realizado e aprendi muito no coletivo. Ele é a força de todo esse universo”, completa Alcides Peixinho, produtor de Maracujá do Mato.
Empoderamento é poder transformar desejos em realidades. É visualizar que é possível alcançar objetivos e buscar viabilizá-los e prosperar coletivamente fazendo o bem para si e para o próximo. Muitas pessoas e comunidades foram e são transformadas constantemente pela presença de uma cooperativa financeira na região. Em lugares mais distante e improváveis, as coops de crédito oferecem serviços que verdadeiramente impulsionam sonhos.
Com atendimento próximo e humanizado, as coops têm a habilidade de orientar as pessoas, cooperadas ou não, de acordo com o propósito de cada uma. Jussara Maria Moreira, por exemplo, sempre quis proporcionar um futuro acadêmico e profissional para sua filha. Há mais de 20 anos ela é cooperada do Sicoob Credivertentes (MG) e em conversa com sua gerente encontrou a melhor forma de financiar os estudos.
“Minha filha se inscreveu em uma universidade em Londres, na Inglaterra, e não sabíamos como fazer para realizar esse sonho de estudar fora. Comentando com minha gerente no Sicoob sobre o medo e a insegurança de dar esse passo ela disse que seria possível sim. E acrescentou que a cooperativa jamais deixaria passar essa oportunidade para minha família. Em resumo, estamos realizando o sonho de uma menina que tinha então 17 anos e que há dois anos estuda onde queria. Eu só tenho a agradecer ao Sicoob que tornou possível esse sonho por meio de abertura de crédito com juros baixos e dentro do nosso orçamento”, conta Jussara emocionada.
Crédito para todos
Experiências despertam em nós novas maneiras de inovar e empreender. Com ajuda da cooperativa Sicredi Pioneira, Fernando Maldaner e seu sócio receberam o empurrãozinho que faltava para começar a almejada cervejaria Edelbrau, em Nova Petrópolis (RS). Os negócios prosperaram e a coop continua como principal instituição financeira do empreendimento.
“Fizemos uma viagem para a Europa e observamos que na Irlanda, Alemanha e Bélgica a cultura de micro cervejarias era muito difundida. Então, em 2011, abrimos a empresa na nossa região, que é tipicamente alemã, mas até então não tinha uma cervejaria. Desde o início contamos com o Sicredi para construir o prédio e comprar equipamentos. Graças a excelência da cooperativa, entre o planejamento e execução, foi possível abrirmos em menos de um ano”, explica Fernando.
Segundo ele, as taxas das cooperativas de crédito são mais atrativas e o processo de liberação dos recursos, mais ágil. “Ao longo desses 11 anos contamos com o Sicredi como importante apoio para o desenvolvimento da nossa cervejaria. Em 2018, financiamos uma placa fotovoltaica que nos permitiu ser a primeira cervejaria brasileira a gerar 100% da energia consumida na nossa fábrica. Recentemente, em 2020, solicitamos novo valor para realizarmos a chamada Experiência Edelbrau, que é uma visitação interativa, única e diferenciada na Serra Gaúcha. Temos muito orgulho de atuar nessa região onde o Sicredi nasceu e ficamos felizes por todo o desenvolvimento que estamos promovendo para nossa comunidade em diversas ações”, complementa.
Empreendedorismo
As famílias que se apoiam têm mesmo grande vantagem diante dos obstáculos do mundo. A história da Anadria da Silva Pereira Azarias e de seu esposo somam afeto e vontade de expandir os negócios. O Sicoob Credivertentes, cooperativa a qual ela é associada, concedeu crédito facilitado para a expansão de sua pousada e do turismo rural na região de Itutinga (MG).
“Somos microempresários no segmento de comércio e hospedagem rural e fizemos financiamento para expandir o nosso empreendimento chamado Chalé Vales das Candeias. Durante a pandemia enfrentamos dificuldades, mas pudemos contar com a colaboração da cooperativa, que fez suspensão provisória das cobranças. Somos cooperados desde 1998 e temos muito orgulho de dizer que foi a primeira e única instituição financeira que procuramos para adquirir cartão de crédito, veículo, imóvel, fazer financiamentos e tantas outras possibilidades que já acessamos. Hoje temos nove chalés, todos construídos com recursos do Sicoob”, enaltece Anadria.
Intercooperação
Empoderar o cooperativismo em todos os seus ramos também é foco das coops financeiras. Em diversas ocasiões, elas intercooperaram, por exemplo, com cooperativas educacionais, do agro e de transporte. A coop gaúcha de infraestrutura e energia Certel tem como propósito melhorar a vida de seus associados e comunidades com serviços de eletrificação de qualidade e baixo custo. Ao acionar crédito com as unidades do Sicredi: Ouro Branco, Integração, Região dos Vales e Botucaraí (Soledade), a Certel pôde melhorar a distribuição de energia da região.
O presidente da coop, Erineo José Hennemann, considera que a parceria foi fundamental para a construção da hidrelétrica. “De forma inovadora geramos energia limpa e renovável, 100% cooperativa e que incrementa o emprego, renda e desenvolvimento regional. A prática da intercooperação foi reconhecida em nível nacional como exemplo de integração de negócios entre cooperativas. Tudo isso porque a poupança dos associados do Sicredi e da Certel viabilizaram a hidrelétrica, que aumentará em 30% a capacidade de geração de energia, além de reduzir a tarifa. Isso prova que o modelo de reaplicação das sobras gera mais benefícios aos associados”.
Crescimento
A cada ano o número de cooperativas de crédito cresce mais em favor dos brasileiros. Nos últimos quatro anos, o número de pontos de atendimento subiu de 4.929 para 7.247, evidenciando o coop financeiro como principal agente de atendimento físico no Brasil. São 818 instituições ligadas ao Sistema OCB, que geram mais de 89 mil empregos diretos. Em 275 municípios, as cooperativas são a única instituição financeira presente. De acordo com o coordenador do Ramo Crédito do Sistema OCB, Thiago Borba, as benesses destas cooperativas vão além da concessão de crédito ou captação de depósitos.
“A particularidade de estar próxima do cooperado e dele ser também dono é o grande diferencial das cooperativas de crédito. Não é por acaso que, por conta de seus diferenciais societários, seguem expandindo e em algumas regiões são as únicas que ofertam serviços financeiros. O cooperado é responsável pela cooperativa, ele participa e ajuda a definir seu futuro, onde serão feitos os investimentos para crescimento e expansão, para onde serão destinados os excedentes”, esclarece.
Borba complementa que o Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito (DICC), comorado sempre na terceira quinta-feira do mês de outubro, converge com as agendas positivas da OCB e do Banco Central do Brasil (BCB), que coloca para o setor indicações percentuais de crescimento de 20%, até 2030. “Pelos olhos da própria autoridade reguladora, o cooperativismo de crédito desempenha importante papel de inclusão, justiça financeira e social”, frisa o coordenador.
O superintendente da Fundação Sicredi, Romeo Balzan, evidencia que a inclusão financeira provinda de cooperativas de crédito oportuniza o desenvolvimento da sociedade. “Abrir novos postos de atendimentos é uma necessidade para levarmos a mais pessoas estes serviços. A presença física gera conexão com a comunidade, o que permite conhecer melhor as necessidades das pessoas de cada região”, defende.
A independência financeira promovida pelas cooperativas de crédito empodera e transforma verdadeiramente as pessoas, e impacta diretamente na qualidade de vida das comunidades onde atuam. Em grandes centros urbanos é comum a diversidade de instituições desse tipo, mas nos rincões do país, são as cooperativas que oferecem soluções financeiras levando em consideração as demandas de cada associado. Mais do que crédito, elas levam atendimento humanizado, educação financeira, orientações de como investir melhor e, claro, ações sociais para a população local.
Os cooperados são unânimes em destacar que os recursos represados na comunidade promovem mais que desenvolvimento econômico e social, levam prosperidade. O cooperado da Cresol Minas Gerais, José Roberto da Silva Pereira, atua na agricultura familiar e conta que “as coisas mudaram para melhor” depois que a cooperativa chegou ao município de Espera Feliz (MG).
“A Cresol agregou de forma significativa nas nossas vidas e nos deu condições de buscar recursos, uma vez que não tínhamos nenhuma instituição financeira em Espera Feliz. Ela nos deu suporte para suprir nossas demandas e também orientação sobre a melhor forma de investir e aproveitar esses recursos. Isso melhora cada vez mais a nossa agricultura e, por isso, eu e minha família somos gratos por não termos mais dificuldades de acessar crédito. Tenho que elogiar também o tratamento amistoso, transparente e próximo da Cresol. Além disso, nossa participação nos rendimentos ao final de cada ano faz com que percebamos que o que volta para nós, agrega na nossa região, que valoriza nosso trabalho e nossos produtos”, relata.
Em Pernambuco, Vanusa de Holanda Lopes, associada do Sicredi Pernambucred, conta que buscava uma instituição que levasse em consideração o bem-estar de todos. Após tornar-se cooperada, mais que ter acesso ao crédito, ela se envolveu com ações sociais da coop e passou a integrar o comitê de mulheres da cooperativa.
“Eu não conhecia o modelo cooperativista, até ser apresentada ao Sicredi e ser bem acolhida, respeitada e ter minhas necessidades atendidas. No modelo tradicional, os bancos visam apenas o lucro e não se preocupam com a sociedade mais igualitária. O Sicredi segue na corrente oposta, onde até o que chamamos de sobras é compartilhada entre os associados. A cooperativa oferece todos os serviços de um banco e ao mesmo tempo investe em projetos que minimizam a desigualdade sociais, em conhecimento e em educação financeira, o que fortalece as bases”, descreve.
Sobre o comitê, Vanusa diz que sua colaboração “se debruça em fortalecer o crescimento das mulheres enquanto cidadãs, empreendedoras e das que estão em situação de vulnerabilidade social. Essa prosperidade da instituição é também de muitas pessoas necessitadas e de muitos projetos em benefício da sociedade”.
Aila Fialho, cooperada do Sicoob Uni Sudeste, também declara sua satisfação. “A instituição contribui para a comunidade a partir do momento em que ela incentiva e fomenta campanhas de promoção social, como a iniciativa Salve Vidas [que beneficia hospitais da cidade de Viçosa], a arrecadação de alimentos e campanhas em datas especiais como no Dia das Crianças. A cooperativa é um agente que estimula a promoção social na comunidade”, reforça.
Em Morrinhos (GO), o cooperado do Sicoob Unicentro BR, Francisco Martins da Silva, garante que mudanças significativas aconteceram no município depois da chegada da coop.
“As cooperativas têm influído muito na sociedade de Morrinhos, porque participam e auxiliam muito a vida as pessoas. Temos muito o que elogiar, porque são as cooperativas que têm conhecimento para receber a gente bem e com boa assistência na área agrícola, que é o carro-chefe daqui. As sobras anuais distribuídas aos cooperados é outro diferencial que nos permite querer participar ainda mais. Somos só elogios e desejos de muitas felicidades e de que todos continuem conosco prosperando”.
Expressão nacional
Dos 18,8 milhões de cooperados brasileiros, 13.956 deles estão vinculados às coops de crédito, segundo os dados do AnuárioCoop 2022, produzido pelo Sistema OCB. A superintendente, Tania Zanella, ressalta que o cooperativismo tem em seus princípios e valores a promoção de uma sociedade mais igualitária, ambientalmente correta e economicamente mais justa e que as cooperativas de crédito estão cumprindo esse papel em regiões que outras instituições não alcançam.
“O Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito vem reforçar o desempenho das coops na inclusão e independência financeira de várias pessoas pelo mundo. Elas são o socorro mais próximo para quem mora em cidades mais afastadas. Com atendimento humanizado e atento às necessidades de cada cidadão, elas crescem ano após ano e retêm os recursos na cidade, na comunidade, onde estão inseridas. Isso é uma verdadeira irrigação da economia local. Mais que desenvolvimento econômico e social, as cooperativas são impulsionadoras da prosperidade em todo o mundo. Temos muito ainda a fazer, mas também muito a comemorar”, declara a superintendente.
O Banco Central do Brasil (BCB), órgão regulador, apoia as demandas cooperativistas e tem diálogo estreito com o Sistema OCB na construção e aprimoramento de políticas públicas que atendam o segmento. “Temos constatado o crescimento relevante do setor em ativos, carteiras de crédito e depósitos. Em junho de 2022, por exemplo, o crescimento da carteira de crédito cooperativo foi de 20%, enquanto que o das instituições convencionais foi de 17%. Vamos continuar trabalhando em sintonia para que o cooperativismo continue a crescer, pois é parte essencial nessa revolução financeira e digital”, parabeniza o presidente, Roberto Campos Neto.
O diretor de Coordenação Sistêmica e Relações Institucionais do Sicoob, Ênio Meinen, atribui o crescimento do movimento cooperativista a falta de interesse de outras instituições em levar agências a lugares mais longínquos. “O movimento cooperativo vem ocupando espaços deixados por outros atores do mercado que, além de desassistir as comunidades menores e economicamente menos atrativas, estão dando preferência ao atendimento remoto. A atuação presencial das cooperativas converge com o seu modelo de negócio, que é de proximidade e que tem forte engajamento comunitário”, destaca.
O coop brasileiro tem motivos de sobra para comemorar o Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito (DICC). Com números expressivos, o segmento vem se consolidando como importante fator de inclusão financeira, desenvolvimento regional e prosperidade nacional. A data é celebrada em todo o mundo, sempre na terceira quinta-feira do mês de outubro, desde 1948. “Empodere seu futuro financeiro com uma cooperativa de crédito” foi o tema escolhido pelo Conselho Mundial de Cooperativas de Crédito (World Council of Credit Unions – Woccu) para as comemorações deste ano.
A intenção é ressaltar a contribuição das coops financeiras na melhoria da qualidade de vida das pessoas e valorizar os propósitos delas em contribuir com as comunidades onde estão inseridas estreitando, assim, os laços com seus associados, em especial, nas cidades menores e mais afastadas. O presidente do Sistema OCB, Marcio Lopes de Freitas, destaca a importância de festejar o bem que o coop de crédito tem feito para todo o país.
“O cooperativismo financeiro exerce papel fundamental por sua capilaridade e capacidade de distribuição de recursos para as mais diferentes atividades e ações, não apenas de cooperativas e cooperados, mas para a sociedade em geral. O crédito rural, instrumento prioritário para que os objetivos da política agrícola nacional sejam atingidos, passa por uma cooperativa de crédito. A garantia de acesso a financiamentos junto aos pequenos produtores, bem como as possibilidades de custeio se repete também em outras áreas como infraestrutura, transporte, saúde, educação e energia”, ressalta.
Para além da oferta de crédito, Marcio salienta que, “as cooperativas são importantes vetores de democratização, educação e inclusão financeira, gerando impactos significativos junto aos seus associados e comunidades onde atuam”. Segundo ele, é importante ressaltar que a educação financeira merece atenção especial no nosso país. “Com conhecimento, atitudes e habilidades, as pessoas passam a adotar boas práticas para administrar seus recursos de forma eficiente e segura”, acrescenta.
A participação das cooperativas de crédito na vida dos brasileiros é maior ano após ano. Entre dezembro de 2017 e dezembro de 2021, o número de associados às cooperativas de crédito aumentou de 9,6 milhões para 14,6 milhões, sendo 12,3 milhões de pessoas físicas (PF) e 2,2 milhões de pessoas jurídicas (PJ). Em dezembro de 2021 eram, no total, 818 instituições, garantindo mais de 89 mil empregos diretos.
Os números explicam porque, nos últimos quatro anos, a quantidade de pontos de atendimento cresceu de 4.929 para 7.247, o que coloca o cooperativismo de crédito como a principal rede de atendimento físico do país. Em termos de comparação, no mesmo período, foram fechadas 3.173 agências bancárias em todo país. Além disso, em 275 municípios, as cooperativas de crédito são a única instituição financeira presente, atendendo com qualidade e de acordo com todas as exigências legais e regulatórias estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil (BCB).
Todos ganham
O verdadeiro diferencial das coops de crédito é sem dúvida a participação de seus cooperados nas sobras anuais, popularmente conhecida como divisão pelo bom desempenho da coop. Em outros modelos societários, os lucros são divididos apenas entre os acionistas. No coop, as sobras são rateadas na proporção de cada operação que o cooperado fez com a cooperativa. Ao final de cada ano, os valores conquistados coletivamente retornam aos cooperados, em crédito em conta.
Esta sistemática das coops financeiras contribuem para o aumento de capital ou do fundo de reserva que favorece também a cooperativa ao proporcionar mais crédito com taxas melhores, uma vez que não há o objetivo de maximizar o lucro.
Rafael Mucelini é cooperado há mais de 15 anos do Sicoob MaxiCrédito, em Chapecó (SC). O orgulho de ser cooperado vem do pai, que foi um dos primeiros a abrir conta, logo no início da coop. Mucelini explica que tem uma empresa de confecção e que no início realizava operações em um banco privado, mas que ao perceber os diferenciais da cooperativa, migrou para ter vantagens reais em suas transações.
“Como associado pessoa física sempre fui bem atendido. Então, quando passei a empreender procurei o auxílio da cooperativa como pessoa jurídica. A proximidade e transparência dos colaboradores da cooperativa nos traz segurança e faz com que a gente fidelize e ainda convide amigos e colegas para se beneficiar também”, descreve.
Segundo ele, são muitos os diferenciais. “Começa com a educação financeira, por meio de projetos e trabalhos, que ajudam nosso crescimento e desenvolvimento. O sentimento de pertencimento por conta do atendimento humanizado é um dos fatores mais importantes. A participação nos lucros é excelente para o cooperado, mas mais ainda para a comunidade, já que o valor circula na região e que também gera crescimento e desenvolvimento. A gente fica satisfeito em fazer o bem para nós e para nossa sociedade”, acrescenta.
Mucelini considera ainda que o Fundo Garantidor do Cooperativismo (FGCoop) é outro fator responsável pelas fidelizações. “Diminui de forma considerável os riscos e nos dá mais segurança. Além de podermos contar com a cooperativa na hora de dar um passo maior em investimentos ou até adquirir um imóvel ou veículo”, completa.
Membro do Conselho Consultivo Nacional do Ramo Crédito (Ceco), do Sistema OCB, e diretor do Sicoob, Ênio Meinen, considera que a intensidade da expansão física das coops de crédito está associada à evolução das soluções de acesso e relacionamentos digitais. “Ocupamos espaços deixados por outros atores do mercado. Não deixamos de assistir nenhuma comunidade pequena ou economicamente menos atrativa. Nosso modelo de negócios, inclusive, converge para a proximidade e forte engajamento comunitário”.
Ainda segundo o diretor, com a Lei Complementar 196/22, promulgada recentemente para atualizar as regras de atuação do Sistema Nacional do Cooperativismo de Crédito (SNCC), outros efeitos benéficos para o setor também ficarão acentuados. “Com investimentos tecnológicos vamos incorporar oportunidades ao nosso portfólio operacional, ampliar plataformas, melhorar processos e aprimorar informações gerenciais que vão nos direcionar para novas ações comerciais”.
Romeo Balzan, superintendente da Fundação Sicredi, destaca que oferecer acesso aos serviços financeiros para as comunidades faz parte do objetivo social do cooperativismo. “Abrir novos postos de atendimento significa levar a mais pessoas estes serviços que antes não eram oferecidos. A presença física gera conexão com a comunidade, oportunizando conhecer melhor as necessidades de cada pessoa. Nosso catálogo de serviços não é o fim do nosso modelo, é instrumento para levarmos desenvolvimento econômico para os associados, suas famílias e comunidades em geral”.
Segurança
Toda Nação deve garantir, em uma rede de segurança, o zelo com os recursos da população. No cooperativismo não é diferente. Com o Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), os associados têm a certeza de que seu dinheiro está protegido. Se algo sair diferente do combinado (como insucesso da instituição), o FGCoop garante o recebimento de até R$ 250 mil, por CPF ou CNPJ, no mesmo limite e condições do fundo de garantia dos bancos (FGC).
Destaque no SFN
O SNCC integra o Sistema Financeiro Nacional (SFN) com seus serviços de crédito, depósitos, empréstimos, poupança, cartões, seguros, previdência privada e consórcios. Dados do Banco Central do Brasil (BCB), de 2020, indicam que o crescimento do crédito do SNCC foi maior que o do Sistema Financeiro Nacional nos últimos quatro anos. Em 2020, o crescimento anual da carteira de crédito do SNCC atingiu 35% ao final do ano, contra 15% do SFN. Em outro dado, os depósitos do SNCC aumentaram 42,4% no ano, enquanto no SFN (sem o SNCC) o crescimento foi de 25,7%.
Segundo estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), as cidades brasileiras com presença de cooperativas de crédito possuem incremento no Produto Interno Bruto (PIB) per capita de 5,6%, com a criação de 6,2% a mais de empregos e aumento de 15,7% no número de estabelecimentos comerciais. O estudo aponta ainda que a cada R$ 1,00 concedido em crédito pelas cooperativas são gerados R$ 2,45 no PIB local.
Mundo
O WOCCU representa, em 118 países, 375 milhões de associados em 86 mil cooperativas do ramo crédito. Dados do Conselho, de 2020, evidenciam que há 1,4 milhão de pessoas que não possuem conta bancária, considerando a população com idade economicamente ativa. Segundo a presidente e CEO da instituição, Elissa McCarter LaBorde, o tema Empodere seu futuro financeiro com uma cooperativa de crédito quer estimularmais pessoas a conquistarem a independência e o bem-estar.
“As cooperativas de crédito realmente têm o modelo de negócios perfeito para impulsionar seu futuro financeiro. Assim, o tema não poderia ser mais oportuno. Esperamos que todo o nosso movimento global celebre e promova essa mensagem na quinta-feira, 20 de outubro”, convida Elissa.
Dia Internacional das Cooperativas de Crédito 2022

Você já sabe que o cooperativismo está por toda parte e, quando o assunto é dinheiro, a gente dá até aula.
Uma cooperativa de crédito oferece tudo o que um banco tradicional tem, com a mesma segurança, mas de um jeito diferente. As condições são melhores, os benefícios são maiores e você ainda recebe participação nos resultados, que são as chamadas sobras. Trocando em miúdos, em vez de cliente, em uma coop de crédito você é dono de uma instituição financeira.
São as pessoas que tornam as cooperativas de crédito cada vez mais relevantes para as comunidades. Em troca, as coops oferecem crédito, inclusão e educação financeira para sua gente. E esse é um movimento de grandes proporções e resultados.
No Brasil, são 815 cooperativas de crédito, que reúnem 15,7 milhões de cooperados e geram 89 mil empregos diretos. Com a maior rede de atendimento físico do país, 7.247 postos, as coops de crédito são a única instituição financeira em 275 municípios brasileiros.
Por serem essenciais na vida de tantas pessoas e promoverem um ciclo virtuoso de desenvolvimento, temos motivos de sobra pra comemorar o Dia Internacional das Cooperativas de Crédito (DICC), celebrado em todo mundo sempre na terceira quinta-feira do mês de outubro, desde 1948.
Em 2022, o DICC será no dia 20/10 e tem como tema “Empodere seu futuro financeiro com uma cooperativa de crédito”, definido pelo Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (World Council of Credit Unions – WOCCU, na sigla em inglês).
Confira as histórias do cooperativismo de crédito
Coops de crédito têm a maior rede de atendimento físico do país
Coop financeiro transforma comunidades
Coops de crédito impulsionam negócios
Inclusão financeira
O cooperativismo de crédito tem se destacado nos últimos anos por sua contribuição para a expansão do mercado de crédito no país. A participação do chamado SNCC – ou Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, tem aumentado de forma consistente e beneficiado principalmente as micro, pequenas e médias empresas, além das pessoas físicas (com ênfase nos produtores rurais).
No mundo, a taxa de penetração do cooperativismo de crédito, calculada dividindo o número total de membros de cooperativas de crédito pela população em idade economicamente ativa, em 2020 (último estudo publicado), foi de 12,18%. No Brasil, essa taxa foi de 8,13%.
O Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo de 2020, editado pelo Banco Central do Brasil, mostra que o crescimento anual da carteira de crédito do SNCC foi maior que o do Sistema Financeiro Nacional (SFN) nos últimos quatro anos, ficando com 35% do total contra 15%. Além disso, os depósitos do SNCC aumentaram 42,4% no ano, enquanto no SFN (exceto SNCC) o crescimento foi de 25,7%.
Em estudo divulgado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) em 2020, constatou-se que cidades brasileiras com presença de cooperativas de crédito possuem incremento no Produto Interno Bruto (PIB) per capita de 5,6%, com a criação de 6,2% a mais de empregos e aumento de 15,7% no número de estabelecimentos comerciais. O estudo da Fipe revela ainda que cada R$ 1,00 concedido em crédito pelas cooperativas gera R$ 2,45 no PIB da economia.
Pessoas que ajudam pessoas
Guiadas pelos princípios do cooperativismo, as instituições são formadas por pessoas e para pessoas, e possuem em seu DNA uma preocupação essencial com seu público. Por isso, a realização de ações sociais com foco na transformação de realidades é uma característica dessas coops. E os números do Dia de Cooperar (Dia C) comprovam isso.
O Dia C, realizado por cooperativas de todos os ramos e em todas as partes do país é o maior movimento de voluntariado do setor. Até agora, mais de 500 ações já foram realizadas (de um total de 2.296 previstas), beneficiando mais de 750 mil brasileiros só em 2022.
E onde as cooperativas de crédito entram nessa história? Simples: até agora, mais da metade de todas as iniciativas do Dia C são de cooperativas de crédito. Elas investiram mais de 2,8 milhões em suas comunidades, beneficiando quase 500 mil brasileiros e suas comunidades, detalhe, esse número é parcial, será ainda maior!
Viu só!? Quando a gente coopera, transforma um monte de vidas.
Como tudo começou
Você já deve ter se perguntado como o cooperativismo de crédito surgiu aqui no Brasil, não é mesmo? Por isso, um dos episódios da websérie do SomosCoop se dedicou a respostar essa e outras perguntas sobre as cooperativas de crédito, que são a nossa força no mercado financeiro. No episódio, você vai perceber que quando muitos se juntam e cada um faz sua parte, o resultado é gigante. Confira:
Segurança para os cooperados
No cooperativismo, ninguém faz nada sozinho e um dos grandes parceiros de intercooperação entre as coops de crédito é o Fundo Garantidor das Cooperativas de Crédito (FGCoop). Criado em 2014, o Fundo chegou para fortalecer a imagem das nossas cooperativas de crédito no mercado. É como se o SNCC tivesse um antes e depois do FGCoop, sabe!?
E como ele agrega tanta credibilidade às cooperativas de crédito? Simples: ele é um fundo formado pela contribuição das próprias coops. A ideia é que o FGCoop, que segue todas as regras do Banco Central do Brasil, seja utilizado para proteger os associados e dar segurança às cooperativas.
Nos casos de dissolução de uma cooperativa, o FGCoop garante até R$ 250 mil por CPF, beneficiando os cooperados. Ou seja, é desse fundo que vai sair o reembolso dos depósitos dos cooperados nas cooperativas de crédito. Dessa forma, o ambiente de negócios é estável para as coops e atrativo para os seus associados.
Além dessa segurança, o FGCoop também atua em outras áreas afim de propiciar maior segurança ao Sistema de Crédito Cooperativo. Quer saber como? Clica aqui.